domingo, 6 de novembro de 2011

CÂNCER E "REUMATISMO" - A DIFERENÇA ENTRE TERMO POPULAR E MITO - PARTE 2

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM





No artigo CÂNCER E “REUMATISMO” - A DIFERENÇA ENTRE TERMO POPULAR E MITO mostrei que a palavra "câncer" é usada popularmente, pelos médicos inclusive, para explicar o diagnóstico de uma neoplasia maligna. Neoplasia maligna é o nome técnico do câncer.
O câncer - uma neoplasia maligna - é caracterizado clinicamente pelo local em que aparece. Assim, existe câncer da laringe, do pulmão, da mama, etc.
Todo câncer, independentemente do local em que ocorre, é causado pelo aparecimento de uma célula com características especiais, chamada de célula maligna. A célula maligna é a característica biológica que define a neoplasia maligna.
Qualquer célula do corpo pode se transformar em uma célula maligna e dar origem a um câncer.
Uma célula maligna é capaz de se reproduzir indefinidamente, formando uma massa de células malignas chamada de "tumor maligno", que crescerá continuamente, se não for removido ou destruído.
A massa de células malignas - tumor maligno - funciona como um parasita, que rouba nutrientes do organismo e é capaz de levá-lo à morte nesse processo.
A expressão "tumor maligno" é usada para representar uma massa sólida de células malignas, como os caroços que aparecem na laringe ou na mama, por exemplo, em casos de câncer nesses órgãos. Tumor maligno e câncer significam a mesma coisa, mas nem todos os cânceres formam tumores malignos.

"Câncer no sangue" é a expressão usada para explicar popularmente o diagnóstico das neoplasias malignas das células do sangue.
As neoplasias malignas do sangue são as leucemias e os linfomas.
Em todas as leucemias e linfomas há células malignas que circulam pelo sangue, invadindo os órgãos do corpo.
O diagnóstico dessas doenças é feito pela identificação das células malignas que as caracterizam, que podem ser encontradas em uma amostra do sangue coletada por punção de uma veia qualquer ou em amostras retiradas diretamente da medula óssea, a parte interna dos ossos, que é o local onde as células do sangue são produzidas, ou ainda, pela biópsia de tumores, que surgem geralmente nos nódulos linfáticos.
Portanto, a expressão "câncer no sangue" é usada para explicar popularmente o aparecimento de células do sangue malignas, fenômeno que define as leucemias e linfomas e que necessariamente não precisam ser encontradas “no sangue”.
O achado de uma célula maligna, em qualquer circunstância, faz o diagnóstico de câncer mesmo em pessoas que não apresentem sintomas.

Outra expressão parecida é "infecção no sangue", que descreve de maneira simples o que é a doença chamada tecnicamente de septicemia.
"Infecção no sangue" não pode ser considerada uma expressão popular pois sangue e infecção são palavras técnicas.
Podendo ser descrita pelo local onde ocorre - infecção da pele, do pulmão, do ouvido, etc - o significado técnico de infecção é a invasão do organismo por um micro-organismo (vírus, bactéria ou protozoário) e "infecção no sangue" pode mesmo ser considerado um termo técnico simples, desde que represente a presença de micro-organismos se multiplicando no sangue.
Entretanto, nesse país, a expressão "infecção no sangue" é às vezes usada de maneira errada, por profissionais despreparados, para explicar o aumento de ASLO, VHS ou da proteína C reativa em pessoas que não apresentam nenhuma infecção. Esse recurso de linguagem, produto da ignorância mal intencionada, não pode ser considerado um mito pois as pessoas que o utilizam sabem que não há infecção nenhuma e apenas usam a expressão "infecção no sangue" para falar do que não entendem ou não sabem explicar. Por isso, "infecção no sangue" não é um mito, é real, pois de fato existe infecção que ocorre no sangue.
A infecção do sangue é chamada de septicemia e septicemia não tem nada a ver com ASLO, VHS ou proteína C reativa aumentadas. A má fé de quem chama ASLO, VHS ou proteína C reativa aumentadas de "infecção no sangue" só pode ser categorizada como malandragem, porque mito não é.

