domingo, 14 de março de 2010

MEU REUMATOLOGISTA DISSE QUE ESTOU COM "REUMATISMO"... E AGORA?

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com.br/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

Nada pode deter uma ideia cujo tempo chegou.
Victor Hugo

Nesta semana, o leitor Robson Fabiano postou o seguinte comentário ao artigo PARA QUE SERVE O EXAME VHS:

Dr preciso que me oriente
Fiz por duas vezes esse exame vhs um no ambulatorio emergencial aqui da minha cidade pois não aguentava por os pés no chão e outro agora por um medico reumatologista indicado pelo q me atendeu no ambulatorio os 2 deram auterados junto com o pcr que esta 5 X mais que o minimo e um outro de proteinas q tbem esta alterado so que chegando na sala dele me informou que estou com reumatismo só q não sabia me informar se era no sangue ou nos ossos como isso se li em seu blog q não existe isso o q devo fazer?Ele me pediu mas exames complementares so para comprovar.O medico do ambulatorio me passou um remedio para tomar que tem pura cortizona e um tambem antialergico por 7 dias estou no sexto dia e só meus pés melhoraram minha mão esta inchada ainda e estou com varios calombos pelo corpo q coçam muito tambem o que devo fazer?
10 de março de 2010 19:04




Qualquer pessoa que ouça um profissional que não seja um médico-reumatologista dizer “isso é reumatismo” deve imediatamente consultar um reumatologista. Sempre.
Dita por qualquer outro profissional, a expressão “isso é reumatismo” só tem um significado: “Não sei o que você tem”.
A expressão “isso é reumatismo” não é um diagnóstico, não diz qual doença a pessoa tem, não diz qual mecanismo está causando a doença, ou seja, nada informa; pelo contrário, desinforma.
Por isso, toda pessoa que ouvir essa expressão não deve aceitar nenhum tratamento e deve simplesmente consultar um reumatologista.

Entretanto, o que a pessoa deve fazer quando ouvir essa expressão de um reumatologista?

Em primeiro lugar, consultar o Conselho Regional de Medicina do seu estado para verificar se o médico que diz isso é mesmo um reumatologista.
O recurso de explicar doenças com o mito “reumatismo” é muito usado por médicos que não são especialistas.
No interior do país, principalmente, muitos médicos se anunciam como especialistas porque fizeram um curso ou um estágio ou porque são sócios pagantes da Sociedade Brasileira de Reumatologia. Nenhuma dessas situações torna um médico especialista em Reumatologia.

O verdadeiro reumatologista é o médico que possui o título de especialista em Reumatologia registrado no Conselho Regional de Medicina do estado onde trabalha.

Para aumentar a arrecadação, a Sociedade Brasileira de Reumatologia aceita em seus quadros sócios pagantes que não possuem o título de especialista. Infelizmente, muitos desses profissionais anunciam o fato de serem sócios da Sociedade Brasileira de Reumatologia para confundir a população. As pessoas acreditam inocentemente que, por serem sócios da Sociedade Brasileira de Reumatologia, esses profissionais são reumatologistas, o que não é verdade.

A maioria dos reumatologistas, pelo menos nas capitais, não usa a expressão “isso é reumatismo”, preferindo dizer “isso é uma doença reumatológica”, expressão cujo significado é simplesmente “uma doença que a Reumatologia estuda e trata”, sem dizer precisamente qual é a doença. É que esses especialistas ainda não se deram conta do problema de comunicação criado pelas palavras derivadas de “reumatismo”, como “reumática”, “reumatóide”, “reumatológica”, etc. Quando ditas para a população, tais palavras remetem o pensamento popular de volta ao mito “reumatismo” e, para a população, acabam tendo quase o mesmo significado.
Além disso, alguns especialistas ainda preservam o pensamento antiquado da especialidade, que precedeu o desmascaramento do mito, e acreditam que essa forma de comunicação é útil e esclarece as pessoas sobre as doenças. Eles ainda não se deram conta das mudanças que estão ocorrendo no pensamento popular e, talvez, só reconhecerão o mito quando a palavra que o representa for definitivamente eliminada da ciência, juntamente com todas as outras que com ela se relacionam, como reumatologia, reumatologista, reumática, reumatológica, etc.

