segunda-feira, 7 de julho de 2008

ACREDITAR EM REUMATISMO É PREJUDICIAL À SAÚDE - PARTE I

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM




Joana é uma mãe consciente, preocupada e zelosa com a saúde dos filhos. Quando a filha Maria, de 14 anos, começou a se queixar de dor nas pernas, nos pulsos e nas costas, ela prontamente levou-a para consultar na Unidade de Saúde. O profissional que a atendeu pediu diversos exames de sangue, incluindo alguns "para ver se é reumatismo".

Quando os resultados vieram, foi explicado que Maria tinha reumatismo no sangue porque o exame antiestreptolisina O (ASLO) estava elevado. Também foi dito que, por causa disso, o sangue podia virar pus e entupir as válvulas do coração. Foi explicado também que o tratamento para o reumatismo no sangue era tomar uma injeção de penicilina de 7 em 7 dias e que Maria deveria repetir o exame todos os meses para acompanhar a taxa do reumatismo. (Todas essas "explicações" são pura fantasia e não correspondem a nenhuma doença; ninguém deveria se assustar ao ler ou ouvir algo semelhante, mas infelizmente são muito usadas no nosso país - Nota do autor)

Assustada, Joana prontamente passou a seguir as recomendações. Entretanto, após muitas injeções, as dores de Maria não haviam melhorado e o resultado do exame mantinha-se elevado. Em vista disso, ela recebeu um encaminhamento para consultar com um médico-reumatologista.

Como sabia que reumatismo no sangue não existe, o especialista tinha certeza de que a explicação para as dores de Maria seria outra e que ela havia perdido tempo, tomando injeções à toa, apenas porque a mãe acreditava em reumatismo. Ao examiná-la, o especialista identificou facilmente os achados da síndrome de hipermobilidade, uma característica física congênita em que as articulações apresentam mobilidade maior do que o normal e podem fazer movimentos que as articulações normais não fazem. Para diagnosticar a síndrome de hipermobilidade é preciso apenas saber examinar as articulações; não é preciso fazer nenhum exame de sangue ou de raios-X para isso.

A síndrome de hipermobilidade é uma causa relativamente comum de dor nas articulações e nos músculos e era a causa das dores de Maria. Ela não tinha reumatismo no sangue simplesmente porque reumatismo no sangue não é uma doença. O exame alterado nada tinha a ver com as dores que ela sentia simplesmente porque pessoas normais podem ter ASLO elevada sem que isso signifique doença.

Todos os dias atendo pessoas passando pelo mesmo tipo de preocupação. Quando ouço absurdos como "o reumatismo no sangue pode fazer o sangue virar pus e entupir as válvulas do coração" percebo o quão longe a Reumatologia se encontra do ideal de educar em ciência. Educar com mitos é educar com mentiras. Isso é condenável em todos os aspectos. Para educar em Reumatologia precisamos eliminar o mito "reumatismo" das explicações.

Não existe nenhuma doença chamada de "reumatismo no sangue". Não existe nenhuma doença capaz de fazer o sangue virar pus. Não existe nenhuma possibilidade de pus causar entupimento das válvulas do coração. O resultado do exame antiestreptolisina O elevado não significa "reumatismo no sangue". Qualquer que seja a taxa de elevação do resultado, não significa "taxa de reumatismo" porque não existe nenhum exame capaz de medir semelhante absurdo, simplemente porque reumatismo não tem taxa nem é doença que possa ser medida. Não existem exames que mostrem que alguma doença é reumatismo.

Como médico-reumatologista estou cansado de ouvir essas bobagens. Sei que as pessoas leigas repetem tais absurdos ingenuamente, apenas porque ouviram as mesmas bobagens de profissionais que supostamente deveriam estar transmitindo conhecimento científico. E os que defendem o mito reumatismo são tolerantes com esse tipo de linguagem porque procuram extrair algum significado médico oculto dessas explicações absurdas.

Por exemplo, existe uma doença chamada "febre reumática". Na febre reumática, o exame antiestreptolisina O é útil para o diagnóstico, embora isoladamente não signifique febre reumática. Não é porque alguém tem ASLO elevada que tem febre reumática. Não é isso. Mas em conjunto com outros dados, o exame - a elevação de ASLO - pode ser essencial para fazer o diagnóstico de febre reumática. Uma das complicações da febre reumática é a lesão das válvulas do coração, mas nunca há "entupimento por pus". A febre reumática é prevenida com injeções periódicas de penicilina, mas o intervalo preconizado é de 21 em 21 dias, não de 7 em 7.

Por causa dessas características, os mais tolerantes costumam ver alguma semelhança com o diagnóstico de febre reumática na linguagem baseada em reumatismo utilizada para explicar as dores de Maria. Consideram que o profissional apenas diagnosticou febre reumática e deu uma explicação simples, baseada em termos leigos, que qualquer pessoa poderia entender. Vejo essa justificativa para a tolerância como um deboche para com a sociedade: "no meio acadêmico, febre reumática; ao paciente, reumatismo no sangue".

Entretanto, considerando que a mesma explicação de "reumatismo no sangue" é usada quando os resultados de fator reumatóide e FAN (fator antinuclear) estão alterados, o desejo de considerar "reumatismo no sangue" como sinônimo vulgar de febre reumática não se fundamenta, porque fator reumatóide e FAN nada têm a ver com febre reumática e também são usados mitologicamente para inventar uma explicação de "reumatismo no sangue". Ao contrário do que alguns acreditam, "reumatismo no sangue" não é sinônimo de febre reumática, é apenas um mito para explicar alguns resultados de exames mal compreendidos.

Além disso, quando foi identificada a síndrome de hipermobilidade como a causa das dores de Maria ficou evidente que ela não tinha febre reumática. Portanto, toda a explicação dada inicialmente, que aparece no segundo parágrafo desse texto, foi apenas uma encenação de quem não identificou a causa da dor e usou um resultado de exame para criar uma doença que não existia, iatrogenizando a paciente com um tratamento desnecessário.

Iatrogênese é a doença causada pelos atos médicos. É fácil entender a iatrogênese quando uma pessoa fica com uma deformidade visível causada por uma cicatriz monstruosa de uma cirurgia mal sucedida. Mas não é tão fácil reconhecer a iatrogênese quando o sofrimento de alguém é causado pela preocupação excessiva produzida por informações imprecisas, transmitidas com palavreado mitológico. Mas como cicatrizes na alma, o dano sofrido por acreditar em mitos também é permanente.

-->

47 comentários:

Lívia Pereira disse...

