domingo, 19 de julho de 2009

O QUE É ARTRITE?
ou
ARTRITE NÃO É "REUMATISMO"
e
ARTRITE NÃO É "UM TIPO DE REUMATISMO"

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com.br/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

A definição mais simples e exata de artrite é a inflamação de uma articulação.
Sem conhecer a definição mais simples, ninguém será capaz de entender as sutilezas e confusões existentes no assunto, que é bem mais complexo do que a simplicidade da definição sugere.
Por exemplo, artrite é uma doença, mas também pode ser apenas a manifestação de uma doença e, além disso, pode ser apenas uma das manifestações de várias doenças.
É uma doença quando dizemos que qualquer inflamação em qualquer articulação é uma artrite.
É a manifestação de uma doença quando dizemos que uma doença se manifesta exclusivamente através de artrite em alguma articulação.
É apenas uma das manifestações de várias doenças quando dizemos que diversas doenças podem fazer as articulações inflamarem, ou seja, podem se manifestar como artrite, mas além disso provocam também outros sintomas.
Finalmente, para complicar, "artrite" também é parte do nome de várias doenças, como artrite reumatóide, artrite psoriásica, etc.

Os dois conceitos fundamentais para entender o que é artrite são inflamação e articulação.
Existem vários tipos de articulações, mas a que mais importa para entender o conceito de artrite é a articulação sinovial.
Uma articulação é formada pelas extremidades de dois ou mais ossos justapostos.
Na articulação sinovial, as extremidades dos ossos que se articulam são revestidas por cartilagem - a cartilagem articular - e são mantidas no lugar por fibras de tecido conjuntivo chamadas de ligamentos. Elas não se tocam diretamente e estão afastadas o suficiente para permitir a existência de movimento entre os ossos.
A estrutura toda é revestida por uma camada de tecido fibroso muito resistente chamada de cápsula.
O que dá nome à articulação sinovial é a membrana sinovial, que reveste a cápsula por dentro, delimitando o espaço interno da articulação, onde estão as extremidades ósseas revestidas por cartilagem. Esse espaço contém pequena quantidade de líquido, o líquido sinovial, que lubrifica e nutre as estruturas internas da articulação.

Quando uma articulação inflama, ela fica quente, incha, fica vermelha, dói e fica difícil de ser movimentada. Esses são os sinais físicos da inflamação de uma articulação e só podem ser conhecidos pelo médico através do exame direto da articulação inflamada.
O inchaço é devido ao aumento do líquido sinovial no interior da articulação.
A cor vermelha e o calor local são devidos ao aumento da circulação de sangue.
Pelo sangue chegam mais células de defesa, que invadem a articulação e misturam-se no líquido sinovial, contribuindo para o inchaço do local.
O aumento do líquido sinovial aumenta a pressão dentro da articulação e o aumento da pressão causa dor.
As células de defesa que invadem o local liberam substâncias irritantes que também causam dor.
Inchaço, pressão aumentada e dor dificultam os movimentos do local.
Nem sempre todos os sinais físicos de artrite estão presentes. Às vezes, há apenas dor e inchaço; algumas vezes inchaço sem dor, outras vezes dor e dificuldade de movimento sem inchaço, e assim por diante.
A combinação dos cinco sinais físicos da inflamação de uma articulação, cada um deles podendo ter intensidade e localização variáveis, com o grande número de articulações existentes no corpo compõe o difícil cenário em que o médico-reumatologista deve diagnosticar a artrite e as doenças que a causam.
Para diagnosticar artrite é preciso pegar, palpar e movimentar a articulação doente e, de preferência, todas as outras articulações acessíveis ao exame físico, mesmo que não tenham sido apresentadas como doentes.
Não existe nenhum exame de sangue cujo resultado faça o diagnóstico de artrite.

Como artrite é a inflamação de uma articulação, podemos dizer que qualquer articulação inflamada é uma artrite. Assim, podemos ter tantas artrites quantas articulações tivermos no corpo.
Essa visão pela localização constitui o diagnóstico anatômico da artrite.
O diagnóstico anatômico aparece em expressões como "artrite do joelho", "artrite do cotovelo", artrite da coluna", etc.
O diagnóstico anatômico localiza a doença em uma articulação específica do corpo e o conhecimento científico a respeito de quais doenças causam artrite em quais articulações permite ao médico raciocinar em termos de causa.
Identificada uma inflamação em alguma articulação, ou seja, identificada uma artrite, o próximo passo no diagnóstico é descobrir a causa.
A identificação da causa de uma artrite constitui o diagnóstico etiológico.
O ideal seria que todo diagnóstico anatômico de artrite permitisse ao mesmo tempo o diagnóstico etiológico da doença que a está causando, mas o conhecimento científico ainda é limitado nesse aspecto. A maioria das artrites é de causa desconhecida e muitas vezes o único diagnóstico possível é o anatômico.