Por isso, se ao consultar o Conselho Regional de Medicina, a pessoa descobrir que foi um reumatologista quem lhe disse “isso é reumatismo”, só há uma coisa a fazer: Voltar ao especialista e perguntar qual é a doença que ele diagnosticou e chamou de “reumatismo”.
Se souber, ele dirá o nome da doença.
Qualquer pessoa poderá então comprovar que o nome da doença nunca é “reumatismo”.

Entretanto, o nome da doença pode conter algumas palavras relacionadas com “reumatismo”, como em febre “reumática” ou em artrite “reumatóide”, mas nesses nomes de doenças, “reumática” e “reumatóide” são apenas palavras com função de adjetivo e não significam que as doenças “febre reumática” e “artrite reumatóide” sejam “reumatismo”.

O caso mais confuso é o da expressão “reumatismo palindrômico”, que dá nome a uma doença caracterizada por episódios periódicos de artrite e periartrite.
Na expressão “reumatismo palindrômico”, a palavra “reumatismo” é apenas o substantivo que dá nome à doença “reumatismo palindrômico” e não significa que a doença “reumatismo palindrômico” seja “reumatismo”.
“Reumatismo palindrômico” é apenas o nome dado a uma doença que causa episódios periódicos de artrite e periartrite. Não é o mesmo que "reumatismo".
Por isso, para evitar confusão, muitos reumatologistas preferem chamar essa doença de “artrite palindrômica” ou de “periartrite palindrômica”, eliminando assim qualquer referência ao mito “reumatismo”.

Pelo mesmo motivo, no final do século passado, foi realizado um congresso internacional de Reumatologia pediátrica para mudar o nome da doença “artrite reumatóide juvenil” para “artrite idiopática juvenil”, porque o nome anterior sugeria que a doença juvenil fosse apenas a mesma artrite reumatóide dos adultos afetando crianças. Mas as duas doenças não são iguais.
Na verdade, a artrite idiopática juvenil é uma doença diferente da artrite reumatóide, não apenas porque acontece nas crianças, mas porque geralmente é autolimitada, desaparecendo no final da adolescência, enquanto a artrite reumatóide, seja em adultos ou em crianças, geralmente é uma doença crônica e progressiva.
Ao mudar o nome de “artrite reumatóide juvenil” para “artrite idiopática juvenil”, o congresso de especialistas conseguiu eliminar a confusão com a artrite reumatóide, ao mesmo tempo em que eliminou o mito “reumatismo” da nomenclatura das artrites da infância.
Como se pode ver, a confusão causada pela semelhança entre as palavras usadas na nomenclatura das doenças em Reumatologia faz parte do problema de comunicação criado pelo mito “reumatismo”.

Para a pessoa que está satisfeita com o tratamento que vem recebendo de um reumatologista, mesmo sabendo apenas que “tem reumatismo”, sem saber qual doença tem, é importante reconhecer que, se precisar mudar de médico, o problema de comunicação aparecerá.
Se a pessoa não for capaz de dizer ao novo especialista qual doença tem e disser apenas que “tem reumatismo” ou que “está tratando de reumatismo”, o novo reumatologista não saberá qual é a doença e precisará refazer a investigação para chegar ao diagnóstico, gerando perda de tempo e de recursos.

Para quem não estiver satisfeito com a explicação “isso é reumatismo”, a melhor opção é simplesmente consultar outro reumatologista.

Infelizmente muitos reumatologistas ainda não dão importância à mudança crescente de comportamento popular em relação ao mito “reumatismo”.
De uma época em que todos acreditavam nas explicações baseadas em “reumatismo”, chegamos ao tempo em que as pessoas esclarecidas estão questionando as explicações baseadas no mito. Tal questionamento expõe as contradições e imprecisões existentes na nomenclatura usada em Reumatologia e brevemente forçarão uma mudança de comportamento da especialidade.
Tenho certeza de que o mito “reumatismo”, que sobrevive na mente popular há mais de 2000 anos, não sobreviverá a essa década, porque chegou o tempo da ideia presente na afirmação: “reumatismo é um mito popular”.
Uma vez revelado, o mito torna-se ridículo e poucos têm coragem de continuar defendendo-o.

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