domingo, 13 de junho de 2010

EXAMES OBSOLETOS - PARTE 1
PARA QUE SERVE O EXAME
CÉLULAS LE

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM





Em meados do século XX, a pesquisa de células LE foi o primeiro exame de laboratório desenvolvido para auxiliar no diagnóstico do lupus eritematoso sistêmico, mais precisamente para identificar a presença de anticorpos antinucleares no sangue dos doentes, que é a manifestação imunológica mais frequente no lupus eritematoso sistêmico.
Mesmo sendo um teste tecnicamente trabalhoso, cujos resultados não são muito exatos, a pesquisa de células LE teve o mérito de ser o primeiro método laboratorial disponível para a identificação de anticorpos antinucleares e, na época em que foi descrito, representou um grande avanço no diagnóstico do lupus eritematoso sistêmico e no entendimento dos fenômenos autoimunes.
Atualmente, a pesquisa de anticorpos antinucleares é feita por métodos mais exatos e rápidos, que fornecem resultados mais confiáveis do que os que são obtidos pela pesquisa de células LE.
Em vista do progresso científico que ocorreu nessa área, atualmente a pesquisa de células LE é obsoleta e não deveria mais ser utilizada para fins de diagnóstico clínico.

Embora o nome “células LE” tenha sido escolhido para representar aquelas que foram imaginadas como sendo as “células do lupus eritematoso (LE)”, a infeliz escolha do nome foi apenas mais um dos inúmeros erros de nomenclatura cometidos pelos pioneiros das pesquisas imunológicas que, desejosos de encontrar explicações para os fenômenos complexos que observavam pela primeira vez, escolhiam palavras cujos sentidos davam a impressão de serem as soluções para problemas que ainda estavam muito longe de serem sequer entendidos, quanto mais resolvidos.
O raciocínio era simples: se houvesse uma célula “do” lupus eritematoso, ou seja, uma célula que caracterizasse a doença lupus eritematoso sistêmico, o encontro dessa célula em um exame de laboratório significaria o diagnóstico da doença - tal era a esperança depositada na expressão “células LE”.

Mas tal célula não existe ou, pelo menos ainda não foi descoberta e, se existir, não é o que se encontra na pesquisa de células LE.
Para pesquisar a presença de células LE, cria-se artificialmente um artefato laboratorial que não existe nos organismos vivos. A presença desse artefato em um exame de laboratório não caracteriza nenhuma doença.

Hoje sabemos que a presença de células LE nunca significou e não significa lupus eritematoso sistêmico, pois o fenômeno representado pelas células LE também pode ser visto em pessoas normais.
Da mesma maneira, a presença de células LE nunca significou e não significa “reumatismo”, pois significa apenas a presença de anticorpos antinucleares.
Entretanto, esse teste laboratorial durante muitos anos foi usado por alguns profissionais - e talvez ainda seja - para justificar o “diagnóstico” de “reumatismo”, mesmo quando "reumatismo" não é um diagnóstico, é apenas um mito popular.
Infelizmente, muitas pessoas ainda são assombradas pelo resultado positivo no exame de pesquisa de células LE quando, na verdade, deveriam simplesmente ignorar o resultado pois, atualmente, o exame de células LE não tem nenhuma utilidade.

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