quinta-feira, 17 de julho de 2008

ACREDITAR EM REUMATISMO É PREJUDICIAL À SAÚDE - PARTE 2

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com.br/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

DOR NAS COSTAS E O REUMATOLOGISTA

Dor nas costas é um problema de saúde comum na população, mas não é uma doença. Na linguagem técnica, dor nas costas é um sintoma. Sintoma é a palavra que define o que as pessoas sentem quando têm algum problema de saúde. Para a medicina, um sintoma pode ou não significar a presença de uma doença. No caso da dor nas costas, na maioria das vezes não significa.

Quando analisamos um grupo de pessoas com dor nas costas e acompanhamos essas pessoas por algum tempo para estudar o comportamento do sintoma, notamos que, na maioria dos casos, a dor nas costas desaparece mesmo sem tratamento algum. Isso nos leva a concluir que a maioria das dores nas costas é de pouca importância médica. São causadas por coisas simples como postura ruim, esforços físicos incomuns ou fraquezas musculares localizadas, e em geral resolvem-se espontaneamente. É esse conhecimento que determina a maneira como os médicos em geral vêm o problema da dor nas costas: uma queixa benigna, sem maiores consequências.
Mas nem sempre é assim.

Quando analisamos um indivíduo isoladamente, com uma queixa recente de dor nas costas, a verdade é que, no estado atual do conhecimento científico, não há como ter certeza de que a dor desse indivíduo irá se resolver espontaneamente, como acontece com a maioria da população, ou revelará com o passar do tempo a existência de uma doença crônica e incapacitante. A diferença que existe entre analisar o indivíduo isoladamente ou um grupo de indivíduos com o mesmo sintoma é a mesma que existe entre o atendimento e a pesquisa médica. Na pesquisa interessam grupos de pessoas; no atendimento, é a pessoa doente que importa.

O médico que atende um paciente com queixa de dor nas costas baseia-se em suposições para concluir que a dor irá desaparecer ou não. As suposições são feitas a partir dos dados estatísticos gerados pelo estudo de grupos de doentes com o mesmo sintoma. Mas são as peculiaridades da dor que cada pessoa sente e as características que o local doloroso mostra ao ser examinado pelo médico que fornecem os principais indícios para suspeitar de que alguma doença possa estar por trás do sintoma comum de dor nas costas. Isso significa que a habilidade do médico para identificar as características clínicas da doença é o principal fator que determina a rapidez com que a doença será identificada.

Rafael tinha 16 anos quando começou a sentir um desconforto matinal na região mais baixa das costas - a região lombar - e na musculatura da região glútea. No começo, alguns movimentos de flexão e extensão da coluna eram suficientes para melhorar o sintoma, mas com o passar do tempo a coisa foi piorando. O tempo que durava o desconforto e a intensidade da dor foram aumentando, tornando difíceis os movimentos no início do dia. Diante do agravamento do quadro, os pais de Rafael levaram-no para consultar um "médico da coluna"; depois outro e depois outro.

Os pais de Rafael acreditavam em reumatismo e, por isso, jamais pensaram em levar o filho para consultar um reumatologista. Eles acreditavam que reumatologista trata de reumatismo e que o caso de Rafael era apenas dor nas costas, portanto precisava de outro tipo de médico.

Dois anos depois, quando entrou para a faculdade de Engenharia, Rafael chamou a atenção dos colegas pela maneira lenta e gemente como se movia, contraste grosseiro com a energia e o vigor físico da juventude dos colegas à sua volta. Um deles, que era filho de um reumatologista e por isso tinha algum conhecimento das dificuldades enfrentadas pela população para receber o atendimento correto para as dores musculoesqueléticas, aproximou-se e perguntou o que havia com Rafael e, após ouvir o relato das diversas consultas e tratamentos sem sucesso realizados até então, sugeriu-lhe que consultasse um reumatologista.

Quando Rafael contou aos pais a sugestão dada pelo colega de faculdade, só causou irritação. Eles já estavam cansados de ver o filho ir de profissional em profissional sem obter melhora e haviam decidido continuar com o último que haviam consultado. A idéia de procurar outro especialista e ainda um que “só tratava de reumatismo” parecia perda de tempo, para não dizer inútil.

