domingo, 15 de janeiro de 2012

DEFENSORES E EXPLORADORES DO MITO "REUMATISMO"

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

Desde o momento em que reconheci a existência na população da crença no mito "reumatismo" percebi que seria necessário reformular a maneira como a noção de "doenças reumáticas" vinha sendo transmitida pela Reumatologia, pois a linguagem baseada em "doenças reumáticas", "reumatismos de partes moles", "reumatologia" e "reumatologista" , que não esclarece ninguém sobre o que é "reumatismo", só tem servido para preservar a crença no mito.
Inicialmente percebi que para afastar o pensamento popular do mito "reumatismo" seria preciso direcioná-lo para o que realmente importa nessa área do conhecimento - a dor musculo-esquelética, ou seja, a dor nas articulações, nos ossos, nos músculos e na coluna.
Na minha primeira manifestação pública sobre o tema - o artigo REUMATISMOS NÃO EXISTEM, que foi publicado em 1999, na Revista Brasileira de Reumatologia -, sugeri a mudança do nome Reumatologia para Artrologia como uma maneira de implementar o redirecionamento, mesmo sabendo da ferocidade das oposições que teria de enfrentar, primeiramente por ousar querer mudar o nome da especialidade, mas principalmente por sugerir que o órgão de estudo da especialidade é a articulação (artrologia significa estudo das articulações).

Os defensores do mito "reumatismo" sempre utilizaram a ideia de "doença sistêmica" para sustentarem que "reumatismo" é uma palavra útil para se referir às várias doenças de causa desconhecida que, embora se manifestem principalmente por dores musculo-esqueléticas e artrite, podem afetar vários órgãos do corpo, provocando qualquer tipo de sintoma.
"Sistêmica" é o adjetivo usado para explicar o comportamento de uma doença que causa manifestações em vários órgãos do corpo.
A palavra "sistema" tem sido usada na Medicina para representar as estruturas que, para executar uma ou mais funções específicas, apresentam alguma independência compartimentalizada em relação ao restante do organismo.
Assim, o sistema circulatório, composto pelo coração e os vasos sanguíneos que dele saem (artérias) e que a ele chegam (veias), destina-se a fazer circular o sangue por todo o organismo.
O sangue circulante leva oxigênio e nutrientes para todas as células do corpo e, ao mesmo tempo, retira as substâncias tóxicas produzidas pelas células vivas. Se não forem removidas pela circulação, as substâncias tóxicas, produzidas como resultado inevitável do trabalho das células vivas, causam primeiramente a morte das células e, depois, do próprio organismo.
Uma doença do coração, por isso, é uma doença sistêmica porque primeiramente afeta o funcionamento do sistema circulatório mas depois repercute sobre todo o organismo.

O sistema musculo-esquelético é composto pelo esqueleto - ossos que sustentam o corpo, organizados de maneira especializada para formarem articulações -, pelos músculos - que movimentam as articulações e fornecem movimento para o corpo todo - e por um tecido especializado chamado de tecido conjuntivo, que une articulações e músculos de maneira a permitir que ocorra o movimento dessas estruturas.
Uma doença que afete o tecido conjuntivo ou os ossos ou as articulações ou os músculos ou todas essas estruturas é uma doença sistêmica porque afeta o sistema musculo-esquelético como um todo. Mas se uma doença atinge apenas um osso, ou apenas um músculo ou apenas uma articulação não é considerada uma doença sistêmica, mas uma doença apenas do órgão que está comprometido - uma doença localizada -, mesmo quando esse órgão é parte do sistema musculo-esquelético.
A palavra sistêmica não se refere a afetar um órgão de determinado sistema orgânico mas a um comportamento biológico que pode causar doença em todos os órgãos ou em todo o sistema.
O médico consegue visualizar intuitivamente o comportamento de uma doença que pode afetar vários órgãos ou vários sistemas ou o corpo todo e preparar-se para esperar sintomas de vários tipos ao diagnosticar uma doença com essas características mas, para a população, essa definição é artificial. O doente que sofre os efeitos de uma doença, seja localizada ou sistêmica, não está interessado em saber a classificação da doença que o afeta, mas em se livrar dela.

Historicamente, a classificação foi o primeiro passo dado no conhecimento das doenças pois, mesmo quando nada se sabe a respeito da causa ou do mecanismo biológico que produz uma doença, sempre se pode classificá-la de acordo com os sintomas que apresenta.
A classificação de doenças é útil para o médico e facilita a aquisição do conhecimento, mas é artificial e, ao se basear no quadro clínico, baseia-se em dados incompletos, podendo estar totalmente errada, mesmo quando a estrutura lógica que apresenta faz algum sentido.

