domingo, 6 de dezembro de 2009

COMO O REUMATOLOGISTA ANALISA A DOR MUSCULO-ESQUELÉTICA
PARTE 2 - DOR LOCALIZADA OU DOR DIFUSA?

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com.br/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

Quando atende uma pessoa que se queixa de dor nas articulações, nos ossos, nos músculos ou na coluna, além de verificar se a pessoa tem artrite, o reumatologista deve classificar a dor como localizada ou difusa.
A dor localizada é restrita aos limites de uma região anatômica (joelho, por exemplo). Pode também ser sentida em várias regiões anatômicas ao mesmo tempo (joelhos, ombros e pulsos, por exemplo), mas em cada um dos locais onde é sentida, restringe-se aos limites anatômicos da região envolvida (a dor no joelho não vai além dos limites do joelho, a do ombro restringe-se aos limites do ombro, etc).
A dor difusa espalha-se além dos limites de uma região anatômica, podendo ser sentida em duas ou em várias regiões contíguas (dor no joelho, na coxa, no quadril e nas costas, por exemplo). Pode também ser sentida em um único local (como o membro superior direito, por exemplo), mas no local onde é sentida espalha-se por várias regiões anatômicas (ombro, braço, cotovelo e antebraço, por exemplo).

Diferenciar a dor localizada da difusa é mais importante quando a pessoa não tem artrite.
Se houver artrite, a investigação para as causas de artrite é mais importante, mas, quando a pessoa não tem artrite, a diferenciação dos dois tipos de dor – localizada ou difusa - é ssencial.

Quando a dor é localizada e não há artrite no local dolorido, os exames de imagem (raios-X, ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética) são mais importantes para o diagnóstico do que os exames de sangue, mas ainda assim menos importantes do que o exame físico do local dolorido. Por outro lado, os exames ASLO, FAN e fator reumatóide são inúteis para investigar a dor localizada na ausência de artrite.

Quando a dor é difusa e a pessoa não tem artrite, os exames de sangue são mais importantes para o diagnóstico do que os de imagem, que muitas vezes mostram alterações que nada têm a ver com a causa da dor.
Quando a dor é difusa e a pessoa não tem artrite, os exames ASLO, FAN e fator reumatóide não têm utilidade e não devem ser solicitados. Quaisquer que sejam os resultados, não explicam a causa da dor difusa.

Quando a dor é localizada, a doença geralmente está restrita ao local dolorido; quando a dor é difusa, pode ser sintoma de uma doença sistêmica (que afeta o corpo todo).
Algumas das doenças sistêmicas que causam dor difusa são o hipotiroidismo, a osteomalácia, o hiperparatiroidismo, as infecções crônicas como hepatites virais, hanseníase, tuberculose, etc.
A dor difusa também é um sintoma de depressão, dor miofascial, menopausa e tensão pré-menstrual (TPM).
Um tipo especial de dor difusa, chamada de dor generalizada, é o principal sintoma da fibromialgia e, segundo o conhecimento atual, não há fibromialgia sem dor generalizada. Contudo, todas as situações citadas anteriormente como causadoras de dor difusa podem produzir dor generalizada, por isso a presença de dor generalizada não significa obrigatoriamente a presença de fibromialgia.

A partir do relato da pessoa doente, as considerações teóricas que definem a dor musculo-esquelética como localizada ou difusa e a identificação ou não de artrite ao exame físico são a base do raciocínio diagnóstico feito pelo reumatologista e servem de orientação para os exames que devem ser solicitados a seguir.

Ao contrário do reumatologista, que aborda a queixa de dor de maneira científica, os praticantes da MEDICINA BASEADA EM REUMATISMO ignoram os conceitos técnicos de dor localizada, dor difusa, dor generalizada e artrite.
Para os praticantes da MEDICINA BASEADA EM REUMATISMO, se existe dor, existe “reumatismo”. Sempre.
Por isso eles não precisam pensar sobre as características da dor, pedem sempre os mesmos exames “para ver se é reumatismo” e passam sempre o mesmo “tratamento para reumatismo”.
Tal forma de picaretagem, tão comum em nosso meio, continuará existindo enquanto a população acreditar no mito “reumatismo” como explicação para as doenças que causam qualquer tipo de dor musculo-esquelética.

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