Faz 5 meses que alguns exames como ASLO, Proteína C reativa e VSH estão alteradas. O único sintoma que sinto é uma dormência (formigamento) dolorido no trapézio do lado esquerdo, que vem aumentando a quantidade de vezes por dia.Antes era mais frequente pela manhã, agora não tem horário.
Abril: ASLO = 467 UI/ml
PCR = 9,47 mg/l
VSH = 33 mm

Julho: ASLO = 580,9 UI/ml
PCR = 8,43 mg/l
VSH = 25 mm

Setembro: ASLO = 598,2 UI/ml
PCR = 11,45 mg/l
VSH = 26 mm

o que pode ser isso???
meu médico não me falou em nenhum diagnóstico ainda.
já pesquisei tanta coisa e ainda não imagino o que seja. Gostaria de receber um esclarecimento.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Lívia: Poderia lhe apresentar algumas idéias sobre o que pode ser isso, mas sem fazer um exame clínico, seria especulação sem valor. O que posso lhe dizer é que alterações em ASLO não têm valor para o diagnóstico de "dormência dolorida no trapézio". É o que se chama de "epifenômeno". A elevação de ASLO indica apenas que você tem anticorpos contra uma bactéria chamada estreptococo, que deve ter lhe causado alguma infecção de pele ou de garganta, pelo menos 6 meses antes de abril.Às vezes a infecção foi inaparente, ou seja, não causou manifestações clínicas, o que dificulta a interpretação do teste. Mas o significado é apenas esse: presença de anticorpos contra o estreptococo. E isso não causa dormência dolorida no trapézio.
Proteína C reativa e VHS podem ter alguma importância, mas o dado mais importante para interpretar esses exames é o exame físico do paciente: é o exame do local afetado que dirá se Proteína C reativa e VHS têm importância para o diagnóstico. Podem ter ou não, dependendo do que for encontrado no local.
Infelizmente não posso ajudar mais, mas quero dizer que nem ASLO, nem Proteína C reativa, nem VHS alterados significam que o diagnóstico é "reumatismo". Não é, porque reumatismo não é uma doença nem um diagnóstico. Se lhe disserem isso, sugiro que procure ouvir outra opinião.
Dr. Luiz Claudio

cris disse...

Olá Doutor,

Tenho 28 e a mais ou menos 2 anos tenho tido uns sintomas estranhos, aparecem marcas vermelhas em minhas mãos e pés que cosam muito aponto de fazer calos, já fui em vários médicos e fiz muitos exames, agora estou indo a um arlegologista, que pediu um monte de exames de sangue fezes (3 amostras) e urina. Nó inicio não me preocupava por que apareciam de vez em nunca então pensava que fosse alergia, já tenho milhões delas rsrsrs. Mais estou ficando preocupado com isso.
Agora também estão aparecendo no dedos coisa que antes não acontecia e os dedos ficam inchados (acho que de tanto coçar).
Obrigado pela atenção.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Cris:
Para o diagnóstico correto de manchas na pele, o fundamental é a visualização das manchas quando estão presentes. Muitas coisas causam manchas vermelhas que coçam na pele. Você deve procurar consultar quando as manchas estiverem presentes e prestar atenção para qualquer coisa que possa desencadear o aparecimento: exercícios, alimentos, calor, frio, stress, cosméticos, perfumes, produtos de limpeza, enfim, qualquer coisa. As causas possíveis são incontáveis, incluindo alergias, doenças inflamatórias, problemas da circulação e outros. Somente com informações precisas sobre o aparecimento das manchas e com a sua visualização será possível chegar a um diagnóstico. Não acredito que exames de sangue, urina ou fezes possam ajudar a fazer o dignóstico, embora possam ajudar a excluir algumas causas possíveis. De qualquer forma, se alguém disser que "é reumatismo", não aceite essa explicação pois quem fala isso está apenas chutando, sem saber realmente o que você tem.
Espero que você consiga solucionar o problema e fico ao seu dispor para outros esclarecimentos.

GUILHERME disse...

Estou me tratando com penicilina desde 2006 e todos os exames que faço de 6 em 6 meses o Aslo dá elevado com 600 ou ++++ Gostaria de saber por quanto tempo devo tomar a penicilina? É a vida toda? e durante o tempo da medicação, posso continuar com a minha vida normal, não tenho que tirar algum alimento ou bebida? O meu médico disse que eu não posso tomar nada gelado...confirma? desde já muito obrigado

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Guilherme:
A questão importante para usar penicilina regularmente não é se ASLO dá elevado; isso não tem importância nenhuma, pois mostra apenas as defesas do seu organismo e não a doença que você tem. O que importa é saber se você tem febre reumática e se você está se tratando com um reumatologista. Gostaria que você respondesse a essas questões antes de lhe dar alguma orientação, mas de qualquer forma, não há necessidade de dieta ou de evitar tomar algo gelado durante o tempo de uso das injeções. A repetição de ASLO a cada 6 meses também não é necessária.

Anônimo disse...

Doutor, tudo começou quando as minhas pernas incharam e eu fui me consultar e o médico pediu o exame e deu Aslo elevado, daí em diante comecei a injetar penicilina a cada 30 dias, até que chegou um momento em que eu tive uma febre muito forte onde inflamou a garganta por 3 ou 4 dias, então o médico mandou injetar 5 penicilas a cada 3 dias, isso foi em junho deste ano...passado um mês fiz o exame novamente e deu elevado de novo, fiz novamente as 5 de 3 em 3 dias.....fiz o exame novamente e deu mais uma vez e agora o médico mandou novamente as 5.
ass. Guilherme

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Guilherme:
É lamentável ler esse relato que você faz, mas infelizmente você está sendo vítima da ignorância médica, para não dizer de picaretagem. Só posso sugerir que você pare de repetir o exame e de usar as injeções e consulte um reumatologista para ser melhor orientado.
Mas cuidado!
Reumatologista é o médico que possui o título de especialista em Reumatologia registrado no Conselho Regional de Medicina. Você pode encontrar no site do Conselho Regional de Medicina do seu estado a relação dos reumatologistas registrados. Digo isso porque alguns médicos que não são especialistas usam artifícios variados para se anunciar como reumatologista. O mais comum é dizer que é sócio da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Embora para a população leiga isso possa parecer sem importância, a verdade é que qualquer um pode ser sócio da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Para isso, basta pagar pela filiação, pois eles aceitam não especialistas como sócios.
Os verdadeiros reumatologistas são os que estão registrados como tal no Conselho Regional de Medicina, pois o Conselho exige a apresentação do título de especialista para o registro.

Pedro José Machado e Silva disse...

Dr Luiz Cláudio da Siva,
Foi um achado seu artigo.
Minha filha foi a um ortopedista, que lhe solicitou uma batelada de exames (que a mãe não soube precisar) de sangue. Embora seja leigo, não senti segurança e saí pesquisando pois no momento estou isolado. Trabalho em regime de confinamento.
Consultei o sítio da CREMERJ mas não consegui achar nenhuma facilidade para identificar os reumatologistas.
Um outro aspecto, lembre-se que sou leigo, é se a "febre reumática", vem acompanhada de aumento de temperatura corpórea.
Consegui com a mãe, que não aceitasse nenhum tratamento a base de pelicilina e que assim que retornar a civilização levaria a criança a um especialista.
Outrossim, quais as recomendações para tratar a síndrome de hipermobilidade.
Na verdade, meu medo maior é que minha filha esteja simulando as dores, pois ela cabulou diversas aulas de educação física e está correndo o risco de perder o ano.
O medo pelas conseqüências de seu ato pode tê-la levado a uma defesa não recomendável, embora compreensível.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Pedro:
Febre reumática é uma doença que evolui em "surtos de atividade". Um surto de atividade acontece 2 a 3 semanas após uma infecção de garganta causada por estreptococo. Passado o surto, a pessoa volta ao normal. Ou seja, ninguém tem febre reumática o tempo todo; entre os surtos de atividade, a pessoa não tem sintomas.
Um surto de atividade é caracterizado por febre, mal-estar e dor nas articulações, que começam agudamente, ou seja, um dia a pessoa está bem, no dia seguinte está doente - e muito doente. Depois vem a artrite: articulações inchadas, quentes, vermelhas e muito dolorosas. Isso mostra que febre reumática não é só dor no corpo ou só dor nas articulações.
A finalidade da penicilina na febre reumática não é tratar a doença; o tratamento é feito com antiinflamatórios. A penicilina é usada, em primeiro lugar, para prevenir a infecção pelo estreptococo, o que se consegue com uma injeção a cada 21 dias. Se a infecção não acontecer, não acontecerá um surto de atividade. Por outro lado, se acontecer uma infecção por estreptococo e a pessoa for suscetível a ter febre reumática, a doença pode aparecer. Se aparecer, supondo-se que os estreptococos ainda possam estar presentes na garganta, uma injeção de penicilina benzatina é usada para eliminá-los. São os estreptococos que servem de estímulo para o organismo produzir os anticorpos que, por uma reação estranha, em vez de atacar as bactérias, atacam células do próprio organismo, causando a febre reumática.