Um exemplo de diagnóstico anatômico útil para o diagnóstico etiológico é o caso da artrite aguda da articulação da base do hálux (o dedo grande do pé).
Essa articulação - a primeira articulação metatarso-falangeana - é a sede frequente da primeira crise de gota e a observação desse fenômeno em um homem que não machucou o local é suficiente para fazer o diagnóstico dessa doença.
Nesse caso, inicialmente vemos o local da primeira articulação metatarso-falangeana inchado e vermelho; ao examiná-lo, percebemos que está quente e extremamente dolorido.
A partir dessas observações fazemos o diagnóstico anatômico de artrite nessa articulação.
Em seguida, baseados no conhecimento da doença que comumente se manifesta dessa maneira, fazemos o diagnóstico de gota, ou seja, fazemos o diagnóstico etiológico, descobrindo a doença que está causando a artrite.

O conhecimento científico essencial para esse diagnóstico pode ser resumido da seguinte forma:
Gota é a doença em que a elevação do ácido úrico no sangue leva à deposição dessa substância nas articulações, causando crises de artrite.
Por isso, ao ver a artrite da primeira articulação metatarso-falangeana raciocinamos que:
1. é causada pela deposição do ácido úrico na articulação;
2. a deposição na articulação é causada pela elevação do ácido úrico no sangue;
3. a elevação do ácido úrico é causada por defeitos nas enzimas do fígado - que produzem demais - ou do rim - que eliminam menos - o ácido úrico;
4. os defeitos nas enzimas do fígado ou do rim são as verdadeiras causas da doença chamada gota.
Como se pode ver, o diagnóstico etiológico tem vários níveis, pois as alterações enzimáticas nas células levam à elevação do ácido úrico no sangue, que leva à sua precipitação nas articulações, causando a crise de artrite.

Não há nada de misterioso ou mágico nisso. Todo o processo é bem conhecido, já foi reproduzido em laboratório e faz parte do conhecimento científico da gota.
O mesmo é verdadeiro para outras doenças que causam artrite, mesmo quando a causa da doença não é conhecida, como na artrite reumatóide.
Independentemente da causa, os mecanismos que levam ao aparecimento de artrite são conhecidos cientificamente e podem ser controlados com eficácia. Por isso existe tratamento para todas as formas de artrite.
Entretanto, enquanto a população deseja tratamentos capazes de eliminar as doenças definitivamente, na maioria dos casos de artrite os tratamentos disponíveis devem ser contínuos e visam apenas controlar os mecanismos que levam ao aparecimento da doença. Contudo, uma vez que seja controlado o mecanismo que desencadeou a doença, a pessoa doente sempre irá melhorar.
Além disso, a ciência avança a cada dia...
As células de defesa, as substâncias químicas e os fenômenos físicos envolvidos no aparecimento das várias formas de artrites são continuamente pesquisados.
O conhecimento nesse campo aumenta continuamente, trazendo sucessivos progressos.
Mas, apesar de todo o conhecimento científico, alguns insistem em dizer que artrite é "reumatismo", usando para explicar um fenômeno científico uma palavra criada na ignorância do pensamento mitológico.
Essa afirmação é uma crença baseada exclusivamente na crença no mito "reumatismo". Não é conhecimento científico. Não ajuda ninguém em coisa nenhuma. Não explica nada. Não serve para nada.
Outros insistem em dizer que artrite é um tipo de "reumatismo", o que é apenas uma variação da crença anterior, ainda baseada exclusivamente na crença no mito "reumatismo". Mas também não é conhecimento científico, não ajuda ninguém em coisa nenhuma, não explica nada e não serve para nada.
Portanto, artrite é a inflamação de uma articulação, por isso não é "reumatismo" e também por isso não é "um tipo de reumatismo".
Os que insistem na argumentação mitológica são apenas os que defendem a qualquer custo o mito "reumatismo".

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