O mito é uma criação linguística pura, resultante da ignorância, sim, mas criada sem maldade, com a única finalidade de explicar um fenômeno natural. Foi o caso do "reumatismo", mito criado como uma tentativa ingênua de explicar as doenças dois mil anos atrás (leia O MITO "REUMATISMO" - PARTE 1). Entretanto, embora puro na criação, o recurso ao mito dois mil anos depois, principalmente quando feito por profissionais que foram treinados no pensamento e no método científicos é, no mínimo, absurdo.
Não existe uma “célula reumática” cuja existência defina uma doença como sendo “reumatismo”.
Não existe uma “substância reumática” cujo achado defina uma doença como sendo “reumatismo”.
Não existe nenhum exame de sangue ou do que quer que seja que mostre que uma doença é “reumatismo”.
“Ser reumatismo” é apenas uma maneira de falar antiquada adotada pelos que ainda defendem o uso do mito na Medicina e também pelos que, sem saber do que estão falando, apenas exploram a crença popular no mito “reumatismo”.

A existência do problema de comunicação decorrente da incorporação do mito "reumatismo" à Medicina é um fenômeno linguístico que, se for melhor estudado, pode explicar outro fenômeno cultural que acompanha a humanidade desde os seus primórdios: Por que a mentira se espalha com extraordinária rapidez enquanto a verdade precisa de tempo para se impor?

E o que dizer de "reumatismo no sangue"?
Provavelmente a expressão "reumatismo no sangue" foi inventada por alguém que pretendia fazer uma analogia com os "cânceres do sangue", mas cometeu o erro de comparar um mito (reumatismo), sem base científica (não existe nenhuma característica científica que defina o que é reumatismo), a uma expressão popular legítima (câncer), que tem base científica (representa popularmente uma neoplasia maligna).
Assim, "reumatismo no sangue" é uma subversão do mito "reumatismo" e representa apenas o egoísmo e a malandragem de alguém que tenta esconder a própria ignorância.
Em qualquer lugar do mundo, "câncer no sangue" representa linfomas e leucemias, mas ninguém sabe, nem mesmo nesse país, qual doença "reumatismo no sangue" representa.

Tenho certeza de que todas as pessoas que me disserem ter "câncer no sangue" terão uma doença, que será um linfoma ou uma leuçemia. Entretanto, a maioria das pessoas que me dizem ter "reumatismo no sangue" não estão doentes, apenas foram enganadas com essa expressão sem significado científico.
Embora a maioria não esteja doente, algumas das pessoas que dizem ter "reumatismo no sangue" de fato apresentam uma doença, mas elas nunca sabem dizer qual é a doença que têm pois, para elas, a doença é o "reumatismo no sangue". Porém, "reumatismo no sangue" não é o nome de nenhuma doença.
Nunca atendi ninguém que, ao dizer que tinha "reumatismo no sangue", soube dizer com clareza qual doença tinha, por isso estou convicto de que, quem quer que defenda ou use a expressão "reumatismo no sangue" para explicar uma doença para alguém, além de causar outros males, está contribuindo para a ignorância popular a respeito das doenças que causam dor nas articulações, nos ossos, nos músculos ou na coluna.

Se alguém lhe disser que você tem "reumatismo no sangue", pergunte-lhe qual o nome da doença que está chamando de "reumatismo no sangue".
Se o profissional lhe disser o nome da doença, esqueça a estória do "reumatismo no sangue" - não serve para nada - e guarde apenas o nome da doença. Futuramente, quando precisar dizer a outro médico o que tem, nunca diga que tem "reumatismo no sangue" - isso não existe -, diga apenas o nome da doença que lhe foi dito. Agindo assim, você evitará confusões futuras resultantes do problema de comunicação causado pela crença no mito "reumatismo" e, ao mesmo tempo, estará mandando um recado aos profissionais ignorantes para que estudem mais e melhorem o seu conhecimento.
Se o profissional lhe disser que o nome da doença é “reumatismo no sangue”, a única coisa sensata a fazer é ir embora e deixá-lo falando sozinho. Agindo assim, você se afastará da picaretagem e poderá então ir em busca da verdadeira Medicina.

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2 comentários:

ANDREIA CRISTINA NETO DA CRUZ disse...

OI ESTOU CHOCADA AO LER TUDO ISSO, ENTAO OS MEDICO CUJO A FUNÇÃO É REUMATOLOGISTA É UMA FARSA ?


Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Lamento, Andreia, mas você não entendeu o assunto.
Reumatologia é uma especialidade médica, mas a função do reumatologista não é "tratar de reumatismo", como você deve pensar. O reumatologista diagnostica e trata a dor e as doenças das articulaçōes, dos ossos, dos músculos e da coluna.
Farsa é o que fazem os que, não sendo reumatologistas (e muitas vezes nem sendo médicos), exploram a ignorância popular dizendo "é reumatismo" e "tratando de reumatismo".