Mas a verdade é que não existe “médico da coluna”. A população cria certas crenças sem fundamento científico e expressa-as através de palavras. Quando as pessoas repetem inconscientemente as palavras associadas a essas crenças, passam a acreditar que as crenças são reais. No caso da coluna, existem pelo menos quatro especialidades médicas que tratam das doenças desse órgão: reumatologia, fisiatria, ortopedia e neurocirurgia. Reumatologia e fisiatria fazem tratamento clínico das doenças da coluna. Chamamos de tratamento clínico o tratamento baseado em remédios e exercícios. Por outro lado, se a doença necessitar de uma operação - um tratamento cirúrgico - as especialidades que fazem as cirurgias de coluna são a ortopedia e a neurocirurgia. Qual das quatro é a especialidade da coluna? Todas são, e podemos também dizer que nenhuma é. Estaremos certos nos dois casos, pois as especialidades médicas que lidam com dor nas costas não são definidas pela coluna vertebral, mas pelas doenças que a afetam. E as doenças que causam dor na coluna podem estar no campo da reumatologia, fisiatria, ortopedia, neurocirurgia e até mesmo da ginecologia e clínica geral.

Mas a população acredita que existe um “médico da coluna” e é por ele que geralmente procuram quando sentem dor nas costas. Entretanto, se a causa da dor nas costas for uma doença inflamatória da coluna, o profissional preparado para reconhecer, investigar e diagnosticar os primeiros sinais dessa doença é o reumatologista.

Quando o especialista examinou Rafael já encontrou os sinais que indicavam uma doença avançada. O diagnóstico era evidente: Espondilite anquilosante.

Quando ouviram o diagnóstico, os pais de Rafael prontamente perguntaram:

- É reumatismo, doutor?

Essa pergunta sempre surge quando as pessoas acreditam em reumatismo. Mas a resposta certa é:

- Não, não é. É espondilite anquilosante.

Ainda por acreditar em reumatismo, eles fizeram mais uma pergunta comum:

- Essa espondilite é um tipo de reumatismo?

Mais uma vez, a resposta certa é:

- Não, não é. Espondilite anquilosante é uma doença inflamatória sistêmica que afeta a coluna vertebral principalmente. Reumatismo não é uma doença; é apenas um mito sobre doenças. Não é bom explicar doenças através de mitos. O médico deve explicar as doenças através de conceitos científicos e, para melhor cuidar do doente, para melhor tratar da doença, são os conceitos científicos que importam.

Porque os pais de Rafael acreditavam no mito reumatismo, eles levaram o filho a outros especialistas e nem consideraram a possibilidade de consultar um reumatologista. A linguagem oficial considera que a melhor maneira de ensinar a população a consultar um reumatologista por causa de dor nas costas é "ensinar" que dor nas costas pode ser causada por "algum tipo de reumatismo". Mas essa linguagem aparentemente lógica, baseada no mito reumatismo, já tem mais de cinquenta anos e a prática mostra que não tem conseguido evitar que novos casos como o de Rafael aconteçam. E eles continuam acontecendo porque as pessoas chegam ao reumatologista somente após terem passado por outros profissionais. Elas precisam ouvir de alguém que a doença "pode ser reumatismo ou pode ser um tipo de reumatismo" para aceitarem a consulta com o reumatologista. Isso as faz perder tempo e a doença usa esse tempo para progredir.

É preciso ensinar que reumatologia é a especialidade médica que diagnostica e trata as dores e as doenças das articulações, dos ossos, dos músculos e da coluna. Somente assim ensinaremos as pessoas a pensar em reumatologia quando experimentarem um sintoma doloroso como a dor nas costas.

Depois de estabelecido o diagnóstico correto, Rafael melhorou com o tratamento. A dor regrediu e ele recuperou a maior parte dos movimentos; aprendeu a conviver com a doença crônica e com o tratamento necessário para mantê-la sob controle. Hoje ele ensina outras pessoas que sentem dor nas costas a sempre consultar um reumatologista.