Sobre a síndrome de hipermobilidade, gosto de dizer que "não é uma doença, é uma constituição corporal que predispõe à dor". 10% da população têm alguma forma de hipermobilidade, mas a maioria dessas pessoas não sabe que tem. Toda articulação hipermóvel pode doer, mas algumas não doem. O aparecimento da dor depende de vários fatores, como o grau de hipermobilidade da articulação, a força da musculatura em volta dela e o esforço a que é submetida. Fatores psíquicos como estresse e depressão também podem influenciar a ocorrência da dor.
O tratamento é baseado em educação sobre o problema e em exercícios para melhorar a força muscular e o condicionamento físico. O uso de analgésicos ou antiinflamatórios pode ser necessário. Em casos extremos, tratamento cirúrgico pode ser necessário para algumas articulações.
Pessoas hipermóveis que se exercitam podem desenvolver boa tolerância à dor, aprendendo a conviver com o problema. Elas ainda podem sentir dor, mas sabendo o que é, entendem melhor o que está acontecendo. Por isso a educação sobre o assunto é essencial.
A "doença" só aparece quando a pessoa, sem saber que tem hipermobilidade, é iatrogenizada com diagnósticos falsos como "reumatismo" ou "reumatismo no sangue", inventados a partir de resultados alterados em exames de sangue. Isso gera um comportamento sem sentido de procurar a "cura", que consome anos e anos da vida da pessoa.

O site do CREMERJ realmente não lista os médicos por especialidades. Mas você pode entrar em contato com o CREMERJ através do link FALE CONOSCO, que aparece na página inicial do site, e solicitar a relação de reumatologistas registrados.
Boa sorte.

Anônimo disse...

OI DOUTOR ESTOU MAIS UMA VEZ FALANDO COM O SENHOR, MEU NOME É GUILHERME PISSETTE PIAZZA, EU POSTEI NOS SEU BLOG HÁ ALGUNS MESES. ME CONSULTEI COM UM REUMATOLOGISTA DE VERDADE, E ELE ME FALORU PARA PARAR DE TOMAR INJEÇOES DE PENICILINA E DE FAZER O EXAME DE ASLO POIS ISSO VAI DAR SEMPRE ALTERADO. AÍ EU TE PERGUNTO, TALVEZ NÃO ESTÃO ATRASANDO UMA DOENÇA QUE EU POSSA TER OU JÁ TENHO? EU NÃO PRECISO MESMO PEGAR PENICILINA? DESDE JÁ MUITO OBRIGADO.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Guilherme:

Apesar de consultar com um reumatologista e de ouvir a orientação para parar de usar as injeções e de repetir o exame, como você disse, vejo que a sua dúvida persiste.
Esse é o resultado da iatrogênese (malefício causado por atos ou orientações médicas) de que você foi vítima.
A pessoa que recebe de um profissional um diagnóstico de que tem alguma doença, mesmo que esse diagnóstico seja inventado, errado e enganoso, tem muito mais probabilidade de acreditar nisso do que de acreditar em outro profissional que afirme que ela não tem doença nenhuma. Não são fatos científicos que influem nisso; é a cultura de cada um. O medo da doença faz com que as pessoas sintam-se mais confortáveis quando uma doença é identificada, mesmo que a identificação seja falsa, do que quando estão na incerteza de haver ou não uma doença.
Infelizmente, orientações científicas não substituem a base cultural de cada um, mas são a melhor maneira de corrigir a iatrogênese.
No seu caso, somente posso dizer que usar as injeções não irão atrasar, mascarar ou impedir alguma doença que você tenha ou possa vir a ter. Elas somente poderão evitar que você adquira infecção por estreptococo, o que tem pouca importância para quem não tem doença autoimune desencadeada por essa bactéria. No seu caso particular, conforme a orientação dada pelo reumatologista consultado, as injeções e a repetição do exame são inúteis.
Só vale a pena continuar usando injeções de penicilina periodicamente quando isso é feito para prevenir doenças autoimunes desencadeadas por estreptococo, o que não é o seu caso.
Sugiro a leitura de "PARA QUE SERVE O EXAME ASLO", de fevereiro de 2009, e "TRATANDO ASLO", a ser postado brevemente no blog.

gleice disse...

Tomo a penicilina hpa 7 meses e meu aslo não abaixa é de 700 pra cima.Pelos exames que fiz a minha cardiologista disse que tenho febre reumática.Queria saber por quanto tempo terei que tomar a penicilina??e posso fazer tudo normalmente sem restriçõs.desde já agradeço a atençaõ


gleice......

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Gleice:
Para responder suas perguntas preciso saber a sua idade e qual foi o resultado dos exames do coração. Você tem alguma lesão nas válvulas do coração?
A cardiopatia reumática, ou seja, o comprometimento do coração pela febre reumática é que determina a duração do tratamento profilático com penicilina e as restrições à atividade física.
Se você tiver um ecocardiograma, passe-me o resultado por e-mail que poderei orientá-la.

gleice disse...

olha tenho 18 anos e tenho prolapso na valvula de mitral.

bigadu pela atenção

gleice

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Bem, essa é uma questão complexa.
Em primeiro lugar, prolapso de válvula mitral é uma condição para a qual há um exame diagnóstico, que é o ecocardiograma. Se aparecer no ecocardiograma, a pessoa tem prolapso de válvula mitral e não se discute mais.
Em segundo lugar, a maioria das pessoas que tem prolapso de válvula mitral, tem apenas o prolapso, ou seja, um movimento anormal de uma parte normal da válvula (a parte da válvula que se movimenta é o folheto). A válvula em si também é normal. Nesses casos, o prolapso é um achado isolado, geralmente de pouca importância clínica, mas que pode causar complicações.
Em terceiro lugar, ter prolapso de válvula mitral não significa ter febre reumática. A maioria das pessoas que tem prolapso não tem febre reumática.
A complexidade começa a aparecer quando se discute se febre reumática causa prolapso de válvula mitral.
Cardite é o nome do envolvimento do coração na febre reumática.
Em pessoas que têm cardite por febre reumática, e têm lesões da válvula mitral por causa da cardite, o achado do prolapso está bem documentado. Nesses casos, o prolapso foi achado depois da cardite e a válvula já não é mais normal, ou seja, o prolapso ainda é um movimento anormal do folheto, mas nesse caso de um folheto lesado pela cardite.
Em pessoas com febre reumática sem cardite, ou seja, com a válvula mitral normal, os autores tendem a acreditar que, se houver prolapso, não é devido a febre reumática e nesses casos seria apenas uma associação ao acaso de duas doenças.
O problema é que, ao contrário do prolapso, não existe um exame que seja diagnóstico de febre reumática como é o ecocardiograma para o prolapso da mitral. ASLO aumentado não significa febre reumática.
Uma solicitação de ASLO para pacientes com prolapso isolado poderia levar alguém pouco criterioso a diagnosticar febre reumática baseado apenas na associação de prolapso da mitral com ASLO elevado.
Para mim, a associação de prolapso da mitral isolado com ASLO aumentado não é diagnóstico de febre reumática. Mas para ter certeza de que o prolapso é isolado, é preciso examinar a pessoa doente.
No seu caso, somente a cardiologista poderia esclarecer a situação. Converse com ela e apresente suas dúvidas. Tenho certeza de que lhe dará a orientação correta.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Isailton:
Não irei publicar o seu comentário porque não entendi a maioria dos fatos que você narrou. Você é brasileiro?
Se quiser, envie-me novamente suas dúvidas para o e-mail lclaudiosilva@gmail.com que terei prazer em respondê-las.

