domingo, 12 de outubro de 2008

CÂNCER E REUMATISMO - A DIFERENÇA ENTRE TERMO POPULAR E MITO

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com.br/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

Muitos dos que toleram o mito reumatismo o fazem porque acreditam que "reumatismo" é penas uma palavra, um termo ou uma expressão popular.

Como é noção corrente de que as pessoas cultas devem entender os termos populares, sem exigir do povo um nível sofisticado de comunicação, os que defendem o uso da palavra reumatismo na comunicação entre médicos e pacientes argumentam que é tolice tentar mudar a concepção milenar por trás dessa expressão popular.
Mas a verdade não é essa.

Câncer é um exemplo de termo popular, mas "reumatismo" não é. "Reumatismo" é apenas um mito popular, o que é bem diferente.

O significado médico da palavra câncer é neoplasia maligna.
Neoplasia é qualquer crescimento anormal de células do corpo.
As neoplasias podem ser benignas e malignas.
Uma neoplasia é dita maligna quando apresenta uma característica laboratorial típica: uma célula com alterações nucleares, capaz de se dividir desordenadamente. Na Patologia, esse tipo de célula é chamada de célula maligna.
O comportamento da célula maligna é incontrolável. Enquanto estiver viva, ela irá se multiplicar indefinidamente, aumentando de número de tal forma que competirá por nutrientes com as células normais da pessoa em que se encontra. E, se não for destruída, vencerá sempre, levando à morte.
Toda neoplasia maligna tem essas células e todas elas podem ser reconhecidas em laboratório. Todas as doenças em que há células malignas são câncer.
Câncer é a palavra, termo ou expressão popular para neoplasia maligna.
Há vários tipos de câncer, ou de neoplasias malignas, classificados de acordo com o órgão do corpo em que aparece ou com o tipo de célula que se torna maligna. Mas todos os tipos de câncer têm em comum a presença da célula maligna, com a característica biológica de se reproduzir indefinidamente, até levar à morte a pessoa que a possui.
O tratamento do câncer destina-se a remover as células malignas do corpo (pela cirurgia) ou, quando isso não é possível, matá-las através de radio ou quimioterapia.
Felizmente, nos dias atuais, a maioria dos cânceres pode ser tratada com sucesso, algo impensável apenas trinta anos atrás.

E de "reumatismo", o que dizer?

"Reumatismo" não é uma doença da célula, como se houvesse uma "célula reumática" capaz de produzir o "reumatismo". Não, isso não existe.
Tampouco existe uma característica química peculiar a "reumatismo", uma substância que, quando presente, defina a doença. Tal substância simplesmente não existe.
Também não existe uma infecção típica, seja por bactérias ou vírus, que permita identificar algo como "reumatismo".
Não existe uma alteração metabólica no corpo que possa ser culpada pelo que se conhece como "reumatismo".
Não existe uma característica especial da inflamação que permita dizer que alguma doença inflamatória é "reumatismo" e outra não.

Pela ausência de alterações biológicas características, "reumatismo" não pode ser reconhecido em laboratório, portanto não é uma doença.
É isso o que define a diferença entre a expressão popular - câncer, uma doença que pode ser identificada no laboratório pela presença da célula maligna - e o mito - "reumatismo", uma palavra que traduz a crença popular, e infelizmente também a de muitos médicos, a respeito das doenças que causam dor nas articulações, nos ossos, nos músculos e na coluna.
Essas doenças podem ser identificadas em laboratório, mas dizer que são "reumatismo" é apenas uma crença sem fundamento científico e sem utilidade prática.

Mas mesmo assim, muitos insistem em dizer que algumas doenças infecciosas, neoplásicas, inflamatórias, auto-imunes, traumáticas, metabólicas, degenerativas, hereditárias e até mesmo psíquicas são "reumatismo".
Essa visão criou a pseudociência dos "tipos de reumatismo", que solicita exames "para ver se é reumatismo" ou "para ver qual é o tipo de reumatismo", uma linguagem mitológica que se aproveita das crenças populares sobre o assunto e permite que os charlatães que a utilizam passem facilmente por especialistas, enganando as pessoas.
É lamentável ver esse tipo de linguagem ser defendido em campanhas oficiais destinadas ao esclarecimento do público.

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2 comentários:

mara disse...

fiz exames algun tempo atras(eu tinha 25 anos ) que constataran proteina reativa c ,repeti alguns exames tds os meses e sempre davam alguma coisa que a minha medica dizia ser nao so um mas 5 tipos de reumatismo ,fiz alguns tratamentos ,injeçoes ,corticoides e outros mas eu inchava muito ,meu peso normal varia de 73 a 75 k ,nessa epoca eu pesava 85 depois que abandonei o tratamento voltei ao meu peso normal ,hj com 41 anos tornei a fazer a tal de proteina reativa c de novo e o medico afirma ser reumatismo ,nao quero passar de novo por tudo aquilo de novo ,quais seriam os exames adicionais que preciso fazer pra ver oque ta acontecendo ja que o senhor diz que reumatismo e um mito ?

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Mara:

Você precisa consultar um reumatologista. A história do doente e o exame físico são essenciais para entender o significado das alterações nos exames de laboratório. Não existe nenhuma alteração de exame de laboratório que signifique "reumatismo" porque "reumatismo" não é uma doença, não é um processo biológico causador de doença, é apenas um mito popular.
Depois de examiná-la, o reumatologista poderá entender o que os idiotas estão falando e, se tiver boa vontade, explicar a você o significado científico do exame.
5 "tipos de reumatismo"?? Que absurdo! Essa é uma forma de debochar não só das pessoas doentes mas também da ciência e revela um profissional que abandonou o conhecimento para praticar curandeirismo.