domingo, 6 de setembro de 2009

SOCORRO!!! MEU ASLO NÃO BAIXA!

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM




Ao ler o título do post, duas coisas devem ficar claras:
1) para saber que o ASLO não baixa, a pessoa deve ter repetido o exame várias vezes;
2) ao repetir o exame e ver que o resultado não baixa, a pessoa se preocupa e sofre.
Como muitas pessoas têm expressado angústia semelhante, independentemente de terem diagnóstico de febre reumática, glomerulonefrite pós-estreptocócica, artrite reativa pós-estreptocócica ou eritema nodoso estreptocócico, doenças autoimunes em que a dosagem de ASLO auxilia no diagnóstico, resolvi tratar especificamente do assunto "ASLO aumentado" para tentar esclarecer quem tem repetido o exame como rotina ou como controle do tratamento de amigdalites de repetição.

Os leitores regulares do blog já devem estar familiarizados com a explicação científica sobre o resultado do exame ASLO (para mais detalhes, leia PARA QUE SERVE O EXAME ASLO), mas para os novos leitores apresentarei um resumo das informações importantes.
ASLO é a sigla de antiestreptolisina O, que é o anticorpo humano contra a estreptolisina O.
Estreptolisina O é uma substância tóxica produzida pela bactéria estreptococo.
Estreptococo é uma bactéria que causa principalmente infecções da pele (impetigo) ou da garganta (amigdalite), mas também pode causar outras infecções. É encontrada em todos os lugares do planeta.
Os princípios da interpretação do exame ASLO são:
1) ASLO aumentado não é doença.
2) Quando o resultado do ASLO aumenta, houve um contato recente com a bactéria;
3) O contato com a bactéria pode causar sintomas mas também pode ser assintomático. Se for assintomático, não há como a pessoa saber que teve contato com a bactéria, exceto pela elevação do ASLO.
4) Após o aumento do ASLO, o organismo leva em média 6 meses para normalizar o resultado, mas somente se não houver nova infecção no período. 6 meses "em média" pode significar 3 meses ou 9 meses ou às vezes mais. A média mostra apenas como o resultado do exame se comporta quando várias pessoas são testadas na população mas, para a interpretação do exame de uma pessoa, só pode ser usada como referência, não como um valor absoluto sempre necessário. Ou seja, a afirmação não significa que 5 meses após a infecção estará aumentado e voltará ao normal 1 mês depois. Pode normalizar em 4 ou levar mais do que 6, mas em média leva 6 meses para normalizar.

A informação mais importante para esclarecer as pessoas que estão repetindo o exame periodicamente é: ASLO AUMENTADO NÃO É DOENÇA.
Se não é doença, por que repetir o exame?
Não há necessidade nenhuma de repetir ASLO, embora essa seja uma conduta adotada por muitos profissionais que, no Brasil, usam o resultado aumentado para justificar os "diagnósticos" de "reumatismo" ou "reumatismo no sangue" ou o diagnóstico de febre reumática, mas ASLO aumentado não significa "reumatismo" nem "reumatismo no sangue" nem febre reumática (se você não sabe a diferença entre "diagnóstico" e diagnóstico, leia MEDICINA BASEADA EM REUMATISMO). A repetição do exame não acrescenta nenhuma informação útil para o diagnóstico de nenhuma doença e não deve ser feita. Repetir o exame só causa preocupação e sofrimento desnecessários.
Vou aproveitar o e-mail da leitora Cristina, de Portugal, que gentilmente autorizou a publicação no blog, para ilustrar essa situação.
Não sei qual é a realidade do assunto em Portugal, mas pelas dúvidas de Cristina, posso concluir que não é diferente da nossa.