ito erierf disse...

ola dr. tudo bem, olha gostaria muito que o senhor analizace a minha sintuação,olha primeira mente vai desculpando a ortografia, pois nao tenho quase estudo,emfim,navegando pela a internete encontrei o senhor. Olha eu a muitos anos sofro com dores no corpo,principalmente nas costas,as vezes incham o joelho,tornozelos e cotovelos é muita dor. fiquei a sombrado com sua colocaçao em relaçao a reumatismo no sangue, pois fui em um reumatologista e ele mim falou que tenho esta doença, (reumatismo no sangue) mim diagnosticou bezetacil a cada 15 dias e tomar azulfin500mg tres vezes ao dia e mim proibiu de tomar coisas geladas e nao fazer serviços ou execicios blucos ou pesado, estou tambem ficando um pouco encurvado(cancudo) ele disse que e por causa do reumatismo. dr. pelo o amor de deus o que é que eu tenho? mim responda pois ele ensiste em dizer que e rematismo no sangue. olha nao sei se o senhor vai enteder mas estas sao os resultados dos exames de sangue, encima disso o que o senho acha:
*alfa 1 glico proteina acida 82mg/dl
*determinaçao do antigenio hla-b27: presentes-----metados pcr-rem cadeia polimerase val. ref. AUSENTE
alamina aminotransferase(alt,tgp):16u/l
*creatinofosfoquinase ck-nac:72,0u/l
*pesquisa de proteina c reativa: 6mg/l
*fator reumatode: 8ui/ml
*dosagem de trigliceridios:136mg/dl
*aspartato aminotransferase(ast,tgo):15u/l
*contagem de plaquetas:254 mil/mm3
*hemossedimentaçao 1a. hora:25mm
*dosagem de colesterol 138mh/dl
*colesterol-hdl :33mg/dl
*exame de urina:
volume-45 .densidade-1.015
cor-amar citrino .aspecto-lípido
odor-sui-generes .deposito-nulo
exame quimico:
proteina-ausente .glicose-ausente
segmentos biliares-ausente .nitrito-negativo
hemoglobina-ausente .acetona-ausente
urobiligenio-normal
microscopia do sedimento:
leucocitos-3 p/ campo
hemacias- ausente
cilindros-ausentes
celulas epiteliais- raras
bacterias- algumas
crstais-ausentes
dr. estao deste geitos nas folhas dos desultado, serar que encima disto e dos meus sitomas o senho pode mim dizer o que é, porque o reumatologista aqui ensiste em dizer que é reumatismo no sangue. desde ja muito obrigado, ha sim e os medicamentos que estou tomando sao corretos?

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Ito:
Não me surpreende você ter ouvido de um reumatologista que tem "reumatismo no sangue". Muitos profissionais ainda se utilizam dessa maneira antiquada de explicar uma doença. Mas, ao afirmar que você tem "reumatismo no sangue", o médico não está transmitindo a informação correta sobre o seu diagnóstico. Na verdade, ao não dizer o nome da doença, está escondendo o diagnóstico. "Reumatismo no sangue" não é doença, portanto não é um diagnóstico. Esse é o problema de comunicação causado pela crença em "reumatismo". E não é só a população que acredita nisso; muitos médicos também acreditam nesse mito e repetem essa explicação, como você mesmo ouviu.
Entretanto, se você tem uma doença, essa doença tem um nome e esse nome não é "reumatismo no sangue". Se você não sabe o nome da doença, então você não sabe qual é a doença que tem e está sendo enganado com "reumatismo no sangue".
Infelizmente, pelas informações que você deu e pelos resultados dos exames, que estão normais, não é possível fazer um diagnóstico. O HLA B27 reagente é um marcador genético que pode ser importante ou não para o diagnóstico. Mas esse resultado não é anormal. Significa somente que você tem uma determinada característica genética, como ter o sangue do tipo O, por exemplo. Algumas pessoas são tipo O e outras tipo A, outras tipo B e outras tipo AB. De forma semelhante, algumas pessoas são HLAB27, outras HLAB26, etc. Algumas doenças estão associadas com o HLA B27, mas a maioria das pessoas com esse marcador genético não tem doença nenhuma. Portanto, HLA B27 reagente não é doença. É preciso examinar a pessoa doente para saber se esse exame é importante para o diagnóstico.
Você deveria perguntar ao médico qual é o nome da doença que você tem. Se ele insistir com a história de "reumatismo no sangue", a solução mais simples é ouvir outra opinião. Para isso, sugiro que procure um reumatologista em um hospital universitário, onde a chance de ouvir esse tipo de bobagem é menor, embora ainda assim possa acontecer.
É para tentar evitar situações como a que você está passando que criei este blog.

Anônimo disse...

Caro Dr. Luiz Claudio.
Em primeiro lugar quero parabenizá-lo pelo espaço criado neste blog, pela oportunidade de nós leigos tirarmos dúvidas, e sermos esclarecidos sobre este tema tão vasto que é a Reumatologia.
Fico feliz por existir um médico que não tem medo de ser sincero, mesmo que muitos colegas seus não aprovem sua postura. O senhor parece aqueles médicos a moda antiga, que realmente tinham o objetivo de diagnosticar o mais corretamente possível, sem preguiça de raciocinar, de pesquisar, enfim de se empenhar pelo paciente que está depositanto toda sua confiança em deixar a sua maior riqueza ( seu corpo) nas mãos do médico.
Por experiência própria tenho observado o quanto os médicos não gostam mais de fazer exames físicos, seja por preguiça, por pressa ou negligência mesmo. Tem uns que mal olham para os pacientes, o que dirá examinar.
Estou tenho um problema de saúde que não sei o que é, pois até ler o seu Blog imaginava ser algum tipo de reumatismo, mas agora fiquei confusa, pois se reumatismo não é doença, gostaria que me explicasse o que é reumatismo e porque a especialidade tem o nome de Reumatologia?
Minha história é longa, mas para resumir, estou tenho dores ´há anos, e elas pioraram muito. Antes eram mais dores musculares, agora , de uns 3 anos para cá, as dores ósseas começaram e especialmente neste anos aumentaram. Tenho sintomas de olho seco, as vezes melhora, minha saliva julgo normal, vagina bem seca, cansaço, muiiiiiiiiiiiiito cansaço, que me impossibilita de levar uma vida normal ( não trabalho a anos). Estado febril (37,5) as vezes, mais no final da tarde. Enrrigecimento matinal insuportável, dá a impressão que estou cimentada. O sono não descansa, ao contrário acordo cada dia mais cansada que na noite anterior. Tenho tido inchaço nas mãos e nos tornozelos, mas não fica quente, nem vermelho. Tenho dor nos joelhos, no fêmur, no quadril, nas mãos, nos ombros, na cervical, mas elas passeam, cada dia em um lugar. Meu diagnostico por anos foi Fibromialgia, mas nesse tempo eu só tinha dores musculares. Agora já fui em uns 4 Reumatologistas, e fico intrigada ao ver o semblante de dúvida e as vezes parece até pouco caso em descobrir o que realmente eu tenho.
Estou ficando sem energia para me tratar, eu não quiz acreditar no diagnostico de Síndrome de Sjogren, pq os tais FAN e etc como vc mesmo disse não parecem ser conclusivos. Fiquei com medo de tomar um tiro de canhão (Metrotrexate, Cloroquina, etc) sem conhecer o alvo.
Sei que sem me examinar é difícil me ajudar, mas será que vc poderia me esclarecer mais sobre os sintomas que tenho em relação a possibilidade da SS?
Obrigada
Observação: tenho 45 anos, nunca fui operada, nem tive antes disso problemas sérios de saúde.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Anônima:

Os sintomas que você relatou configuram uma situação clínica confusa e de difícil solução, bem conhecida na literatura médica, envolvendo os diagnósticos de fibromialgia, síndrome da fadiga crônica e síndrome de Sjogren. Já se sabe que essas doenças compartilham dos mesmos sintomas e que a diferenciação entre elas às vezes é difícil.
Para tentar explicar, vou abordar primeiro a secura dos olhos, da boca (mesmo quando você diz que não sente) e da vagina, conjunto que caracteriza o que se define como síndrome seca.
Síndrome seca, ou secura dos olhos e da boca (e, na mulher, da vagina), existe em muitas situações, podendo ser causada por medicamentos, por fatores ambientais (ar condicionado, ar seco) e por doenças; entre as doenças, fibromialgia, síndrome da fadiga crônica e síndrome de Sjogren. Além disso, fibromialgia, síndrome da fadiga crônica e síndrome de Sjogren também causam dor no corpo, dor muscular, dor nos ossos e cansaço. Portanto, a questão fundamental nessa situação seria diferenciar uma coisa da outra.
Como síndrome de Sjogren é uma doença autoimune, poderia parecer que o mais simples seria procurar evidência de autoimunidade. De fato, o primeiro passo no diagnóstico da síndrome de Sjogren é pesquisar FAN e fator reumatóide. Mas o signficado desses exames não é "se estão positivos é síndrome de Sjogren". O significado é "se estão negativos não é síndrome de Sjogren". Isso porque tanto pacientes com fibromialgia quanto com síndrome da fadiga crônica podem apresentar FAN e fator reumatóide positivos, complicando a avaliação.
No seu caso, a investigação deve ser feita no sentido de excluir ou confirmar a síndrome de Sjogren, partindo da evidência de autoimunidade gerada por FAN e fator reumatóide positivos. Se forem positivos, o passo seguinte requer a avaliação de um reumatologista para definir quais os exames adicionais necessários e pode incluir a solicitação de exames de imagem das parótidas e também alguma biópsia de glândulas salivares.
Completada a investigação, é quase sempre possível confirmar ou excluir a síndrome de Sjogren.
Se for síndrome de Sjogren, o tratamento dependerá dos sintomas. O uso de imunossupressores só estará indicado se houver manifestações inflamatórias como artrite ou vasculite, ou envolvimento de órgãos importantes como rins, fígado, pulmões ou cérebro.
Apesar dessa aparente objetividade para o diagnóstico e tratamento, o fato é que alguns pacientes com síndrome seca ficam nesse terreno nebuloso em que alguma evidência de autoimunidade (FAN ou fator reumatóide positivos) não se acompanha de sinais de complicações da síndrome de Sjogren. Esses pacientes geralmente recebem um diagnóstico de fibromialgia ou de síndrome da fadiga crônica e, pela evidência de autoimunidade, podemos dizer que apresentam um risco maior de desenvolver alguma doença autoimune no futuro.
É uma situação realmente confusa e, em situações como essa, não é boa política ficar mudando de médico, esperando que alguém vá descobrir algo que a ciência ainda não descobriu. É melhor escolher um médico com quem se tenha um bom relacionamento para manter o tratamento e fazer as reavaliações periódicas que essa situação requer.
Um esclarecimento sobre a dor da fibromialgia. Fibromialgia causa dor generalizada crônica, o que significa que a dor pode ser sentida em qualquer lugar do corpo. Não são apenas dores musculares. Fibromialgia causa dores nos músculos, nos ossos, nas articulações, nas costas, nos braços, nas pernas, nos dentes, nos olhos, na cabeça, onde você imaginar. Pode-se sentir dor em todos os locais ao mesmo tempo mas também podem haver momentos com predomínio de dores musculares, outros com dores ósseas e outros com dores articulares. Fibromialgia pode começar só com dores musculares e evoluir com dores ósseas e dores articulares. Causa rigidez, fadiga e sensação de inchaço nas mãos. A síndrome da fadiga crônica pode causar os mesmos sintomas, mas o mais característico nessa doença é o cansaço fora do comum.
Converse com o seu reumatologista sobre isso e não desanime. Seja fibromialgia, síndrome da fadiga crônica ou síndrome de Sjogren o que você tem, cada uma delas pode ser tratada e melhorada.
Boa sorte.

P.S. Sobre a sua dúvida a respeito de o que é reumatismo e porque existe uma especialidade chamada reumatologia, preparei o artigo SE REUMATISMO NÃO É UMA DOENÇA, POR QUE EXISTE UMA ESPECIALIDADE CHAMADA REUMATOLOGIA? tratando apenas disso e postarei na página principal do blog, hoje ou amanhã.

Anônimo disse...

Dr. Luiz Claudio,
Agradeço muito por ter me respondido prontamente. Sei o quanto será difícil o meu diagnostico e fico triste por ver que a Reumatologia ainda gatinha perto de outras especialidades que conseguiram evoluir em termos de diagnosticos precisos. Sei que não é culpa dos médicos, nem da ciência, mas porque justamente esta área da medicina encontra-se tão atrasada e confusa.
Quando eu não tinha esses problemas de saúde, apenas ouvia falar de casos de pessoas conhecidas, ficava com dó, mas não tinha idéia do que era ter dores, cansaço extremo, mal estar, dor de cabeça, dor nas plantas do pé, principalmente ao levantar e quando fico muito tempo sentada. Não me conformo de ter que passar por um tratamento sem saber exatamente o que eu tenho, ou seja, terei um diagnostico por exclusão, será que isto é justo com o paciente?
Tantos diagnosticos para câncer estão sendo descobertos hoje tão precocente hoje em dia, pq a Reumatologia não evolui a passos mais rápidos?
De que adianta existir o FAN, que eu já fiz até no Fleury de São Paulo, se não vou chegar a um diagnostico preciso??
Desculpe o meu desabafo, mas agora sinto na pele o que é ter uma doença da área de Reumatologia e entendo pq os médicos englobam todas essas doenças no têrmo reumatismo, pois se a maioria dos exames não conseguem dar certeza de nada, nada mais coerente que dar um nome só a todas elas ( LES, SS, AR, ESP, etc...)
Gostei muito do seu último artigo respondendo a minha dúvida sobre o nome dado a esta especialidade. Gosto de ler tudo o que escreve portanto gostaria que escrevesse sobre a verdadeira importância do FAN e do exame do Proteina C reativa, pois foram os únicos até agora que deram positivos, e já faz 4 anos que venho fazendos vários testes.
Só para ilustrar, deixo aqui os resultados:
Proteina C reativa: 13,10 mg/L
Valor de referência do laboratório: < 11,00 mg/L