15 comentários:

marisa lara disse...

Dr.Luiz Claudio, boa tarde.

Há 4 meses atrás comecei sentir algumas dores na perna, principalmente na parte de trás de ambos joelhos o qual notei que também estavam bem inchados. Fui ao ortopedista e ele me falou que aquele inchaço era gordura localizada( sempre fui magra e ainda sou) e questionei a ele que era estranho uma gordura localizada bem na parte de trás do joelho e ele me passou uma ultrassonografia que não acusou nenhuma anormalidade. As dores foram irradiando para outras partes do corpo como: mãos, dedos, pés... Fui ao clínico geral e ele me pediu alguns exames Hemograma,PCR, Aslo e mais um que não me recordo no momento mas todos para detectar um possível reumatismo. O único exame que deu anormalidade foi o Aslo com um resultado de 436 UI/ml. Ele me falou que foi uma possível infecção que eu tive na parte superior do corpo e não foi bem curada e acabou indo para o sangue. Realmente tive um problema no canal de um dente no qual quase perdi o dente, devido a dificuldade de conter a inflamação. Foram mais de três meses até solucionar esta inflamação. Ele me passou penicilina oral 3x ao dia por 10 dias e eu voltarei após 2 ou 3 meses para repetir o exame, pois o medicamento irá agir durante este tempo. Fico preocupada, porque apesar das dores terem melhorado em uns 70% eu sinto de vez em quando os membros afetados pela dor ,como se estivessem pulsando. O senhor pode me dar alguma pista se estou no caminho certo.
Agradecida
Marisa

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Marisa:

Lamento dizer isso, mas o que você me contou não é uma descrição de algo que vá indo bem. Começando por procurar um ortopedista por causa de dores nas pernas, você seguiu o caminho errado que infelizmente a maioria das pessoas ainda segue. Dor nas pernas com inchaço no joelho que apareceu sem ter havido qualquer traumatismo deve ser consultado com um reumatologista. Deixe os ortopedistas para os traumatismos e as fraturas, ou quando precisar de algum tratamento cirúrgico.
Como você mesma disse, "fui ao clínico geral e ele me pediu alguns exames Hemograma,PCR, Aslo ... para detectar um possível reumatismo". Bem, se você visitou o blog, deve ter aprendido que esses exames não detectam "um possível reumatismo" apenas porque reumatismo não é uma doença que possa ser detectada pois é apenas um mito a respeito de diversas doenças que causam dor nas articulações, nos ossos, nos músculos e na coluna. O profissional preparado para diagnosticar e tratar essas doenças é o reumatologista.
A maioria dos clínicos não sabe interpretar o resultado do exame de ASLO, por isso eles costumam dizer que quando ASLO está alto, a pessoa tem reumatismo. Isso não é verdade, porque ASLO alto não significa reumatismo.
Outra explicação que eles dão é a que você ouviu, "uma possível infecção que eu tive na parte superior do corpo e não foi bem curada e acabou indo para o sangue", e que também não é verdadeira, mas para ser mais exato, é uma meia verdade usada para ocultar uma mentira inteira.
ASLO elevada significa realmente uma infecção passada, essa é a meia verdade, mas pode ser na pele ou na garganta, mas não no dente. Mas ASLO elevada não significa que a infecção não curou direito, pelo contrário, significa que a infecção foi curada. ASLO é o anticorpo, ou a substância de defesa que o corpo usa para curar a infecção e permanece elevada no sangue por mais ou menos 6 meses, mesmo após a infecção ter sido curada e só mostra que o organismo se curou. Não mostra que a infecção foi para o sangue. Você não tem isso, pode ficar sossegada.
Não vejo motivo para você ter usado penicilina nem vejo motivo para repetir o exame de ASLO. O resultado que você viu não tinha nada a ver com as dores que você sentia e se fizer um novo exame, o resultado não terá nada a ver com o fato de as dores terem melhorado. Pode parecer difícil entender isso, mas infelizmente é assim que as coisas são. Muitas doenças dolorosas melhoram com ASLO alto ou baixo e com ou sem penicilina. Isso não tem nada a ver com a doença, mas um profissional despreparado pode usar como explicação para o que acontece. É o que eu quero dizer com uma meia verdade ocultando uma mentira ineira.
A mesntira, nesse caso, é que quem usa esse tipo de argumentação esconde que não sabe o que está fazendo.
No seu caso, o que importa é que as dores melhoraram e não se ASLO estava alta ou baixa nem se a melhora foi antes ou depois de usar penicilina. Isso não tem importância porque não tem nada a ver com a causa ou a melhora das dores. Agora, se as dores continuarem a incomodar, sugiro que você consulte um reumatologista.
Boa sorte.