Exmo. Senhor,
Tenho lido com muita atenção o seu blogue, tenho seguido quase ponto por ponto tudo o que diz sobre os valores do taso (antiestreptolisina O), gostaria primeiro de lhe dar os Parabéns pela excelente exposição dos assuntos e dizer que finalmente aqui encontrei explicação cuidada e atenta de forma clara e perceptível.
Gostaria agora de lhe expôr o meu caso:
Faço análises com alguma frequência (intervalos de 6 meses) e os valores estão todos mais ou menos dentro dos valores referência, não tenho anemia, nao tenho falta de ferro, não tenho colesterol, Vs normal, pcreactiva normal, o problema chega com o resultado do taso: em Junho de 2008 valores de Taso - 396, em Janeiro de 2009 valores de Taso 600, em Agosto de 2009 valores deTaso 900, ou seja em vez de baixar continua a subir.
A saber, nao tenho amigdalites ha muito tempo, (tive durante anos quase todos os meses)tenho dores de garganta (com uma contante de 2 em 2 meses) começo logo a tomar nimed, eventualmente Klacid, e consegui (pensava eu) controlar.
Tenho também um quisto (pequenino) no pulso esquerdo, mal se nota, mas doi muito.
Se o Taso é uma referencia em como estive ou contrai o estreptococos, deveria baixar, não? Uma vez que nao tenho amigdalites, nem outros sintomas, apenas umas dores de garganta, parece que algo esta lactente em mim, e cada vez que apanho frio, por ex: fico com dor de garganta, tomo anti inflamatorio e passa, uns tempos depois volta. Nao entendo?
Se nao tenho mais sinais porque nao baixa como nas outras pessoas e sobe?
Como me posso tratar, porque quando falei com o médico de familia, ele nem ligou, disse apenas que isso era de alguma vez ter contraido a bacteria e apenas isso, entao porque o valor sobe?
Fiz um esfregaço na garganta (quando nada me doia) deu resultado - normal
Obrigado pela sua Atenção

Cristina

Obs: em Portugal, TASO é a sigla correspondente a ASLO; esfregaço da garganta é um exame para a pesquisa de bactérias diretamente nas amígdalas.

Cristina:
Você não deve repetir ASLO a cada 6 meses. Não há utilidade nisso.
Há duas maneiras de parar de repetir ASLO, uma simples e outra complexa.
A maneira complexa requer o aprendizado de 3 raciocínios:
1) O efeito das crenças no entendimento da realidade e como o entendimento da realidade altera nosso comportamento no dia a dia;
2) A maneira como exames laboratoriais com valor para o diagnóstico e o controle do tratamento de doenças influenciam as crenças populares e fazem as pessoas acreditar em exames sem valor para o diagnóstico e o controle de algum tratamento que estejam fazendo;
3) a maneira como a lógica racional faz com que esperemos determinados resultados de eventos que interpretamos baseados apenas em crenças.
Se aprender esses três raciocínios, acredito que você será convencida da inutilidade de repetir o exame e parará de fazê-lo.
Se achou muito complicado aprender esses raciocínios, a maneira mais simples é apenas acreditar que não é necessário repetir o exame e simplesmente parar de fazê-lo. Embora seja mais simples, essa talvez seja a maneira mais difícil, pois significa mudar de crença e os seres humanos somos obstinadamente resistentes a mudanças de crenças.
Por isso, tentarei explicar os três raciocínios que formam a maneira complexa de parar de repetir o ASLO para que você possa decidir por si mesma o que fazer.

1) O efeito das crenças no entendimento da realidade e como o entendimento da realidade altera nosso comportamento no dia a dia.

Quando acreditamos em algo, a maneira como nos comportamos em relação ao que acreditamos é determinada pela crença.
Por exemplo, durante milênios a humanidade acreditou que a Terra era plana e, por acreditar nisso, ninguém navegava para o ocidente esperando chegar nas terras do oriente.
Mas quando Cristóvão Colombo acreditou que a Terra era redonda, ousou navegar para o ocidente esperando chegar nas terras do oriente. Ou seja, quando a crença mudou, o comportamento de Colombo em relação ao objeto da crença (a forma da Terra) também mudou.
A crença na Terra plana era o resultado dos dogmas religiosos que sempre dominaram o pensamento humano até a época dos descobrimentos. Os dogmas religiosos estavam de acordo com o que ainda é evidente para qualquer pessoa que olhe uma grande extensão de terra até o horizonte: a visão informa que é plana.
Mas as pessoas dotadas de pensamento científico, mesmo cientes dos dogmas religiosos, olhavam para o céu, viam que o sol era redondo, que a lua era redonda e se perguntavam se a Terra também não seria redonda, se a impressão que se tem da Terra ser plana não seria apenas a consequência de ver apenas uma parte do que é redondo, sem saber que de fato está se curvando para baixo na linha do horizonte.

