domingo, 28 de novembro de 2010

COMO EVITAR SER ENGANADO COM "REUMATISMO" - PARTE 3 - NÃO ACREDITE QUE DOR "É REUMATISMO"

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com.br/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

Viver é doloroso... Nascer é doloroso... Morrer é doloroso...

Todos nós, querendo ou não, sentiremos diversos tipos de dor durante a vida.
A maioria serão dores autolimitadas, que desaparecerão da mesma forma que vierem a começar, sem que alguém saiba o motivo.
Algumas serão sintomas de doenças e precisarão de tratamento mas, porque a maioria é autolimitada, a atitude perante a dor deve ser sempre otimista, mas cautelosa.

Otimista porque, se a maioria é autolimitada, teremos mais chances de estarmos certos se acreditarmos que a nossa também será; cautelosa porque, se algumas são sintomas de doenças, devemos estar preparados para o caso de a nossa dor ser uma delas.

Algumas pessoas, quando sentem dor, adotam uma atitude de desespero e medo que, além de piorar a dor que sentem, faz dessas pessoas presas fáceis para os oportunistas que exploram o mito “reumatismo” e tentam vender raízes, paus, pedras, folhas, metais, pós, cartilagens, qualquer coisa sem utilidade que possa ser maquiada de esperança.

A maioria das dores musculo-esqueléticas são causadas pelos movimentos que fazemos ao longo da vida, desaparecem em alguns dias e geralmente não ficamos sabendo qual foi a estrutura que doeu nem porquê. Por exemplo, é comum considerarmos dor nas costas como sendo “dor na coluna”, mas na maioria dos casos de dor nas costas é impossível dizer qual a parte da coluna, qual músculo, qual ligamento está causando a dor. Geralmente isso não é importante, pois, felizmente, a maioria dos episódios de dor nas costas melhora espontaneamente ou com tratamentos simples.

Independentemente da causa e do que está doendo, a intensidade da dor que sentimos é modulada por fatores psíquicos, como o medo - que aumenta a percepção da dor - ou a coragem - que a diminui. Além disso, fatores sociais como a insatisfação com o trabalho - que aumenta a percepção da dor - e contrasta com a satisfação - que a diminui -, também influem na intensidade da dor que sentimos.

Portanto, a dor musculo-esquelética não é um sintoma absoluto; pelo contrário, é relativo, e independentemente de haver uma lesão que a esteja causando, varia com o nosso estado de espírito, nossas crenças e situação social.

Muitas pessoas que atendo respondem "é o reumatismo", quando lhes pergunto o que sentem.
Em seguida, quando peço que esclareçam o que querem dizer, explicam que o que sentem são dores.
Então, essas pessoas deveriam responder simplesmente que sentem dor, mas a crença que têm no mito "reumatismo" faz com que percebam as dores que sentem como sendo "o reumatismo", ou seja, para elas, “a dor é o reumatismo”.
Por acreditarem nisso, elas acreditam nos praticantes da medicina baseada em reumatismo, que dizem: - “É reumatismo” -, ao ouvirem as pessoas queixarem-se de qualquer dor musculo-esquelética.
Por acreditarem nisso, elas acreditam quando os praticantes da "medicina baseada em reumatismo" pedem exames “para ver se é reumatismo”.
Por acreditarem nisso, elas aceitam os “tratamentos para reumatismo”, que incluem algumas injeções de penicilina associadas com “fórmulas para reumatismo”, que nada mais são do que misturas de medicamentos usados no tratamento da dor.

Dor musculo-esquelética não é reumatismo; é apenas dor e, se for necessário, deve ter a origem pesquisada.
A maneira mais eficaz de pesquisar a origem e a causa da dor musculo-esquelética é consultar um médico-reumatologista que, através da anamnese (história do doente, levando em consideração os fatores psico-sociais e a característica biológica da pessoa) e do exame físico, saberá dizer se há sinais de doença que precisam ser investigados ou se a queixa de dor é apenas uma manifestação das lesões comuns que todos sofremos no dia a dia e não significa doença.

Mas não confunda reumatologista com "reumatismologista".
Reumatologista é o médico que possui o título de especialista em Reumatologia registrado no Conselho Regional de Medicina.
"Reumatismologistas" são os exploradores do mito "reumatismo", praticantes da “medicina baseada em reumatismo”. Alguns, nem médicos são.

Para não ser enganado com reumatismo é fundamental pensar na dor como dor apenas e não acreditar que dor "é reumatismo".

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2 comentários:

patricia disse...

Olá Dr. Luiz Claudio da Silva, meu sobrinho de 3 anos, estava com febre fez exame de sangue e a Proteina C reativa deu: 4.5 mg/dL o pediatra disse que ele esta com febre reumática, analisando somente este hemograma. Passou injeção de bezetacil e prescreveu cefalexina 20e Ibuprofeno. Não seria necessario um exame mais detalhado????
Nos ajude doutor por favor. Obrigada.
Patricia.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Patrícia:

O diagnóstico de febre reumática deve ser baseado primeiramente em manifestações clínicas.
Das manifestações clínicas possíveis, as mais importantes para o diagnóstico são artrite (articulações inchadas, quentes e doloridas), cardite (sopro no coração, ritmo acelerado, etc), coreia (movimentos anormais da face e dos braços e pernas), nódulos subcutâneos (caroços pelo corpo) e eritema marginado (manchas avermelhadas que aparecem na pele). Todas essas manifestações precisam ser vistas por um médico para serem diagnosticadas e, na presença de uma ou de várias delas, os exames laboratoriais podem ajudar a fazer o diagnóstico de febre reumática.
Na ausência de manifestações clínicas, não há nenhum exame de laboratório que faça o diagnóstico de febre reumática.
Sugiro que leve seu sobrinho para consultar um reumatologista pediátrico e tirar a dúvida.