Grasiele disse...

Bom dia Dr.!

Gostaria muito que o sr. que tirasse uma dúvida, que está me perturbando a quase um ano...Ao fazer exames de rotina com minha dermatologista, meu exame de sangue apresentou o Aslo alto 400, ela me encaminhou para um reumatologista, a partir daí começou o meu tormento...O primeiro reumatologista que fui, me falou que apesar de eu não apresentar nenhum sintoma, eu estou com Febre reumática e me prescreveu 6 doses de Benzetacil para tomá-las de 15 em 15 dias e após, refazer o exame de sangue e também me encaminhou para o cardiologista. Fiz todos os exames prescritos pelo cardio e nenhuma alteração constou, sendo assim o cardio me afirmou que eu não tinha Febre reumatica, mesmo assim tomei as injeções e ao refazer o exame de sg o Aslo havia abaixado muito pouco, quase nada...Após o cardio ter me afirmado que eu não tinha Febre reumática e portanto não precisaria estar tomando essas injeções tão dolorosas, procurei mais 2 reumatologistas, onde um me confirmou que realmente eu não tinha a doença e que eu não precisaria tomar as injeções (mas não me passou nenhum tratamento para abaixar o nível de Aslo no sg) e outro me falou que eu não tinha a doença, mas poderia desenvolvê-la no futuro, por isso deveria tomar mais 6 injeções de 21 em 21 dias e após reafazer o exame. Gostaria de saber qual é a sua opinião sobre o assunto, pois todos me perguntaram se eu tive alguma infecção na garganta (amigdalite) recente, mas tenho certeza que a única infecção na garganta que tive foi em 2001, recente não tive infecção alguma? Como faço para abaixar o Aslo, pois não aguento mais tomar benzetacil? O Aslo alto repercutirá em que na minha vida?
Desde já agradeço sua atenção. Grasiele

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Grasiele:

Lamento muito pelo que você está passando, mas você está sendo apenas mais uma vítima da crença no mito "reumatismo".
Em primeiro lugar, ASLO não é exame de rotina e não deveria ser solicitado para pacientes sem sintomas. Para quem não tem sintomas, ASLO de 40, 400, 4000 ou 40000 significam a mesma coisa, ou seja, NADA.
ASLO elevado não é doença, é apenas o anticorpo que as células de defesa do corpo produzem para se defender da bactéria estreptococo.
Na escola, no trabalho, no ônibus, andando por aí, as pessoas entram em contato com essa bactéria. Às vezes esse contato causa sintomas, como infecção de garganta, mas às vezes não causa. Entretanto, cada vez que o corpo entra em contato com a bactéria, produz ASLO para se defender, havendo ou não sintomas. Então, às vezes ASLO aumenta e a pessoa não sente ou não sentiu nada e não entende porque ASLO aumentou. Isso significa apenas que a pessoa teve contato com o estreptococo e produziu as defesas necessárias contra ele. Não é uma doença.
A primeira orientação que você recebeu foi errada. Quem não tem sintomas não tem febre reumática, não importa qual seja o nível de ASLO.
Febre reumática causa febre, artrites, manchas no corpo, sopro no coração e outros sintomas. Dizer que ASLO elevada é febre reumática é só uma declaração de ignorância. ASLO elevada não é doença.
Não é preciso baixar o ASLO, não é preciso repetir o exame para ver se baixou e não precisa usar injeções para isso. As injeções não baixam ASLO. A queda ocorrerá naturalmente, aproximadamente em 6 meses, com ou sem injeções, à medida em que a defesa do corpo for voltando ao normal. Se houver novo contato com estreptococo, subirá novamente. Não há repercussões para a saúde de quem tem ASLO alto pois isso mostra apenas a defesa do corpo, não uma doença.
O tratamento com injeções de penicilina a cada 21 dias é indicado para quem tem febre reumática, mas nesse caso deve ser feito de maneira contínua e por longo prazo, às vezes pela vida toda. Uma receita de 6 injeções não é tratamento para febre reumática e também não baixa ASLO.
O lamentável nessa história é saber que você ouviu a opinião de 3 reumatologistas. Bem, talvez haja uma explicação para isso. Alguns médicos se anunciam como reumatologistas mas não são especialistas; já soube de muitos desses. Para saber quem é realmente reumatologista, procure informar-se no Conselho Regional de Medicina do seu estado.
Boa sorte.

