domingo, 7 de junho de 2009

VOCÊ ACREDITA EM "REUMATISMO NO SANGUE"?

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

Contém o capítulo especial

ASLO, FEBRE REUMÁTICA E A INVENÇÃO DO

"REUMATISMO NO SANGUE"

http://drluizclaudio.blogspot.com.br/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

O leitor Sérgio postou o seguinte comentário no artigo REUMATISMO NO SANGUE, PICARETAGEM E DEBOCHE.

sergio disse...
Gostaria de saber sobre reumatismo no sangue pois minha sogr foi diagnosticada com isso e o medico disse que não tem alteração nem nos exames de ossos e nem de nervos ele disse a ela que é reumatismo no sangue mais pelo que já vi não existe, as mão dela incham e ficam dormente, o que pode ser, pois estou preocupado e nenhum médico sabe o que fala.
3 de Junho de 2009 19:45


Sérgio:
Não existe uma doença cujo nome seja "reumatismo no sangue", portanto não é isso o que a sua sogra tem.

Quando um profissional usa a expressão "reumatismo no sangue" para explicar uma doença, pode estar acontecendo uma dessas alternativas:

1) Ele sabe qual é a doença que ela tem, mas em vez de dizer o nome da doença prefere usar a expressão "reumatismo no sangue" por achar que a pessoa não tem condições de entender o verdadeiro nome da doença. Entretanto, na minha opinião, o que ninguém entende é justamente a expressão "reumatismo no sangue".

2) Ele não sabe qual a doença que ela tem, e em vez de dizer que não sabe, chuta a expressão "reumatismo no sangue" para esconder a própria ignorância. Isso é apenas uma forma de picaretagem.

O problema é saber em qual das situações ela se encontra e a maneira mais simples é perguntar ao profissional o que ele quer dizer com "reumatismo no sangue", ou seja, a qual doença ele está se referindo. Isso inicialmente deve criar alguma dificuldade de compreensão, pois quem usa a expressão "reumatismo no sangue" nunca espera ser questionado sobre isso.
Não desista e pergunte diretamente:
- Qual é o nome da doença que está chamando de "reumatismo no sangue"?

Uma resposta pode ser "não sei o nome da doença, mas sei que é "reumatismo no sangue" porque deu no exame de sangue - e então ele mostrará algum resultado alterado de exame.

Pois bem, qualquer que seja o exame que ele mostrar, não significará "reumatismo no sangue", pois não existe nenhum exame de sangue que mostre isso.
O que estará acontecendo é que o profissional, não sabendo interpretar o resultado do exame, estará simplesmente inventando que "é reumatismo no sangue".
Nesse caso a melhor solução será procurar outra opinião.
Ao afirmar não saber o nome da doença, os profissionais que falam em "reumatismo no sangue" geralmente dirão para procurar um reumatologista, alegando que o especialista "saberá quais exames pedir para descobrir o "tipo de reumatismo" ".

Consultar um reumatologista era o que deveria ter sido feito desde o início, se a pessoa tivesse dor ou inchaço, evitando a etapa inútil de ouvir bobagens sobre "reumatismo no sangue" e usar injeções de penicilina sem necessidade.

O exame diferente que o reumatologista faz e que explica a maior parte desses casos é o exame... físico. (leia O EXAME MAIS IMPORTANTE EM REUMATOLOGIA).

Não existe nenhum exame de sangue que complemente a insanidade inicial de quem disse que a pessoa tinha "reumatismo no sangue" e encaminhou para ver se alguém descobria o "tipo de reumatismo". Esse tipo de conversa fiada e de enganação está apenas ocultando a verdade bem simples - o profissional não sabe o que a pessoa tem.

Se souber, ele dirá o nome ao ser questionado sobre qual é a doença. Então essa será a doença que ela tem; não será "reumatismo no sangue".
Se você quiser encrencar, pode aproveitar para perguntar "se o nome da doença é esse, por que o senhor disse que é "reumatismo no sangue"?
Talvez ele tente explicar que a doença X é um tipo de "reumatismo no sangue", mas então o assunto já não é mais Medicina porque "reumatismo no sangue" não é um conceito científico, é apenas um mito popular. E misturar a linguagem científica (o nome das doenças) com a linguagem mitológica ("reumatismo no sangue") é uma forma de debochar da inteligência alheia.
Por isso eu evitaria a confusão que poderia surgir ao confrontar o profissional e apenas consultaria outro médico para conferir se ela tem mesmo a doença que foi dito ter.

Ao usar a expressão "reumatismo no sangue" o profissional escolheu um comportamento de risco que abala a confiança necessária ao bom andamento do relacionamento entre o médico e o paciente.
Além disso, colocou-se espontaneamente no mesmo nível dos que não sabem qual é a doença, uma escolha que sinceramente não consigo entender porque alguém com formação acadêmica faz.

