quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

OBESIDADE E DOR MUSCULO-ESQUELÉTICA

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM





Dor musculo-esquelética crônica é uma complicação comum da obesidade.
Muitas pessoas obesas sofrem com dor crônica nas costas, nos joelhos e nos pés como consequência do peso excessivo e do esforço adicional exigido das articulações e dos músculos.
A maneira como as pessoas obesas reagem à dor musculo-esquelética depende mais de fatores culturais do que da doença que possa estar causando a dor, quando houver alguma doença além da obesidade.
A maioria das pessoas obesas tende a considerar a dor musculo-esquelética como consequência de outra doença. Parece que é mais fácil para elas acreditar que há outra doença causando a dor do que aceitar a dor como consequência da obesidade.
Para aceitar a obesidade como causa da dor, a pessoa tem de reconhecer que a medida mais eficaz no combate à dor é a perda de peso e, como a maioria das pessoas obesas luta sem sucesso contra o aumento progressivo do peso, é fácil entender porque, para elas, aceitar a obesidade como causa da dor tem, na maioria das vezes, o mesmo significado que aceitar a dor como inevitável, o que é muito difícil para qualquer pessoa.
Ao atribuir a causa das dores a alguma doença, as pessoas obesas podem acreditar que obterão alívio através de medicamentos, simplificando o problema que enfrentam e obtendo algum conforto psíquico.
A crença que imagina uma doença como explicação para as dores ao mesmo tempo em que nega o fato de ser obeso como causa tem raízes profundas em questões culturais e sociais, fazendo das pessoas obesas um grupo propenso a ser seduzido por “diagnósticos” falsos como “reumatismo” e “reumatismo no sangue”.

As alterações na forma do corpo determinadas pelo acúmulo de gordura geralmente fazem as pessoas obesas pensar que estão “inchadas”. Por isso, em algum momento, a pessoa gorda não aceita que está gorda, mas acredita que está “inchada”. Negar a doença é um mecanismo de defesa psíquico presente em todas as doenças crônicas.

Ao sentir dores e acreditar que está “inchada”, a pessoa irá procurar atendimento médico para descobrir a causa das dores e do “inchaço”.
O acúmulo de gordura em volta das articulações faz com que o exame físico dos dedos, pulsos, cotovelos, joelhos e tornozelos seja um desafio intelectual mesmo para o reumatologista experiente.
A gordura muda a forma externa das articulações, imitando a forma de uma articulação realmente inchada (mas geralmente não há inchaço articular, apenas gordura depositada em volta da articulação).
Além disso, a palpação da gordura depositada em volta da articulação produz no examinador quase a mesma sensação produzida pela presença de líquido no interior da articulação (a presença de líquido no interior de uma articulação indica derrame articular, que geralmente significa a presença de artrite mas, na obesidade, na maioria das vezes não há artrite ou derrame articular, há apenas gordura sendo palpada).

Quando o reumatologista conclui que a mudança na aparência externa de uma articulação é devida à presença de gordura em volta dela e não à presença de inchaço, como alega a pessoa gorda, ele geralmente conclui que a dor musculo-esquelética é devida aos fatores mecânicos desencadeados pelo peso excessivo.
Entretanto, a conclusão do médico nem sempre convence a pessoa obesa.
Vendo a forma alterada da articulação e acreditando que é devida a inchaço, a pessoa obesa geralmente duvida da conclusão do médico e procura outra explicação, através de uma doença oculta, para o “inchaço” e para as dores que sente.

Tecnicamente, a investigação de doenças é feita através da história do doente, do exame físico e, quando necessário, de exames laboratoriais e de imagem.
Mas, na sociedade iatrogenizada por doenças imaginárias como “reumatismo” e “reumatismo no sangue”, a realização de exames laboratoriais tornou-se a única forma de investigação e, por isso, o “quando necessário” tornou-se “sempre necessário”, revelando assim a crença excessiva no papel do exame de laboratório e a descrença crescente no do médico como diagnosticador de doenças.

Mas esse fenômeno cultural tem consequências...

A dosagem de proteína C reativa é comumente usada na investigação de doenças inflamatórias por profissionais tecnicamente capacitados, mas também é usada pelos oportunistas para justificar o “diagnóstico” falso de “reumatismo” ou de “reumatismo no sangue”. Por isso, as pessoas obesas geralmente são submetidas à dosagem de proteína C reativa, entre outros exames, quando sentem dor e procuram atendimento médico.
Na obesidade, elevações de proteína C reativa podem ocorrer na ausência de doenças inflamatórias musculo-esqueléticas e tais elevações são devidas à própria obesidade. O reumatologista sabe disso e sempre terá cuidado em interpretar a elevação da proteína C reativa como indicativa da presença de alguma doença inflamatória musculo-esquelética e usar esse exame como explicação para a dor musculo-esquelética.

Mas os praticantes da MEDICINA BASEADA EM REUMATISMO não.

Para esses, que não pensam, proteína C reativa elevada sempre significa “reumatismo” ou “reumatismo no sangue” e é isso o que dizem para quem os procura.
Dizendo isso, eles não afirmam que haja outra doença causando dor musculo-esquelética, eles simplesmente dizem que a elevação da proteína C reativa é o próprio “reumatismo” e é ela quem está causando as dores musculo-esqueléticas que as pessoas sentem, o que é absurdo.
Mas a pessoa que acredita em “reumatismo”, ao ouvir tal afirmação, passa a acreditar que há uma doença chamada “reumatismo” causando as dores que ela sente, manifestando-se através da elevação da proteína C reativa.
Essa confusão a respeito do significado do exame só existe porque o mito “reumatismo”, presente na mente da população e explorado economicamente por profissionais despreparados, também é defendido pelas sociedades de especialistas, que afirmam que “reumatismos são mais de cem doenças”.
Não são.
“Reumatismos” não existem porque “reumatismo” é um mito e as doenças que são confundidas com o mito não são todas a mesma coisa, ou seja, não são “reumatismos” ou “tipos de reumatismos”.

Cientificamente, cada doença tem um nome e é por esse nome que ela deve ser conhecida pela população, não por ser “reumatismo” ou “um tipo de reumatismo”.
Para as pessoas obesas que sentem dor musculo-esquelética, entender isso é fundamental.
Ao não aceitar como explicação que as dores que sentem são devidas a “reumatismo”, elas estarão se protegendo dos oportunistas, eliminando os riscos dos tratamentos desnecessários e evitando a omissão de diagnósticos mais comuns – hipotiroidismo, diabete, depressão – que muitas vezes estão por trás das dores musculo-esqueléticas em pessoas obesas.
Por isso, quando sentirem dor musculo-esquelética, as pessoas obesas sempre devem procurar um reumatologista para diagnosticar a causa da dor, lembrando sempre que, muitas vezes, a única causa existente é a própria obesidade e confiando que, se houver outra doença, o reumatologista a identificará.

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