Camila disse...

Dr. Luiz Claudio,

Precisei fazer um exame admissional e nele constava provas de atividade reumáticas.

Meu resultados foram:
Hemossedimentação: 7 mm (mulheres até 12 mm)
Alfa 1 Glicoproteína ácida: 61 mg/dL (50 a 120 mg/dL)
Antiestreptolisina O: 860 UI/mL (até 200 UI/mL)
Proteína C Reativa ultra-sensível: 0,12 (até 0,3 mg/dL)

Como o senhor pode ver, apenas antiestreptolisina deu resultado fora do padrão. Eu nunca senti dores nas pernas ou nas juntas, não sinto cansaço, levo uma vida saudável, faço exercícios diariamente incluindo os finais de semana. Tive dor de garganta com inflamação da amídala no carnaval e não me consultei com médico.

Será que essa taxa elevada pode ser relacionada com isso ? A taxa está muito alta ? Devo fazer exames complementares ?
E, principalmente, posso ser eliminada do processo seletivo por causa dessa taxa ?

Att,
Camila

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Camila:

A expressão "provas de atividade reumática" é mais uma das bobagens relacionadas ao mito reumatismo.
Alguém de imaginação criativa cunhou essa expressão numa tentativa de inventar alguma forma segura de diagnosticar laboratorialmente as "doenças reumáticas" - outra expressão relacionada ao mito que eu preferia que fosse abandonada, mas essa é oficial.
A verdade é que o diagnóstico dessas doenças é puramente clínico, ou seja, depende dos sintomas e dos achados no exame físico do paciente. Em pessoas sem sintomas, nenhum desses exames, isoladamente ou em conjunto, faz diagnóstico de coisa nenhuma.
Acho lamentável esse tipo de exame fazer parte de alguma rotina admissional. Provavelmente foi escolhido por um médico não especialista, que deve fazer a seleção baseado em resultados de exames laboratoriais e não no exame das pessoas.
Provavelmente, a inflamação de amígdalas que você teve no Carnaval é a causa da elevação de ASLO. O significado de ser 400, 860 ou 1860 é o mesmo: indica apenas que você teve uma infecção anterior por estreptococo e mostra a intensidade da reação imunológica de defesa contra a bactéria. Isso não tem significado clínico, ou seja, não é doença, não causa sintomas e não deveria ser pesquisado de rotina.
Não há necessidade de repetir o exame. O resultado deve normalizar naturalmente em alguns meses, salvo se você pegar uma nova infecção.
Não acredito que você seja eliminada do processo seletivo, mas é possível que tenha algum incômodo por causa disso. Se quem solicitou o exame não souber interpretar o resultado, vai querer novos exames ou talvez peça avaliação de um especialista. No final, entretanto, acredito que tudo deva se esclarecer e prevaleça o bom senso para você assumir a sua vaga.
Boa sorte.

Os Marginais disse...

Dr. Luiz Claudio, boa tarde.

Tenho 25 anos e sinto FORTES dores nos membros inferiores e, por incrível que pareça, tais dores "andam" em toda a extensão da perna (com vermelhidão e inchaço). Fui a um clínico que nada descobriu e disse que a dor que eu sinto é no osso, motivo pelo qual devo fazer fiseoterapia. Não satisfeito, fui a outro que me pediu uma série de exames, foi então que vi que meu PCR Ultra-sensível está em 16 (13 a mais que o máximo) e estou MUITO preocupado. Tenho parente (1 grau) com reumatismo e lupos e não faço a menor idéia do que fazer... alguma sugestão?