Os adeptos do ponto de vista do "reumatismo" como doença sistêmica, quando se deparam com doenças que causam dor musculo-esquelética mas não apresentam caráter sistêmico, ou seja, não afetam o sistema musculo-esquelético como um todo, chamam-nas de "reumatismos de partes moles", procurando manter a lógica da classificação, segundo a qual as doenças sistêmicas seriam "os reumatismos" e as doenças localizadas os "reumatismos de partes moles".
Alguns defensores do mito até evoluíram um pouco nesse pensamento e chegaram à conclusão de que "reumatismo" é apenas um termo popular que não deve ser usado na classificação e nomenclatura de doenças, substituindo-o pela expressão "doenças reumáticas", uma solução de valor intelectual duvidoso, pois expressa ideias diferentes recorrendo a palavras semelhantes, ignorando que o pensamento popular a respeito do conhecimento científico baseia-se primeiramente nas palavras e, somente depois e apenas para a minoria, se torna conhecimento científico de fato. Além disso, mesmo os preconizadores da expressão "doenças reumáticas" decidiram preservar a expressão "reumatismo de partes moles" porque não encontraram nada melhor para substituí-la.

O problema com a classificação de "doenças reumáticas" e "reumatismos de partes moles" é a nomenclatura confusa que utiliza, que levou ao surgimento dos exploradores do mito "reumatismo", os quais, sem se preocuparem em conhecer as doenças classificadas pelos defensores do mito , resolveram dirigir-se diretamente à população e explorar a crença popular em "reumatismo" com fins puramente comerciais. Surgiram assim os "exames para reumatismo", que os exploradores do mito obrigam as pessoas a repetirem todos os meses com a finalidade única de gerar novos atendimentos.
"Exames para reumatismo" significam que a doença que foi diagnosticada é "o reumatismo", mas "reumatismo" não é uma doença, é apenas um mito popular preservado pela ignorância e pela existência de uma classificação de "doenças reumáticas" e de "reumatismos de partes moles" desenvolvida por uma especialidade médica chamada "reumatologia".
Além dos "exames para reumatismo", os exploradores do mito desenvolveram também "tratamentos para reumatismo", vendidos clandestinamente em frascos contendo a expressão "REMÉDIO PARA REUMATISMO", cuja única finalidade é convencer o crédulo em "reumatismo" de que aquele produto é o certo para tratar "o reumatismo".
E os "remédios para reumatismo" são preservados no pensamento popular porque, entre outras bobagens, ocasionalmente a imprensa publica matérias sobre a apreensão de "remédios para reumatismo" nos contrabandos oriundos do Paraguai, mesmo quando não existe uma classificação farmacológica que reconheça a existência de "remédios para reumatismo".
E a imprensa continua publicando tais matérias porque existe uma classificação de "doencas reumáticas" e de "reumatismos de partes moles", criada por uma especialidade médica chamada "reumatologia" que, quando é chamada para explicar "o que é reumatismo", limita-se a reverberar absurdos obscuros como "reumatismos são mais de cem doenças" e "reumatismo é um termo inespecífico para as mais de cem doenças reumáticas".

Minha posição em relação à crença popular no mito "reumatismo" está bem documentada nos vários posts do blog mas vou fazer aqui um resumo para esclarecer os novos leitores:

1) sentir alguma forma de dor musculo-esquelética de aparecimento espontâneo é o que leva os crédulos a pensarem em "reumatismo";
2) ao pensar em "reumatismo", a pessoa se afasta do conhecimento científico necessário para identificar a causa da dor e tratá-la adequadamente;
3) afastando-se do conhecimento científico, a pessoa que acredita em "reumatismo" aproxima-se dos oportunistas e dos profissionais que diagnosticam "reumatismo", solicitam "exames para ver se é reumatismo" e prescrevem "tratamentos ou remédios para reumatismo", formas grosseiras de exploração da crença popular em "reumatismo";
4) para combater a exploração comercial do mito "reumatismo", é preciso esclarecer a população a respeito da falsidade dos argumentos baseados em "reumatismo" utilizados pelos exploradores do mito;
5) para esclarecer a população é preciso reconstruir a linguagem científica que diz respeito à dor e às doenças musculo-esqueléticas, eliminando toda a nomenclatura baseada em "reumatismo" que, tendo sido desenvolvida ao longo de séculos de ignorância, ainda é defendida obstinadamente pelos que se apegam ao mito por razões sentimentais.

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2 comentários:

ANNA disse...

Dr. Luiz Claudio como já foi dito aqui, a sua exposição sobre a artrite é simplesmente extraordinária e me esclareceu muito. Meu filho, hoje com 13 anos, começou a ter problemas gráves, há quase um ano. Agora eu estou com muitas dores nas mãos, nos ombros, e sinto que minhas articulações parecem estar endurecendo. Sinto muita dor, no corpo todo, na parte óssea. Sou católica e tenho muita fé em Deus. Nos ultimos dias, tenho pedido e ele,que me mostre um caminho, para encontrar um médico, que me ajude a resolver meu problema e o de meu filho. Hoje acordei 4:30 da manhã liguei o computador,coisa que nunca faço essa hora e tentando pesquisar sobre meu problema, achei seu blog, e fiquei muito feliz quando vi que o Dr. é de "CURITIBA" e eu também.Agradeço a Deus por ter me mostrado o caminho. Vou marcar uma consulta hoje mesmo e conversaremos pessoalmente. Parabens pelo Blog!Pois está ajudando as pessoas a encontrarem o cominho para resolver problemas de saúde. OBRIGADA! um abraço.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Anna:

Eu que agradeço a espontaneidade do seu relato.
Obrigado.