domingo, 29 de janeiro de 2012

"REUMATISMO NO SANGUE"- UM DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO?


LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM





No artigo Rare and unusual psychiatric syndromes part 2: Culture-bound conditions (síndromes psiquiátricas raras e incomuns parte 2: condições de base cultural), Christoph U. Correl, professor de Psiquiatria em Hempstead, New York, USA, apresenta 19 síndromes psiquiátricas raras e estranhas, resultantes de crenças culturais variadas, como:

Licantropia: a pessoa acredita que está se transformando em lobo ou cachorro (observada em vários países);
Shin-byung: acredita que está sendo possuída por um espírito (observada na Coreia);
Koro: acredita que irá perder os órgãos genitais que, encolhendo até desaparecer completamente, deixariam-na assexuada e causariam a morte (observada na China).

Quando li o relato, notei imediatamente a semelhança que existe entre o comportamento gerado por essas crenças sem fundamento científico e o das pessoas que acreditam ter "reumatismo no sangue":
- acreditam que nunca conseguirão se livrar da bactéria que causa o "reumatismo no sangue",
- acreditam que o sangue pode virar pus,
- acreditam que o coração será danificado, etc.

As crenças em "reumatismo no sangue" são desencadeadas pelo resultado positivo ou aumentado de um exame de sangue como VHS, proteína C reativa, fator reumatóide, FAN mas, principalmente, ASLO.
As pessoas afetadas adotam o comportamento vicioso de procurar atendimento para o que acreditam ser uma doença grave e, por isso, aceitam como tratamento qualquer coisa que lhes seja oferecida, principalmente injeções de penicilina, em doses diárias, semanais, decenais, quinzenais, vintenais, mensais, etc...

Como está explicado em FEBRE REUMÁTICA OU "REUMATISMO NO SANGUE"?, a crença em "reumatismo no sangue" não é a mesma coisa que a doença febre reumática.
Como está explicado em SINCRETISMO PSEUDO-CIENTÍFICO - UMA CONTRIBUIÇÃO DA REUMATOLOGIA PARA O ENRIQUECIMENTO CULTURAL DA HUMANIDADE, os exploradores da crença em "reumatismo" usaram fragmentos variados do conhecimento científico de diversas doenças - febre reumática, lupus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide e outras doenças autoimunes - associados aos exames VHS, proteína C reativa, FAN, fator reumatóide e ASLO para inventar a crença em "reumatismo no sangue", que por muito tempo foi tolerada - com resultados desastrosos para a população - pelos que deveriam zelar pelo conhecimento científico que caracteriza uma especialidade médica.

Assim, se "reumatismo no sangue" é um diagnóstico psiquiátrico, é observado tanto nos doentes quanto nos profissionais que dão fundamento à crença, seja por solicitar os exames necessários para o seu aparecimento, seja por prescrever um tratamento para algo que não existe.

Por isso, ao imaginar "reumatismo no sangue" como uma doença mental, ocorreu-me que, além de classificar as pessoas que sofrem seus efeitos como doentes, também seria necessário classificar os profissionais que fazem uso desse artifício para primeiramente convencer pessoas saudáveis de que elas estão doentes e, em seguida, receitar injeções de penicilina como parte de tratamentos sem fundamento.

Seria o comportamento desses profissionais o verdadeiro diagnóstico psiquiátrico?
Seriam tais profissionais os verdadeiros doentes mentais?
Seriam as pessoas que neles acreditam apenas vítimas de seus delírios?
Ou "reumatismo no sangue" é realmente uma síndrome psiquiátrica comportamental contagiosa e endêmica nesse país maravilhoso?


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