FAN: Resultado reagente apenas para Núcleo e Placa metafácia.
Padrão: Pontilhado Fino Denso 1/640.
Observação: no ano passado era de 1/320, portanto está aumentado.
Meu nome é Ana, mas não sei postar com o nome por isso saiu anônimo.
Agradeço muito a sua atenção.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Ana:
Quero agradecer pelos comentários inspiradores que você fez e pela espontaneidade do seu desabafo, que me levou a escrever o artigo "O DESABAFO DE ANA", que publicarei na página principal do blog.
Aguarde para breve o artigo sobre Proteína C reativa, mas de antemão quero dizer que os valores que você citou (13, para o normal de 11) têm pouco significado num quadro clínico como o seu - ou seja, não ajudam no diagnóstico. A flutuação nos títulos do FAN é comum e pouco significa para o diagnóstico, assim como se tivesse passado de 640 para 320. Lembre-se de que FAN positivo é apenas um fator de risco para o desenvolvimento de doenças autoimunes, mas isoladamente não significa a presença de nenhuma delas, como você lerá no artigo. É o quadro clínico apresentado pelo doente - os sintomas e todas as outras alterações de exame físico e laboratoriais que possam estar presentes - que dirão se uma doença autoimune está presente.
A grande dificuldade no seu caso, pelo que você narrou, é que as manifestações que você apresenta são o que classificamos como inespecíficas: estão presentes em muitas doenças e não servem para diferenciar umas das outras.
Se você me dissesse que teve ou tem artrite, por exemplo, eu lhe diria que o seu diagnóstico é Sjogren, analisando a artrite em conjunto com o que você já contou sobre a sua doença e o FAN positivo. Nessa situação, artrite é uma manifestação específica para autoimunidade, mas só pode ser diagnosticada ao exame físico.
Na ausência de artrite, fibromialgia ou síndrome da fadiga crônica são mais prováveis.
Não desanime e conte comigo para mais esclarecimentos, se desejar.

Anônimo disse...

Tenho 56 anos e o meu fator reumatoide deu 10 mg.
Por favor Dr., gostaria de saber se eu tenho reumatismo ou não.
Me ajude estou meio preocupada pois cuido de meu esposo acamado.
Portanto tenho que estar em forma!

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Fique tranquila. A senhora não tem "reumatismo".
Fator reumatóide de 10, de 100, de 1000, de 10000 ou de qualquer valor não significa "reumatismo".
Para mais informações, leia PARA QUE SERVE O EXAME FATOR REUMATÓIDE.

Silvana disse...

Olá Dr,primeiramente gostaria de parabenizá-lo pela competencia e pelo interesse de responder várias dúvidas de pacientes que assim como eu ficam apreensivo depois de um exame alterado.

Tenho 44 anos e estou sentindo muita dores nas articulações, mãos, punhos, cotovelos e joelho...
Fiz um exame e o resultado foi
VHS 1 hr- 28 mm3/h
2 hr- 59 mm3/h

Cálcio - 9,9 mg/dl

Latex - 11,0

PCR - 12,00

FAN - Não reagente em todos:
NUCLEO, NUCLEOLO, CITOPLASMA, APARELHO MITÓTICO E PLACA METAFÁSICA CROMOSOMICA.

Sei que para VHS e PCR deu bem alterados , e estou bem preocupada com isso, se o Sr puder me ajudar agradeço.

Silvana

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Silvana:

Não serão os exames de sangue que esclarecerão a causa das suas dores. O mais importante é você ser examinada por um reumatologista para ver se há alguma alteração nas articulações que doem. Se houver, será essa alteração detectada ao exame físico das articulações que explicará a causa das dores. Os exames poderão ser úteis ou não, dependendo do que estiver presente.
Por exemplo, VHS de 28 na 1a hora, em mulher de 44 anos, eu considero normal. O valor de 2a hora não tem utilidade clínica e nem deveria ser informado.
PCR de 12 pode ser importante, se a referência for 0,5. Se a referência do laboratório for 6, o aumento é pequeno e pode não ter importância. Se a referência for 0,5 a importância vai depender dos achados presentes ao exame das articulações, por isso o exame físico é mais importante.
Nos exames de laboratório que você apresentou não vejo motivo para preocupação, mas, para recebeer a orientação mais adequada sobre as dores, você deve consultar um reumatologista que possa examinar suas articulações.

kraylli disse...

Fazem dois anos que estou tratando de osteoartrose com minha reumatologista, e meus exames no início eram FAN 1/120, depois 1/240 e agora 1/640 - nucleo e placa metafássica reagente, padrão pontilhado grosso, com complement C3 209, VHS 50 , neutrofilos de 12792, segmentados 12480. sinto muitas dores no corpo, nos ombros, pernas e mãos, e minhas juntas das mãos estão aumentadas. Acho estranho o diagnostico de osteoartrose e os médicos do inss não aceitam meu pedido de auxilio doença por não julgarem que tenho problema. O que o doutor acha? Será que estou tratando a doença certa? Uso composto de cloroquina, ranitidina, ibuprofeno e tenoxican

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Kraylli:

Não irei responder às suas perguntas pelos motivos citados nas ORIENTACÕES PARA POSTAR COMENTÁRIOS NO BLOG.
Se quiser saber a minha opinião, você terá que enviar suas dúvidas por e-mail.

Daniela disse...

Olá Dr. Luiz, adorei conhecer seu blog, pois é muito esclarecedor, Parabéns!

O meu caso não é muito diferente de alguns casos que vi por aqui,mas como tenho andando muito preocupada, gostaria de ver uma opinião específica para meu caso.

Sempre tive problemas na garganta, até que há uns 3 anos, comecei a ter episódios de amigdalites de repetição, tinha 1 a cada três meses, e depois foram encurtando os espaços, até que comecei a ter 3 a 4 em um mesmo mês e por vezes acompanhada de febre. Sempre me tratei com otorrino e ele sempre passando antibióticos cada vez mais fortes e por fim passou uma suposta vacina,o que me deixou mais ou menos 1 ano tendo pouquíssimas vezes. Até que as inflamações voltaram com força total e em outubro do ano passado, tive uma crise fortíssima com febre extremamente alta, e 2 semanas depois disso comecei a sentir dores intensas em meu joelho que depois de um período de horas passava.. 2 dias depois acordei com fortes dores na ATM, depois dores nos ombros e na tíbia, era uma dor migratória, dói em um lugar, depois passar pra outro, em forma de pontadas,marteladas ou agulhadas; e após 1 semana, senti dores intensas nos joelhos, fêmur, quadril, algumas vértebras,ombro, cotovelos e punhos. Neste mesmo dia fui a um ortopedista e ele sem me examinar, riu de mim dizendo que isso era impossível,mas eu pedi que passasse algum exame e ele passou de sangue, e no resultado veio alteração de ASLO(superior a 600), de protéina C e de VSH. Ele prontamente disse que eu estava com reumatismo e me encaminhou a uma reumatologista que tb disse que eu estava com reumatismo e que deveria me cuidar pra não ter problemas de coração. Não confiei no resultado e procurei uma nova médica que disse que tenho Febre reumática e passou as injeções de benzetacil. A grande questão é: nada melhorou, continuo sentindo muitas dores... tem dias que minhas pernas e braços doem demais, e muitas vezes estão muito inchadas (as pernas). A única coisa que melhorou foram os episódios de amigdalites,que nunca mais tive como eram,ás vezes sinto um leve incomodo,mas nada demais,mas coincide de aumentar as dores no corpo.