Embora a ciência moderna tenha começado com as descobertas de Galileu Galilei, no final do século XVI, o pensamento científico sempre existiu.
Quando alguém duvida das verdades em que todos acreditam, pensa cientificamente. Acreditar tem a ver com crenças e mitos; duvidar das crenças é o que move a ciência.
O pensamento científico questiona os fatos e, ao questionar, busca os meios de provar que as coisas não são como parecem ser. Para provar algo, usa-se um método - o método científico.
O método científico começa com a dúvida. Quem tem dúvidas, questiona; quem questiona, cria hipóteses para explicar os fatos.
Cientificamente, uma hipótese deve ser testada experimentalmente e o resultado do experimento é que determina se será rejeitada como falsa ou aceita como possível. O teste de hipóteses é a essência do método científico.
O pensamento científico sempre existiu, mas o meio necessário para a sua expressão - o método científico - só começou a ser desenvolvido há cerca de 500 anos.
Na Medicina, o método científico só começou a ser usado há menos de 200 anos e, na Reumatologia, há menos de 100 anos. Talvez por isso ainda abrigue tantas crenças e mitos.

Repetir ASLO está para a medicina do século XXI como a crença na Terra plana estava para a descoberta da América no século XV.
A recomendação para repetir ASLO não tem fundamento científico e só é feita por profissionais desatualizados.
Repetir ASLO periodicamente é um comportamento baseado na crença de que a repetição do exame é útil.


2) A maneira como exames laboratoriais com valor para o diagnóstico e o controle do tratamento de doenças influenciam as crenças populares e fazem as pessoas acreditar em exames sem valor para o diagnóstico e o controle de algum tratamento que estejam fazendo;

A dosagem de glicose no sangue é o exame de diagnóstico e também é o exame mais simples para controle do tratamento do diabete.
Assim, se alguém que não sabe ter diabete apresentar 200mg/dl de glicose em jejum, esse valor isolado permite fazer o diagnóstico de diabete.
Se essa pessoa começar o tratamento com dieta e algum medicamento e, se ao repetir o exame após 1 mês, apresentar 80mg/dl de glicose em jejum, a doença estará controlada e o tratamento poderá ser mantido. Se, por outro lado, após o primeiro mês de tratamento apresentar 180mg/dl de glicose em jejum, esse resultado informa que é preciso aumentar a dose do medicamento que está sendo usado ou associar outro medicamento ao tratamento.
Esses raciocínios são simples e diretos porque tanto o diagnóstico do diabete quanto a resposta da doença ao tratamento são avaliados diretamente pela concentração de glicose no sangue.
Esse exemplo ilustra bem o que se deseja de todo exame de laboratório que sirva para diagnóstico e controle de tratamento mas, infelizmente, o diagnóstico e o controle do tratamento da maioria das doenças não dispõe de exames tão objetivos.
ASLO aumentado não faz diagnóstico e não serve para controle do tratamento de nenhuma doença. Mas, se profissionais de competência duvidosa solicitam o exame ASLO para diagnóstico e controle do tratamento seja lá do que for, a população, que acredita que os exames de laboratório se prestam ao diagnóstico e ao controle do tratamento das doenças, naturalmente também acredita que dosar ASLO é uma maneira de fazer diagnóstico e de controlar alguma doença, aceitando a repetição desnecessária do exame como se alguma utilidade tivesse, por estar sendo solicitado por um profissional que supostamente deva ter autoridade no assunto.

3) A maneira como a lógica racional faz com que esperemos determinados resultados de eventos que interpretamos baseados apenas em crenças.

A pessoa que acredita que repetir ASLO tem utilidade para o diagnóstico e o controle do tratamento de alguma doença e que passa a repetir o exame periodicamente, naturalmente começa a interpretar de maneira lógica os resultados que aparecem.
Assim, se o resultado sobe, ela naturalmente pensa que houve piora e se o resultado baixa, ela naturalmente acha que houve melhora, embora não saiba do quê. Essas conclusões são resultado da aplicação da lógica racional sobre os dados que vão surgindo à medida que o exame é repetido.
Mas o resultado do exame ASLO mede apenas a maneira como o sistema imunológico responde ao contato com a batéria estreptococo. Aumento de ASLO não significa piora e diminuição não significa melhora de nenhuma doença.
O resultado do ASLO aumenta cerca de 2 semanas após o contato com estreptococo, começa a diminuir lentamente em seguida, permanecendo elevado por cerca de 6 meses, em média, após o que tende a se normalizar, se não houver novo contato durante esse período.
Aqui não há lógica racional, apenas uma teoria que explica um fato biológico simples.
Qaundo acreditamos na ciência, aceitamos os fatos como naturais e adaptamo-nos a eles.
Para mim, raciocínios lógicos como os apresentados por Cristina ao perguntar "Se o Taso é uma referencia em como estive ou contrai o estreptococos, deveria baixar, não?" ou "Se nao tenho mais sinais porque nao baixa como nas outras pessoas e sobe?" não precisam ter a resposta que a lógica sugere ser necessária, porque o que determina o que acontecerá a seguir não é a lógica, são os fatos: Se não baixou é porque precisou de mais tempo do que a média para normalizar; se subiu novamente é porque houve novo contato; se não houve sinais do novo contato é porque o contato foi assintomático, etc.

