domingo, 11 de novembro de 2012

PROTEÍNA C REATIVA ALTA



 

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Tenho recebido várias dúvidas a respeito do significado de proteína C reativa muito alta, ou seja, valores acima de 100mg/dl, razão pela qual resolvi publicar este artigo.

O significado biológico da elevação da proteína C reativa foi explicado no artigo PARA QUE SERVE O EXAME PROTEÍNA C REATIVA. O significado de níveis muito altos de proteína C reativa é o mesmo que o dos níveis altos, quaisquer que sejam.
Níveis muito altos de proteína C reativa indicam apenas maior intensidade da resposta de fase aguda do que é observado em níveis mais baixos, mas não indicam nenhum diagnóstico em particular porque a elevação da proteína C reativa é uma resposta inespecífica do organismo à morte não natural de células e tecidos, qualquer que seja a causa, o que vale tanto para pequenas quanto para grandes elevações da proteína C reativa.

A resposta do organismo à morte não natural de células e tecidos é a inflamação.
A inflamação serve tanto para combater a agressão que causou a morte das células quanto para reparar as lesões dos tecidos e é desencadeada por doenças em que a agressão inicial é evidente ou não.
Exemplos de agressões iniciais evidentes são infecções, ferimentos, queimaduras, acúmulo de substâncias estranhas (como os cristais da gota, por exemplo), etc. O tratamento dessas doenças é dirigido contra a agressão, ou seja, contra a causa da inflamação.
Além disso, há doenças que desencadeiam a inflamação sem motivo aparente - são conhecidas como doenças inflamatórias, das quais as doenças autoimunes fazem parte. Nessas doenças, as lesões produzidas são consequência direta da própria inflamação e o tratamento é dirigido contra a inflamação em si, para controlá-la ou eliminá-la, mesmo sem saber a causa, apenas para evitar as lesões que possa produzir.

Da maneira como são apresentados atualmente, os resultados dos exames de proteína C reativa trazem apenas dois valores de referência: a) para avaliação de processos inflamatórios e b) para avaliação do risco cardiovascular.
Nesse artigo iremos tratar apenas da avaliação de processos inflamatórios. Para a avaliação do risco cardiovascular, leia PARA QUE SERVE O EXAME PROTEÍNA C REATIVA - PARTE 2.

A dosagem da proteína C reativa para a avaliação de processos inflamatórios serve tanto para doenças de causa conhecida quanto para doenças inflamatórias de causa desconhecida, razão pela qual não serve para diagnosticar nenhuma doença em particular e justamente por isso o exame é considerado inespecífico.
Considere três pessoas diferentes com os seguintes resultados de proteína C reativa:
1) 10 mg/dl
2) 100mg/dl
3) 1000mg/dl
Baseado apenas nos resultados 10, 100 ou 1000 não é possível fazer nenhum diagnóstico clínico. Com esses valores podemos concluir apenas que a reação biológica que elevou a proteína C reativa foi mais intensa no 3 do que no 2 e a do 2 maior do que no 1, mas não podemos saber a causa da elevação apenas com esses resultados.
Descobrir a causa da elevação da proteína C reativa é fazer o diagnóstico médico da doença ou da circunstância que desencadeou a resposta biológica que levou à elevação e, como todo diagnóstico médico, depende fundamentalmente da história e do exame físico do doente.
É a história dos sintomas do doente e os achados do exame físico que irão mostrar ao médico onde está ocorrendo a lesão que desencadeou a resposta biológica que resultou na elevação da proteína C reativa.

