domingo, 15 de novembro de 2009

COMO EVITAR SER ENGANADO COM "REUMATISMO"
PARTE 2
NÃO ACREDITE NA EXPLICAÇÃO "É POR CAUSA DO REUMATISMO"

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com.br/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

Já atendi muitas pessoas que acreditam em dores que aparecem ou que pioram “por causa do reumatismo”.
Como já expliquei em outros artigos do blog, “reumatismo” é um mito popular, não é uma doença, não é um processo de doença, não é um diagnóstico, portanto não pode ser causa de nada.
A explicação “é por causa do reumatismo” é um dos problemas de comunicação que existem com o mito “reumatismo”.
As pessoas que acreditam na explicação “é por causa do reumatismo” pensam que, ao fazer tal afirmação, demonstram saber a causa das dores, mas na verdade estão dizendo que não sabem, porque “reumatismo” nada explica.

Por exemplo, imagine uma pessoa com artrite, com 20 articulações inflamadas e doloridas nas mãos, pulsos, joelhos e pés. Essa pessoa está “cheia de dores” e todas as dores que sente são causadas pela inflamação das articulações comprometidas.
Se a doença que está causando as 20 artrites dessa pessoa for artrite reumatóide, podemos também dizer que a pessoa sente dor por causa da artrite reumatóide.
Assim, por causa da artrite reumatóide, por causa das 20 artrites ou por causa da inflamação das articulações são todas expressões equivalentes, que explicam cientificamente a origem das dores que alguém sentiria, se estivesse na mesma situação.

Alguns profissionais de pensamento antiquado chamam artrite reumatóide de “reumatismo” e por isso costumam explicar às pessoas com artrite reumatóide que as dores que elas sentem são causadas “pelo reumatismo”.
Pelas razões apresentadas em O QUE É ARTRITE REUMATÓIDE ou ARTRITE REUMATÓIDE NÃO É REUMATISMO e ARTRITE REUMATÓIDE NÃO É UM TIPO DE REUMATISMO, não chamo artrite reumatóide de “reumatismo”.
Para evitar os problemas causados pela crença popular no mito “reumatismo”, eu chamo artrite reumatóide de... artrite reumatóide. Sempre.
Portanto, as dores que essas pessoas sentem são causadas somente pela artrite reumatóide, exceto quando outra doença está presente.

Imagine agora que a pessoa que tinha artrite reumatóide com 20 articulações inflamadas, após 6 meses de tratamento, continua “cheia de dores”.
Ao ser examinada, observa-se que não apresenta mais nenhuma articulação inflamada, mostrando que o tratamento para a artrite reumatóide foi eficaz e controlou a doença (a inflamação nas articulações), mas certamente não controlou a dor.
Como se explica isso?

A explicação mitológica é a mais simples e rápida: a dor “é por causa do reumatismo” - dirão prontamente os profissionais que chamam artrite reumatóide de “reumatismo”. Mas isso nada explica.
Por outro lado, os profissionais de raciocínio científico concluiriam que, como a artrite reumatóide foi controlada, a dor que persistiu não era causada pelas artrites e procurariam outra causa para a dor.

O exemplo que apresentei é observado algumas vezes em pessoas com artrite reumatóide que desenvolvem fibromialgia.
Quando artrite reumatóide e fibromialgia coexistem, a persistência da dor após a melhora da artrite reumatóide é devida à fibromialgia.
É importante reconhecer isso porque são duas doenças diferentes, que são tratadas de maneiras diferentes.
O tratamento da artrite reumatóide baseia-se em imunossupressão (uso de medicamentos que diminuem a ação do sistema imunológico, melhorando a inflamação causada pela doença autoimune, mas, ao mesmo tempo, diminuindo as defesas corporais, expondo a pessoa a infecções oportunistas).
No tratamento da artrite reumatóide ou de qualquer outra doença autoimune, o reumatologista deve controlar a imunossupressão em um nível que permita a melhora da doença, mas ao mesmo tempo não exponha a pessoa a complicações infecciosas graves.

O problema que se apresenta na concomitância de artrite reumatóide e fibromialgia é que, se a fibromialgia não for reconhecida como a causa das dores persistentes, alguém pode querer aumentar o tratamento imunossupressor para tratar a doença que já está controlada (artrite reumatóide), o que exporia a pessoa doente a riscos desnecessários de complicações graves.

Mas os profissionais de pensamento antiquado que chamam artrite reumatóide de “reumatismo” também chamam fibromialgia de “reumatismo”. Para eles, que são defensores do mito “reumatismo”, como as duas doenças “são reumatismo”, não é preciso dizer que a pessoa tem artrite reumatóide e fibromialgia; basta dizer que a pessoa “tem reumatismo” e que a dor piora “por causa do reumatismo”.
Entretanto, além dos defensores do mito “reumatismo” - que em geral são reumatologistas apegados às tradições da especialidade - há também os exploradores do mito, que não são reumatologistas, não são capazes de fazer o diagnóstico de artrite reumatóide e fibromialgia, mas que, como expliquei em MEDICINA BASEADA EM REUMATISMO, usam o mito como diagnóstico para enganar as pessoas.

Os exploradores do mito sempre dirão que a doença “é reumatismo” e que as dores pioram “por causa do reumatismo”, mesmo sem saber que a pessoa tem artrite reumatóide e fibromialgia. E oferecerão como tratamento combinações variadas de medicamentos imunossupressores e anti-inflamatórios, sempre acompanhados de algumas inúteis injeções de penicilina.

Para evitar ser enganado dessa forma, não acredite na explicação “é por causa do reumatismo” e, ao ouvi-la, reconheça-a simplesmente como um sinal para procurar outro médico.

Quando resolvi denunciar a linguagem usada pelos praticantes da MEDICINA BASEADA EM REUMATISMO, sabia que minhas palavras atingiriam também os defensores do mito “reumatismo”, que usam o mesmo tipo de linguagem, embora por razões diferentes. Mas para mim está claro que, quando defendem o mito, eles também defendem os exploradores do mito, que deveriam ser persistentemente combatidos.
Por isso, a única maneira de resolver a questão é eliminar de vez o mito da prática médica, o que significa abandonar todas as palavras relacionadas a “reumatismo”, como “reumatologia, reumatologista, reumática, reumatóide”, etc.
Os criadores da especialidade médica REUMATOLOGIA cometeram o erro grosseiro de incorporar um mito popular na nomenclatura médica, adotando postura antagônica ao restante da ciência, que sempre combateu os mitos.
Na primeira metade do século XX, quando muitas das informações de que dispomos atualmente eram desconhecidas, é compreensível que os pioneiros da especialidade se deixassem levar pelo modismo popular ao escolher o nome da especialidade e a nomenclatura das doenças que causam dor nas articulações, nos ossos, nos músculos e na coluna, mas isso não é motivo para perpetuarmos a ignorância que cometeram, principalmente quando entendemos que a nomenclatura que escolheram é a causa da confusão existente sobre o assunto.
Quando usadas por especialistas, na comunicação com a população, as palavras derivadas do mito apenas reforçam a crença popular em “reumatismo”, e quem acredita em “reumatismo” também acredita que as dores pioram “por causa do reumatismo”, acreditando facilmente no que dizem os enganadores e oportunistas.

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