Quando acreditamos na ciência, aceitamos a resposta do sistema imunológico como a mais sábia para a nossa defesa, pois reconhecemos que a natureza "sabe" mais do que o homem. Isaac Newton disse que o que conhecemos é uma gota; o que desconhecemos, um oceano. Hoje, poderíamos dizer que o que conhecemos é um litro, mas o que desconhecemos ainda é um oceano.
A descoberta de novos fatos é que permite a evolução do conhecimento, tornando possível melhorar a explicação da realidade.
Assim, para muitas pessoas a Terra "deixou" de ser plana e "ficou" redonda quando o navegador Fernão de Magalhães deu a volta ao mundo de caravela.
Antes de alguém ver a Terra redonda flutuando no espaço, aceitar que era redonda era a consequência de aceitar os fatos disponíveis e explicá-los da melhor maneira possível.
Mas, mesmo após a viagem de Fernão de Magalhães, muitas pessoas continuaram a acreditar que a Terra era plana, pois o conhecimento da verdade sobre a forma da Terra não chegou até elas. Por outro lado, algumas pessoas que tiveram acesso à nova informação podem ter duvidado da veracidade da descoberta, escolhendo continuar acreditando na Terra plana. Assim, uma informação nova não muda necessariamente um comportamento costumeiro.
Da mesma maneira, quem passou anos repetindo ASLO pode ter dificuldade para aceitar que isso foi inútil. Ao receber a informação correta, pode escolher continuar com o comportamento anterior.
Todo o sofrimento de quem repete ASLO e espera determinado resultado desse comportamento é o resultado de acreditar em algo desnecessário e inútil e querer que a lógica forneça as respostas que procura.
Não repita ASLO - não há utilidade em saber se aumentou ou baixou.
Não repita ASLO - o aumento - ou diminuição - do resultado não serve para controlar nenhuma doença.
Não repita ASLO - ao repetir o exame, você estará apenas renovando o motivo do seu sofrimento.

Se você tem dores de garganta a cada dois meses, esse é o seu problema de saúde. Não é o ASLO aumentado.
Se as dores de garganta forem causadas por estreptococo, o ASLO está se mantendo aumentado por isso. O tratamento que você tem feito com anti-inflamatório e antibiótico está correto.
Se o esfregaço da garganta não mostrou estreptococo, isso não exclui o estreptococo como causador da dor de garganta. As amígdalas são grandes e o esfregaço é obtido de apenas algumas partes do órgão. Não é possível fazer esfregaço de toda a superfície das amígdalas e o estreptococo pode estar justamente onde o esfregaço não foi feito. O esfregaço só tem importância quando for positivo para estreptoco - nesse caso ele confirma que o estreptococo é o causador da infecção. Mas, se for negativo, não exclui que possa ser por estreptococo.
Dor de garganta e amigdalites de repetição são problemas de saúde simples que devem ser tratados com um clínico geral ou com um otorrinolaringologista. Mas, para não causar confusão, o profissional que se disponha a prestar atendimento a essas doenças deve saber quando solicitar e - principalmente - como interpretar o resultado do exame ASLO.
Não há porque gritar SOCORRO quando o resultado do ASLO não baixa. Basta pedir ao médico que não solicite o exame ou, se o profissional insistir na repetição, mudar de médico simplesmente.

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6 comentários:

Tony Madureira disse...

Olá,

Este blog é espectacular!
Parabéns e bem haja!

Um abraço

Roberto disse...

Muito bom esse blog! E ainda nem olhei tudo, mas vou ler. Estou com ASLO aumentado e sentindo dores nas articulaçoes, mas ler isso ajuda bastante a entender o processo como um todo. Pena que vc nao trabalha no Rio...

Flavia disse...