Imagine o diagnóstico de pneumonia pneumocócica, a forma mais comum de pneumonia bacteriana em seres humanos, uma infecção do pulmão causada pela bactéria chamada pneumococo.
A pneumonia pneumocócica geralmente começa com um calafrio súbito, seguido em poucas horas de febre, tosse com eliminação de catarro e dor no tórax quando a pessoa respira.
Nessa doença, a elevação da proteína C reativa é imediata e já estará ocorrendo no momento do primeiro calafrio, que indica o início da invasão microbiana no pulmão.
À medida que as bactérias proliferam no pulmão e a doença progride, os mecanismos de defesa contra a infecção são acionados cada vez mais, atraindo números crescentes de leucócitos (células de defesa) para o local, o que significa também aumento da inflamação no local da infecção.
Nesse momento é importante que as pessoas entendam a diferença entre infecção e inflamação: infecção é a invasão do corpo humano por microorganismos; inflamação é a reação do organismo à infecção, mas também é a maneira como o organismo reage a lesões corporais onde não haja infecção. A inflamação é a reação de defesa e reparação do organismo; infecção é a agressão por microorganismos.

Na pneumonia, o aumento de células de defesa no local da infecção aumenta a possibilidade de combater as bactérias mas também aumenta o número de células que morrem no processo. A morte dos leucócitos que combatem a infecção contribui para aumentar ainda mais a proteína C reativa.
Em pessoas jovens, um quadro infeccioso como esse desencadeia uma intensa resposta de defesa que produz febre alta, mal-estar, dor no corpo e outros sintomas, podendo elevar a proteína C reativa a valores muito altos.
Em adultos mais velhos, a resposta pode não ser tão intensa, a pessoa pode sentir apenas pouca febre e mal-estar, com níveis elevados de proteína C reativa, mas não tão altos como os que se veria no caso anterior.
Comparando as duas situações podemos concluir que a elevação da proteína C reativa pode ser proporcional à intensidade da agressão ao organismo (quanto maior a agressão, maior a elevação) mas é proporcional principalmente à intensidade da resposta de defesa contra a agressão (quanto maior a resposta, maior a elevação). Entretanto, mesmo contra a mesma agressão (uma pneumonia, por exemplo), a resposta varia de um organismo para outro - ou seja, as pessoas reagem de maneira diferente às doenças e em situações onde alguns produzirão proteína C reativa de 100mg/dl, outros podem produzir apenas 10mg/dl.

O médico faz o diagnóstico de pneumonia baseado na história do doente e nos achados do exame físico e, para o diagnóstico da pneumonia pneumocócica, não há necessidade de dosar a proteína C reativa porque o quadro clínico geralmente é suficiente para a identificação da doença.

Em uma doença inflamatória de causa desconhecida ou em uma infecção qualquer de causa conhecida, quando a agressão ou a defesa são intensas, moderadas ou leves, geralmente produzem sintomas e os sintomas formam um quadro clínico que geralmente permite o diagnóstico médico. O tratamento a ser feito então dependerá do diagnóstico, não do nível da proteína C reativa, seja 10, 100 ou 1000.

Uma situação que causa preocupação e angústia é a elevação de proteína C reativa em pessoas sem sintomas.
Nesses casos, por não haver sintomas, não há como diagnosticar a causa da elevação da proteína C reativa e, quando as pessoas procuram informações sobre as causas de aumento do exame, se deparam com a lesão tecidual com morte celular causada por infecções, inflamações, ferimentos, etc. Quem não apresenta nada disso, mergulha numa escuridão mental onde a única imagem que consegue produzir é a que foi sugerida pelas palavras que leu em algum lugar, mas a angústia e o sofrimento gerados por informações assim são inúteis.

Em pessoas sem sintomas, o exame com proteína C reativa alta deve ser jogado no lixo, justamente porque a pessoa não tem sintomas e exames de laboratório estão sujeitos a erros.
Para o diagnóstico, os sintomas são mais importantes do que o resultado do exame.
Depois de jogar o exame no lixo, a prudência manda repeti-lo.
A repetição pode ser feita no mesmo laboratório ou em outro, não há unanimidade sobre isso. Cada médico age como acredita ser mais adequado, o que pode variar de um caso para outro.
Se a repetição do exame ainda mostrar proteína C reativa alta, o que diminui a chance de erro de laboratório, o médico deve refazer a história e o exame físico do doente em busca de informações que ajudem a identificar a causa da elevação.
Se novamente nada encontrar, o segundo exame também deve ser jogado no lixo pois o médico não pode tratar do resultado alterado do exame.