Grato,

Araujo

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Araújo:

Sugiro que você consulte um reumatologista quando estiver com a vermelhidão e o inchaço. O local exato onde aparecem essas alterações é o mais importante para o diagnóstico, mas não parece ser o tipo de manifestação produzida por qualquer doença que dê "dor no osso".

Vânia disse...

Puxa vida, quem deveria indicar a especilidade correta é o próprio médico que o paciente procura. Isso não ocorre por desconhecimento dos próprios médicos. Essa é a minha opinião.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Concordo com você, Vânia.

Robinson disse...

Dr. Luiz Claudio, cordial saudação.

Tenho medo pelo fato de ter o aslo elevado, apesar de não ter nenhum síntoma de doença. Isto pode significar que tenho uma febre reumática escondida estragando devagar meu coração, minhas válvulas cardíacas, meus rins, e que a doença pode aparecer em algum momento da minha vida e já tenha me causado problemas que eu não possa prevenir¿?¿? Quando a doença aparecer eu já terei meus órgãos afetados ou poderei evitar isto com um tratamento rápido¿?¿?

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Robinson:
ASLO elevado não significa febre reumática e não causa problemas no coração ou em qualquer outro órgão. Não há motivo para ter medo do ASLO elevado.
As doenças associadas à elevação do ASLO são doenças autoimunes desencadeadas por infecção por estreptococo e todas elas causam sintomas; se não há sintomas, não há doença autoimune e o ASLO aumentado não precisa ser tratado.
Se há algum sintoma, um reumatologista deve ser sempre consultado para avaliar se o sintoma tem ou não relação com o ASLO elevado e com alguma doença autoimune associada a infecção por estreptococo.

Dulce disse...

Dr Luiz Claudio

tenho 25 anos e tive uma bebe ah 1 mês de parto cesário,, quinze dias apos o nascimento da minha filha, começou a doer minha articulação coxo femural direita , uma dor forte que desceu para os joelhos e depois para o pé, chegando ser quase que insuportavel, agora a mais de uma semana começou a doer o tornozelo esquerdo que está inchado e vermelho e doendo insuportavelmente, como na minha cidade não tem reumatologista fui ao ortopedista que me encaminhou a um reumatologista da capital do meu estado, gostaria de saber quais os exames que devo fazer para já levá-los prontos ao reumatologista e se geralmente quais são os tratamentos indicados para este tipo de problema, gostaria de saber tambem se pode ser algo muito sério!!]
Desde já agradeço
aguardo sua resposta.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Dulce:
Os exames a serem feitos dependerão da suspeita que o reumatologista tiver após o exame físico. Há várias possibilidades diagnósticas para o seu caso e a investigação dependerá de qual for a mais provável.
O exame mais importante é o exame físico das articulações doloridas, os exames laboratoriais devem ser feitos somente depois disso; fazer exames antes não ajuda, mas pode atrapalhar.
O tratamento, da mesma forma, dependerá do diagnóstico.
Sugiro que aguarde a consulta com o reumatologista para que ele esclareça as suas dúvidas.

Ricardo Sena disse...

Parabéns pelo Blog, como vc também tenho um blog , o meu foi iniciado em 2006.Sou Fisioterapeuta voltado ao tratamento da coluna Vertebral, como profissional temos que nos virar pois em 99% não recebemos o diagnóstico clínico adequado por parte do Ortopedistas em sua maioria, ja levantei vários Hipósteses "diagnósticos" clínico( ainda que deveria ser do ortopedista em alguns casos), que foram prontamento confirmadas pelos Reumatologistas que encaminhei meus pacientes. No tocante a EA, a hipóstese levantada foi confirmada em 100%.
Um Abraço e sucesso pelo Blog, estou 4studando muito as suas explicações e seus comentários.

Ricardo Sena- Fisioterapeuta