Doutor,por favor me dê algum tipo de orientação,estou muito preocupada, principalmente pelo que se ouve por aí...

Gostaria de saber se pelos sintomas, é realmente com reumatologista que deveria estar me tratando ou com outra especialidade..

Desde já, muito OBRIGADA!

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Daniela:
Pelo que você contou, acredito que, para entender o seu problema, seja necessário separar as amigdalites de repetição que você tinha, das dores que ainda tem nos braços e pernas, que parecem ser coisas diferentes.
As injeções de penicilina são um tratamento eficaz para a prevenção das amigdalites de repetição e, dessa forma, tratam e previnem as amigdalites em quem tem e em quem não tem febre reumática. Mas não são tratamento para dor no corpo. Isso de receitar injeções de penicilina para "tratar" dor no corpo é a parte do mito que a ignorância médica preserva. Muitas pessoas com dor no corpo e ASLO aumentado são tratadas de "reumatismo no sangue" por causa disso, mas às vezes também podem ser diagnosticadas com febre reumática com o mesmo quadro clínico. Essa é uma situação que somente um reumatologista que possa examiná-la pode esclarecer.
Como você não teve mais amigdalites e continua tendo dores no corpo, provavelmente as dores que sente são outra coisa e nada têm a ver com as amigdalites, exceto o fato de piorarem quando acontece um episódio, o que é perfeitamente natural - amigdalite causa dor no corpo. Mas dor no corpo fora dos episódios de amigdalite tem outra causa e não é febre reumática.

Mileni disse...

Olá, tenho 21 anos e sinto dores nos pulsos e cotovelos, fiz um exame de sangue que ainda não mostrei para o médico.
Como gostei do esclarecimento passado pelo seu blog, peço a gentileza, se possível, de fazer a sua leiura dos resultados.
ASLO <200 Ul/ml
Fator Reumatóide (látex) <20 Ul/ml
PCR 0,93 mg/dl

Agradeço, desde já!

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Mileni:

Os resultados estão normais e não explicam a causa das dores que você sente. É mais provável que a explicação esteja no exame das articulações doloridas.

DEUSA NOGUEIRA disse...

Bom dia Drº
LI SEUS ARTIGOS, E FIQUEI PERPLEXA, POIS FUI DIAGNOSTICADA ERRONIAMENTE POR "REUMANTISMO NO SANGUE", AGORA QUE SEI QUE NAO EXISTE, QUERO QUE O SENHOR TIRE MINHA DUVIDA, O Q PODE ACONTECER COM MINHA SAUDE E MEU CORPO APOS TOMAR INJEÇÕES DE BEZENTACIL SEM ESTAR DOENTE. POIS ESSE REMEDIO É MUITO FORTE, TOMAVA INJEÇÕES DE 21 EM 21 DIAS..

AGRADEÇO

DEUSA

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Deusa:
Não há risco para a saúde de alguém que não seja alérgico à penicilina por usar injeções desse medicamento a cada 21 dias.
O risco que existe ao "tratar" o que não existe é usar medicamentos sem necessidade e contribuir para o aparecimento de estreptococos resistentes à penicilina. Felizmente, mesmo após tantos anos de abuso com o uso desnecessário dessas injeções para "tratar reumatismo no sangue", ainda não surgiram formas de estreptococo resistentes à penicilina. Isso não significa que não possam surgir e, se isso acontecer, a febre reumática se tornará um problema de saüde pública muito mais grave do que é hoje. Injeções de penicilina a cada 21 dias deveriam ser usadas unicamente para a profilaxia da febre reumática e de outras complicações autoimunes desencadeadas por infecções estreptocócicas, como glomerulonefrite, artrite reativa e eritema nodoso pós-estreptocócico.

gisele disse...

oi Doutor tudo bem, olha eu quando tinha 12 anos de idade meu joelho deu uma dor muito forte que eu não conseguia nem andar..fui ao médico e ele disse q eu tinha reumatismo, tomei muitos anos bezetacil..mais sinceramente eu parei de tomar pq eu não aguentava de tanta q doia essa injeçao...depois q fiz 20 anos procurei outro médico ele disse q não era reumatismo, o meu só da o aslo tipo 800 ja chegou a quase mil...agora doutor depois de um bom tempo eu não sentia mais nada...agora começou de novo ando sentindo muita dor nos joelhos e doi minhas veias, tou aqui tc parece q até minhas juntas estão doendo...queria muito a sua opinião por favor...eu sou muito nervosa...tem hora eu tenho medo de eu não andar mais nuss so penso essas bobeiras...hj eu tou com 25 anos...doutor eu tenho dificuldade de engorda sera q isso o aslo tem alguma coisa a ver?...abraços gisele.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Gisele:
ASLO nada tem a ver com isso.
Consulte um reumatologista para identificar a causa das suas dores.

Manoellacs disse...

Olá... já faz bastante tempo que tenho dores nos ombros.. mas eu sentia quando fazia algum esforço... nas ultimas semanas, sem fazer nenhum esforço tenho sentido dores muito fortes, mas nao só nos ombros. sinto em todas as articulações: ombros, cotovelos, pulsos, joelhos e tornozelos. fui ao hospital hj, pois nao estou mais suportando a dor. o medico suspeitou de reumatismo, me receitou FLOTAC, e pediu que eu procurasse um clinico geral no posto de saude para pegar uma requisição de exame, para investigar o reumatismo. Não consegui marcar clinico, o posto esta sem! agora nao sei que exame fazer para investigar este tal 'reumatismo'... Você pode me ajudar? que exame de sangue é esse que devo fazer?

Manoella Cardoso

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Manoellacs:
Quando um médico diz que "suspeita de reumatismo", na verdade ele estå dizendo que não sabe o que a pessoa tem. "Reumatismo" não é porque "reumatismo" não é uma doença, é apenas um mito popular. Não existem "exames para investigar o reumatismo".
Se você tem dor nas articulações, você precisa consultar um reumatologista. O reumatologista é o especialista no diagnóstico e no tratamento das doenças que causam dor nas articulações. De acordo com o que você sente e do que apresentar ao exame físico, o reumatologista suspeitará de alguma doença como causa dos sintomas e pedirá os exames de acordo com a suspeita que tiver.
Não existem exames que possam ser solicitados para qualquer pessoa para esclarecer a causa das dores nas articulações. Os exames devem ser solicitados para o esclarecimento de uma suspeita clínica e "reumatismo" não é uma suspeita clínica, é uma invenção usada por quem não sabe o que suspeitar nem como investigar.
Não vá pelo caminho que foi indicado. Em vez de consultar um clínico geral, consulte um reumatologista.

sandra disse...