O tempo de estudo necessário para um reumatologista entender o significado clínico dos exames FAN, fator reumatóide, ASLO, VHS e proteína C reativa ainda não foi medido, mas não acredito que com menos de 6 horas de estudo alguém consiga dominar qualquer um deles.

Esse aprendizado requer a integração de informações a respeito de cada exame com as informações a respeito de cada doença em que os exames possam ser úteis e é um processo dinâmico que ocorrre durante todos os anos de formação do especialista. Durante esses anos, ele precisará estudar cada um dos exames diversas vezes para integrar as informações recebidas sobre exames e doenças e chegar a dominar o assunto.

Mas quem não passa por esse processo, encontra logo uma solução fácil - dizer que qualquer alteração é "reumatismo no sangue".
Esses espertalhões raciocinam que é perda de tempo tentar entender porque um exame alterado às vezes é útil para o diagnóstico e outras vezes é apenas um falso positivo que não tem importância. Entretanto, o domínio desse tipo de conhecimento é uma das características que diferencia o médico do charlatão.

Nas páginas policiais de vários jornais do país há diversos relatos de malandros que durante anos enganaram até mesmo médicos, trabalhando em clínicas e hospitais, antes de serem descobertos e presos pelo exercício ilegal da Medicina. Esses casos são uma versão moderna do velho ditado "quem tem boca vai a Roma" e ilustram bem o poder da eloquência para enganar tanto leigos quanto formados.
Por isso considero um insulto imperdoável quando alguém chega dizendo ter "reumatismo no sangue".
Mas quem me insulta não é a pessoa à minha frente, que apenas repete o que ouviu de um profissional ou de um charlatão; quem me insulta são os que estimulam e defendem esse tipo de linguagem que favorece apenas os oportunistas e minimiza o esforço de quem dedicou horas ao aprendizado do significado de cada exame.
No fundo, o que está por trás de tudo isso é a defesa do mito "reumatismo", que alguns querem preservar a todo custo.

Além das opções de resposta já analisadas - dizer o nome da doença ou reconhecer que não sabe qual é a doença -, se mesmo após ser perguntado qual é o nome da doença o profissional responder que o nome é "reumatismo no sangue", então corra, salve-se, fuja da picaretagem e faça o que deveria ter feito já na primeira oportunidade: procure outro profissional.

Como se pode ver, em todos os casos sempre será melhor procurar outro profissional. Por isso digo a quem ouvir falar em "reumatismo no sangue" para procurar outra opinião.
O fato de um profissional recorrer à expressão "reumatismo no sangue" para explicar uma doença é mau sinal e, para evitar confusão, nesses casos é melhor simplesmente mudar de médico.

Mas não generalize, Sérgio.
Embora entenda o seu desabafo, quando você diz "nenhum médico sabe o que fala" não faz justiça aos fatos.
De fato, a maior parte dos médicos sabe o que fala e presta bons serviços à população. Entretanto, como em qualquer profissão, também na Medicina há maus profissionais, mas pode ter certeza de que esses são a minoria.

Mãos que incham e ficam dormentes devem sempre ser consultadas com um médico-reumatologista, em primeiro lugar. Tenho certeza de que nenhum reumatologista dirá que isso é "reumatismo no sangue".
Consultando primeiro o reumatologista, você estará poupando tempo e recursos, além de evitar aborrecimentos como os que vem passando.
Depois que a iatrogenia com "reumatismo no sangue" estiver feita, até mesmo para o reumatologista será difícil desfazer os efeitos prejudiciais que esse tipo de desinformação causa.
Por isso pergunto:
- Você acredita em "reumatismo no sangue"?

-->

2 comentários:

Gustavo disse...

Boa tarde a todos,
quando criança fui diagnosticado com reumatismo no sangue e fiquei internado por algumas semanas porque o médico disse aos meus pais que ele estava chegando ao coração. Depois de crescido, já cursando Ciências Biológicas, fiz uma pesquisa na qual, por um acaso, descobri que o tal "reumatismo no sangue" não existia. Indignado com isso, voltei ao consultório do mesmo médico e pedi esclarecimento sobre o assunto. Prontamente o competente profissional me explicou que essa é uma expressão usada para a Febre reumática e que "chegando ao coração" significava que, além da inflamação provocada nas articulações, eu estava com início de inflamação em meu coração (que ocorre em uma grande porcentagem dos portadores de febre reumática). É isso aí, mesmo usando expressões populares, o bom profissional sabe qual é o real problema e não medirá esforços para sanar dúvidas.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Gustavo:

Responderei ao comentário através do artigo FEBRE REUMÁTICA OU "REUMATISMO NO SANGUE"? - PARTE 2 - "REUMATISMO NO SANGUE" OU FEBRE REUMÁTICA? que você pode ler na página principal do blog.