A interpretação do resultado da proteína C reativa depende do quadro clínico do doente e, se não há quadro clínico, na verdade não há doente.
Certamente há doenças que não produzem sintomas nas fases iniciais, mas essas doenças não são identificadas pela elevação da proteína C reativa e, a menos que sejam descobertas em exames preventivos, continuarão evoluindo até produzir sintomas.

Uma pessoa sem sintomas com proteína C reativa alta é um enigma médico que, na medicina científica se resolve apenas de duas maneiras: 1) o resultado do exame volta ao normal após algum tempo e a causa da elevação nunca se torna conhecida ou 2) os sintomas da doença aparecem e o diagnóstico pode então ser feito.
É claro que há casos complicados em que, mesmo com sintomas evidentes, o diagnóstico não pode ser feito, seja por falta de conhecimento do médico ou por falta de conhecimento científico sobre a doença em questão, mas essas situações são exceção (leia QUANDO O CONHECIMENTO CIENTÍFICO É LIMITADO).

Entretanto, em nosso meio, alguns profissionais despreparados mas atrevidos inventaram uma explicação absurda para a proteína C reativa alta que se encaixa mais no desejo de impressionar o doente do que na falta de conhecimento científico.
Em nosso meio, os praticantes da MEDICINA BASEADA EM REUMATISMO inventaram a explicação "proteína C reativa alta é reumatismo" ou "proteína C reativa alta é reumatismo no sangue".
Esses profissionais, quando se deparam com pessoas sem sintomas que apresentam proteína C reativa alta, após circular o resultado do exame e desenhar algumas flechas apontadas para cima ao lado do resultado afirmam imediatamente: "É reumatismo" ou "é reumatismo no sangue", como se soubessem do que estão falando. Mas não sabem.

Proteína C reativa alta não é, não detecta, não confirma e não identifica "reumatismo" nem "reumatismo no sangue" porque "reumatismo" não é uma doença, é apenas um mito popular e "reumatismo no sangue" não existe.


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4 comentários:

Empreender e porque disse...

Muito útil e esclarecedor seu artigo, porque até não dizer caridoso! Ótimo seria se outros profissionais da mesma forma pensassem, quando antes mesmo de um exame clínico, pedem uma tonelada de exames, que muitas vezes nem sabem diagnosticar conforme a natureza importante das queixas dos pacientes, me vejo em uma situação de estar fazendo uma batelada de exames, e instintivamente ao abrir e ler para analisar conforme os resultados de referência, me assustei com resultado de PCR positivo, e me deparei com o tópico de seu artigo. Fui em 3 profissionais que nem ousaram fazer um exame clínico e que também não têm certeza de como diagnosticar mesmo após ter solicitado muitos exames. Agradeço seus esclarecimentos e repito, seria bom que outros profissionais perdessem um pouco mais de tempo ouvindo o paciente e fazendo alguns simples e básicos exames clínicos.Obrigada, Gilcéa Soares
PS: Tenho que excluir um diagnóstico de Fibromialgia, e não sei na verdade o melhor a ser feito, já que ao procurar um clínico esse não pôde me ajudar.

Dr. Luiz Claudio da Silva disse...

Empreender e porque...

Para confirmar ou excluir o diagnóstico de fibromialgia, consulte um reumatologista.

ake disse...


Muito Obrigada mesmo!

Que bom que existem pesssoas, como o Sr. que perdem seu tempo - de lazer- para nos ajudar.

Abracos,

Akemi

tita disse...

foi altamente esclarecedor. obrigada!