Ola Dr., tenho um filho de 12 anos que fez alguns exames e só deu aslo alterado, o médico receitou peniciliana 1200 de 21/21 dias, tirei dúvida com outro profissional pediatra e me disse que meu filho não tem reumatismo e não precisa dessa medicação, e agora não sei o que fazer?

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Sandra:
Seu filho não tem "reumatismo" porque "reumatismo" não é uma doença, é apenas um mito popular.
Se ele não tem sintomas, receitar injeções de penicilina porque o ASLO deu aumentado é o que chamo no blog de TRATANDO ASLO. Leia nos artigos sobre TRATANDO ASLO os depoimentos de várias pessoas que passaram por essa situação para entender que ASLO aumentado não é doença e não precisa ser "tratado".

Kamilla Costa disse...

olá, Dr. Luiz Claudio fui diagnosticada com "reumatismo de sangue",isso aos 13 anos de idade, e fui medicada com benzetacil por 18 meses, em cada mês uma sequencia de 7 injeção, os sintomas era: inflamação na garganta, dores nos ossos, isso acontecia quando o clima estava frio.
Porem ao ler seu blog me assustei, não imaginava que reumatismo é um mito, mas também acredito que seja mito, pois todo esse tratamento não me ajudou em nada, e as explicações medicas eram um tanto vagas.Hoje com 23 anos, ainda tenho os mesmo sintomas, fui ao medico do SUS e ele me pediu pra fazer um exame para ver se ainda tenho reumatismo de sangue, e agora estou insegura porque moro no interior do TO, e foram 4 médicos diferentes que me diágosticaram com "reumatismo", não sei o que fazer, não tenho muita opção para procurar outro médico pois a maioria q atende particular trabalham no SUS e também acreditam no reumatismo. Queria sua ajuda para tentar contradizer-los na hora da consulta e tentar decobrir o que realmente tenho , e para fazer um medicamento que me ajude e não me prejudique, eles associam a inflamação de garganta e as dores nos ossos( como vc disse:podem ser dores musculares) e agora estão aparecendo algumas aftas, diagnostico deles: reumatimo de sangue.
E para voçê Dr. o que poderia ser esses sintomas?

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Kamila:
Infelizmente ainda acontece muito de médicos usarem "reumatismo no sangue" para explicar dores no corpo pois a Reumatologia, como especialidade responsável pelo esclarecimento do assunto, nada esclarece quando fala sobre o tema e não denuncia claramente os problemas de comunicação relacionados com essa crença, preferindo ignorar situações como a que você está vivendo.
Através do blog tento preencher a falta de explicações a respeito da estúpida comunicação baseada em "reumatismo" que é endêmica nesse país, mas reconheço que é difícil divulgar conhecimento científico quando a maioria ainda acredita e defende o mito.
Quando algum médico lhe falar em "reumatismo no sangue", o que você pode fazer é perguntar diretamente: Qual é o nome da doença que o doutor está chamando de "reumatismo no sangue"?
Isso mostrará ao profissional que você tem noção do que está falando e forçará a que seja dito o nome da doença. Sabendo qual é a doença, você poderá procurar informações sobre ela.
Entretanto, pode acontecer de que um profissional totalmente ignorante ou mal intencionado ainda assim diga que o nome da doença é "reumatismo no sangue" - esse é um caso perdido e nada do que alguém assim disser deve ser levado em consideração.
Lembre-se de que seu problema são dores no corpo e esse sintoma deve ser consultado com um reumatologista. Se não houver um na sua cidade, procure em um centro maior

Lívia Tulli disse...

Olá Dr. Luiz.
Gostaria de elogiar o blog, o senhor ajuda a esclarecer muita gente. Parabéns.
O meu caso é o seguinte: ao fazer exames de sangue solicitados em uma consulta de rotina com o cardiologista obtive como resultado PCR 11,2 mg/dl; creatino fosfoquinase (CK) 217 u/l; VHS 50mm. Outros resultados como CK-MB, TGO, TGP, colesterol apresentaram valores normais. Fiz também um ecocardiograma que apresentou resultados normais.
Não sinto dores, procuro me alimentar corretamente e pratico atividade física. Tenho 30 anos. Tenho uma viida corrida, trabalho e estudo. Tenho pouco tempo para o descanço.
Fiquei um pouco assustada porque tive febre reumática quando criança e me lembro das dores, não quero que aquilo volte.
Gostaria, por favor, de um esclarecimento referente a elevação dos valores de CK, VHS e PCR, já que não tenho sintomas.
Obrigada
Lívia

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Lívia:
Em casos específicos, ou seja, de uma pessoa em particular, a elevação dos exames só pode ser esclarecida pelos sintomas que apresenta ou por achados do exame físico.
Informações gerais sobre a utilidade desses exames podem ser encontrados nos artigos sobre VHS e PCR.
CK é uma enzima usada para diagnosticar doenças musculares mas pequenas elevações como a sua não são indicativas de doença pois podem ser vistas em pessoas normais após algum esforço físico.
Sugiro que aguarde os esclarecimentos do cardiologista sobre os resultados.

Kitty disse...

Caro Doutor,
Hoje é o décimo quinto dia de uma dor excruciante na região lombar, que está (muito mal) controlada à custa de tramal 100 retard, 6/6h. A lógica me fez procurar um ortopedista, que após vários exames, constatou cisto de tarlov através de ressonância, mas entendeu que não poderia ser a causa dessa dor medonha. E me encaminhou a um reumatologista.
Tenho 48 anos, pra mim reumatismo, reumatologia, era coisa de velho. Comentei o encaminhamento com uma irmã mais velha, que soltou: "você teve reumatismo no sangue quando era pequena"... Conversando com ela, peguei detalhes do tal do meu "reumatismo no sangue", e de fato me lembro de, por volta dos 4 ou 5 anos, ter ficado muito doente, com muita dor, e manchas vermelhas pelo corpo, mas minhas lembranças pararam nisso.
E fui à cata de saber que raio é reumatismo no sangue, chegando ao seu blog, pelo qual o parabenizo, dada a excelência do seu conteúdo, redigido ainda de forma que é inteligível ao cidadão comum.
Ainda estou lendo os artigos, mas presumo, pelo quanto já li, que tive a tal da febre reumática (mas não fiz tratamento com benzetacil por sei lá quanto tempo, como muitos reportam), e estou cá me perguntando as consequências daquilo ao longo da minha vida, quanto das dores que atribuí a estresse e movimento repetitivo em digitação ou postura incorreta de leitura (sou advogada), ou a tantas outras causas inocentes, não seriam retorno da tal febre...
Tenho consulta marcada com o reumatologista no próximo dia 22, quando deverei já ter em mãos o resultado da cintilografia e de exames de sangue solicitados pelo ortopedista "adiantando" o trabalho de investigação do reumatologista, numa postura rara ultimamente no campo da medicina, e pela qual sou grata ao ortopedista.
Venho de uma família simples, nasci e cresci numa cidade minúscula e sem muitos recursos, e apesar de ter formação superior, ainda tinha conceitos absurdos quanto a reumatismo e o papel do reumatologista.
Agradeço imensamente a existência de pessoas como o Doutor, que buscam esclarecer e desmistificar estultices arraigadas, e torço para que o reumatologista a quem fui encaminhada possa me ajudar.
Muito obrigada.
Rosane Michels

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Rosane:
Agradeço pelo depoimento e pelo incentivo. Desejo sinceramente que você encontre alívio e esclarecimento para suas dúvidas.