domingo, 13 de dezembro de 2009

DEPRESSÃO E DOR MUSCULO-ESQUELÉTICA CRÔNICA

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM





O tratamento moderno das doenças crônicas enfatiza a educação sobre a doença como uma maneira eficaz de obter adesão e boa resposta ao tratamento.
Aderir a um tratamento significa seguir as orientações gerais fornecidas pelo médico a respeito do diagnóstico e do tratamento, usar os medicamentos da maneira como são prescritos e pelo tempo que for necessário e fazer os controles laboratoriais e clínicos que forem solicitados.
Educar alguém sobre uma doença crônica significa ensinar princípios técnicos sobre o diagnóstico e o tratamento que sejam úteis para o entendimento da doença e da necessidade de manter o tratamento correto.

Quando descobrem ter uma doença crônica, as pessoas reagem de várias maneiras.
Alguém pode ficar repetindo “eu não queria ter essa doença”, uma atitude de negação para com o fato de estar doente; ou pode escolher procurar pelos muitos “milagres” vendidos como solução para várias doenças; também pode recorrer à fé e ao misticismo em busca de um milagre verdadeiro, mas, neste momento da humanidade, os melhores resultados no tratamento das doenças crônicas são obtidos pela medicina científica, que preconiza a educação sobre a doença, o uso contínuo de medicamentos e o acompanhamento de um especialista quando necessário.
A educação sobre a doença deve ser feita com fatos científicos, nunca com mitos. O recurso aos mitos para explicar os fatos não educa; engana.
Além dos mitos, os preconceitos também são prejudiciais ao entendimento das doenças crônicas e talvez o preconceito mais prejudicial seja o que considera a depressão apenas como uma doença mental.
As pessoas que têm esse preconceito recusam-se a aceitar a depressão como uma explicação para o que sentem porque, para eles, os sintomas são problemas físicos que devem ser explicados por alguma coisa errada no local onde ocorrem e não por uma doença mental.
Mas a verdade é que qualquer doença crônica pode predispor uma pessoa a desenvolver depressão e o desenvolvimento de depressão altera a maneira como qualquer doença crônica se manifesta, ou seja, a depressão modifica os sintomas da doença crônica.
Por exemplo, nas doenças que causam dor musculo-esquelética, o aparecimento de depressão aumenta a dor, aumenta o medo da doença e aumenta o sofrimento que a doença causa, mesmo quando a doença se mantém inalterada e não piora. Em situações como essa, quando a depressão é reconhecida e tratada, o medo e o sofrimento diminuem, a dor melhora – sim, a dor melhora com o tratamento da depressão – e o tratamento da doença crônica pode ser redirecionado para as alterações físicas mais importantes.

Por outro lado, ignorar a depressão como modificadora dos sintomas das doenças crônicas apenas por “não querer ter uma doença mental” é uma maneira preconceituosa de recusar uma explicação científica que melhora o resultado do tratamento.
As doenças que causam dor musculo-esquelética muitas vezes levam as pessoas a ficar com depressão, mas a depressão em si causa dor musculo-esquelética, mesmo quando aparece em pessoas sem outras doenças dolorosas.

Um exemplo significativo do preconceito em relação à depressão pode ser visto nas pessoas com depressão que sentem dor musculo-esquelética sem ter nenhuma doença das articulações, dos ossos, dos músculos ou da coluna causando dor.
Pessoas com depressão que não aceitam a dor musculo-esquelética como parte da depressão, geralmente procuram explicações físicas para a dor que sentem e muitas vezes se deparam com o mito “reumatismo” como uma explicação para isso. Mas “reumatismo” não é um diagnóstico que explique coisa alguma, é apenas um mito popular e, porque as pessoas acreditam no mito, aceitam a palavra “reumatismo” como explicação para o que sentem. Na verdade, a dor causada pela depressão é apenas parte da depressão e não significa que quem tenha depressão e sinta dor, também tenha outra doença chamada “reumatismo” causando a dor.
O problema de comunicação que acontece nesses casos é que muitos profissionais usam “reumatismo” como sinônimo de dor musculo-esquelética. Assim, quando alguém se queixa de dor para esses profissionais, eles simplesmente dizem que a pessoa “tem reumatismo”, o que para eles significa apenas que a pessoa “tem dor”.
Mas para as pessoas que acreditam no mito “reumatismo” como sendo uma doença, elas entendem que o que causa a dor é “o reumatismo”, ou seja, a causa da dor, para elas, é a doença que elas acreditam ser “reumatismo”. E acreditam nisso mesmo quando o profissional não fez nenhum diagnóstico, não sabe qual doença a pessoa tem e apenas usou a palavra “reumatismo” como um sinônimo de dor musculo-esquelética.
Além disso, atualmente, a maioria das pessoas que têm doenças que causam dor musculo-esquelética, acreditam que têm “reumatismo” e que sempre é “o reumatismo” que causa as dores. Por isso, quando desenvolvem depressão, recusam-se a aceitar o diagnóstico de depressão como explicação para a piora da dor que sentem.
Os problemas de comunicação gerados pela crença popular em “reumatismo” e pela falta de escrúpulos dos profissionais que exploram essa crença continuam causando sofrimento desnecessário nas pessoas, e continuarão, enquanto a população não entender que cada doença que é conhecida pela ciência tem um nome, que não existe nenhuma doença cujo nome seja “reumatismo” e que, portanto, quando uma doença crônica piora, ou foi a doença que piorou, ou, se não foi, provavelmente foi a depressão que começou e precisa ser tratada adequadamente.
A causa nunca será porque “o reumatismo piorou” (leia COMO EVITAR SER ENGANADO COM "REUMATISMO" - PARTE 2: NÃO ACREDITE NA EXPLICAÇÃO "É POR CAUSA DO REUMATISMO").

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