Doutor, lendo vários de seus posts concluo que não devo preocupar-me, pois desde criança tinha diversas crises de garganta com tratamento de antibióticos, e somente com 23 anos, operei amígdalas, pois depois de diversos otorrinos consultados e vários exames para pesquisa de ASLO, resolvemos operar pois segundo a minha atual otorrino, era o foco da infecção. Antigamente costumava-se 'proteger' a retirada das amígdalas, mas no meu caso, não havia mais jeito. Há mais de 10 anos operei e hoje com 33 anos, nunca mais tive crises de garganta (eram seguidas e muitas vezes 2 no mesmo mês!). Após a operação, foi feito o exame e o ASLO tinha baixado bem, contudo, ainda hoje permanece alto. Por acaso, para tratar queda de cabelo, procurei minha dermatologista de anos e nos exames ela incluiu ASLO. E como não poderia deixar de ser, deu mais de 800... Não costumo ir ao médico e queixar-me de dores alguma, nem mesmo manchas na pele de qualquer natureza, mas depois de tanto tempo tendo operado e nunca mais sentir dores de garganta, porque meu organismo continua produzindo defesas para estreptococos? Tenho contato direto e constante então com esta bactéria? Essa insistência do meu organismo em criar estas defesas pode desencadear artrite futura? Menciono artrite porque tenho pré-disposição genética (avó).

Além deste meu caso, gostaria de consultar um problema recente que tive com meu filho de 2 anos. Ele sentia dores no joelho e não conseguia dobrar. Como não fala direito ainda, não conseguia explicar o que era, mas a creche onde fica disse que ele não havia caído ou torcido nada naquele dia. Fomos para uma emergência e diagnosticaram pelo exame de sangue que ele tinha uma infecção. Como sentia dores no joelho, suspeitaram de artrite séptica. Imediatamente internaram ele e fizeram um antibiótico venoso, e no dia seguinte logo pela manhã, fariam uma punção no joelho a procura de pus, e caso fosse encontrado, iriam abrir para realizar uma limpeza. Na tal punção não foi encontrado pus, e não foi necessário abrir o joelho, mas continuamos internados para fazer tratamento de antibiótico venoso por mais 5 dias, e ao final seriam repetidos todos os exames. O líquido encontrado foi enviado para cultura. Ao final dos 5 dias, os exames de sangue foram repetidos e a taxa de leucócitos tinha baixado, e fomos liberados. Sinceramente o alívio foi muito grande, mas hoje analisando o caso, o que aconteceu de fato? O joelho dele estava quente e inchado, bem como seu pé direito, mas com uma noite de antibiótico, no dia seguinte antes da sala de cirurgia, ele dobrava e não reclamava mais de dor. O que pode ter acontecido no caso do meu filho? Hoje, dia 21/07, o exame dele indica:

Leucocitos por mm3 - 15.100
Basófilos 0 0
Eosinófilos 1% - 151mm3
Bastões 3% - 453mm3
Segmentados 53% - 8.003mm3
Linfócitos Típicos 35% - 5.285mm3
Monócitos 8% - 1.208mm3

PCR ULTRA-SENSIVEL: 0,33 mg/dL

Agradeço muito sua atenção.
Abs, Flávia.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Flávia:

A persistência de ASLO elevado não causa artrite futura.
No caso do seu filho, pelo que você contou e pelos resultados dos exames, infelizmente não dá para saber o que ele teve. Mas as limitações da medicina são assim: muitas vezes tratamos doenças apenas pelo quadro clínico, sem de fato saber o que é (muitas doenças podem ter o mesmo quadro clínico).
Na maioria da vezes, essas situações evoluem bem e nunca mais voltam a incomodar. Mesmo assim ficamos sem saber o que de fato aconteceu e, portanto, não podemos dizer se irá acontecer novamente.

Flavia disse...

Obrigada doutor pela resposta. E gostaria de perguntar mais uma coisa relativa ao meu caso (postei no dia 21.07 - Flávia): minha dermatologista falou algo sobre o Baço. Fiquei curiosa a respeito disso, pois sei que o baço produz as defesas (linfócitos) para combater as bactérias. Valeria a pena tentar algum exame nesse sentido? Que especialidade deveria procurar? Obrigada mais uma vez. Flávia.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Flávia:

A avaliação do baço é indicada sempre que há aumento do órgão, o que o deixa palpável ao exame físico. O especialista a ser consultado é o hematologista.