domingo, 11 de agosto de 2013

"REUMATISMO INFECCIOSO" NÃO EXISTE

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html

No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles  
que escolheram a neutralidade em tempos de crise. 
                                                                                                                            Dante Alighieri


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A leitora SildeLuz postou o seguinte comentário ao artigo PARA QUE SERVE O EXAME VHS:


O Doutor diz que ""Reumatismo não é doença"", mas quando criança tive reumatismo infeccioso, o tratamento foi a base de corticoide, e o médico descobriu que o foco infeccioso era as amídalas, operei e nunca mais senti dor. HJ com 55 anos, fiquei sedentária por 6 anos, e daí comecei a ter dores no corpo todo, bico de papagaio, mas agora estou emagrecendo e fazendo pilates. O meu VHS deu 40mm.



Embora ainda faça parte da linguagem usada por alguns profissionais na comunicação com doentes, a expressão "reumatismo infeccioso" não é usada há décadas na literatura médica, o que não impediu a leitora SildeLuz de argumentar com um médico formado segundo os conceitos modernos da medicina científica, tentando defender o seu entendimento de que as crenças absurdas do passado tinham fundamento e justificavam as atrocidades que foram cometidas em seu nome.
Em nome do "reumatismo infeccioso", os exploradores do mito "reumatismo" retiraram sistematicamente amigdalas de crianças e, como não resolveram o problema na maioria das vezes, passaram a arrancar também os dentes das pessoas, uma mutilação irracional e fantasiosa baseada na imaginação de que, primeiramente as amígdalas e depois os dentes, seriam o "foco de infecção" que explicaria as dores musculo-esqueléticas que surgiam espontaneamente em pessoas saudáveis.
A expressão "reumatismo infeccioso" foi usada para dar nome à crença segundo a qual as infecções eram uma das causas do "reumatismo"... Outra "causa", seria o psiquismo dos doentes, crença que também deu origem a uma expressão semelhante, "reumatismo psicogênico".
"Reumatismo infeccioso" e "reumatismo psicogênico", assim como outras expressões menos famosas em que a palavra "reumatismo" aparece no nome, não são nomes de doenças, são crenças usadas para explicar sintomas físicos (a dor musculo-esquelética sem causa aparente) e, por serem crenças, são apenas variações linguisticas do mesmo mito popular baseadas nas palavras e na crença em "reumatismo". Não são doenças, mas isso não impede que pessoas tratadas com base nessas crenças repitam que "tiveram reumatismo infeccioso", declaração que significa apenas "não sei o que tive e os médicos também não sabiam, mas me disseram que era reumatismo infeccioso e, porque acredito em reumatismo, acredito nessa explicação como sendo a minha doença e estou feliz com ela".


O fato da leitora SildeLuz vir a público expressar a crença em "reumatismo infeccioso", 50 anos após ter sido enganada com ela, mostra apenas o poder de convencimento do mito, que permanece arraigado nas mentes mais crédulas mesmo após a evolução da ciência ter mostrado que seu único fundamento é a crença popular na palavra que lhe dá nome, a qual carrega significados diversos, desenvolvidos ao longo de séculos de pensamentos viciados e de índole duvidosa.

Não irei repetir as complexidades do pensamento mitológico que levaram ao aparecimento nesse país do SINCRETISMO PSEUDO-CIENTÍFICO (leia SINCRETISMO PSEUDO-CIENT[IFICO - UMA CONTRIBUIÇÃO DA REUMATOLOGIA PARA O ENRIQUECIMENTO CULTURAL DA HUMANIDADE) que faz as pessoas acreditarem que retirar as amígdalas é um "tratamento para reumatismo" nem que as dores que sentiam antes de retirarem as amígdalas e deixaram de sentir depois da operação desapareceram porque as amígdalas foram retiradas. Não há fundamento nessa conclusão porque a maioria das pessoas que que têm as amígdalas retiradas não melhoram de dores no corpo depois da operação - nem depois da retirada dos dentes, se isso também for feito - embora algumas possam melhorar por motivos diversos, que só podem ser analisados no momento em que acontecer a melhora.
Uma vez que algumas pessoas podem melhorar de sintomas físicos mesmo recebendo tratamentos que não são eficazes, a Medicina moderna desenvolveu os estudos duplo-cego controlados com placebo para testar as teorias sobre as doenças e as conclusões obtidas com os tratamentos utilizados.
No estudo duplo-cego controlado com placebo, várias pessoas com a mesma doença são separadas em dois grupos e, enquanto um dos grupos é tratado com um medicamento (ou uma operação cirúrgica), o grupo chamado "controle" recebe como "tratamento" apenas uma simulação do  medicamento (ou da operação cirúrgica).

A existência do grupo controle permite identificar as melhoras que são devidas ao EFEITO PLACEBO (qualquer melhora que ocorra em quem recebeu apenas uma simulação de medicamentos ou de operação cirúrgica é devida ao efeito placebo).
Para que o tratamento que está sendo testado seja considerado eficaz, as melhoras que ocorrem no grupo que recebe o tratamento efetivo devem ser maiores do que as melhoras devidas ao efeito placebo - ou seja, as melhoras que ocorrem no grupo que recebe apenas simulações. A diferença entre as melhoras do grupo tratado (que se devem ao efeito do medicamento MAIS o efeito placebo) e as do grupo controle (que se devem apenas ao efeito placebo) representa o efeito real do tratamento em estudo.
Por isso as declarações de sucessos individuais de tratamento não têm valor científico e não devem ser usadas para dizer que um determinado tratamento é eficaz.


Se o problema que está sendo tratado é dor, o efeito placebo pode ser tão acentuado quanto 40 a 60%, ou seja, em alguns estudos controlados para o tratamento da dor, entre 10 pessoas "tratadas" com simulações do tratamento, 4 a 6 podem melhorar sem ter recebido tratamento algum, apenas por terem passado pela simulação de serem tratadas.
Os mecanismos psicológicos que explicam o efeito placebo são complexos e não serão tratados aqui (para mais detalhes, leia EFEITO PLACEBO: O PODER DA PÍLULA DE AÇÚCAR) mas são as explicações científicas para quem não sentiu mais dor depois que teve as amígdalas retiradas, se a retirada das amígdalas foi feita para "tratar" o "reumatismo infeccioso".
Na verdade, a retirada das amígdalas só trata e previne as infecções das amígdalas (amigdalites) pois quem não tem amígdalas não pode mais ter infecção dos órgãos que foram retirados.


A retirada das amígdalas não "trata" nem "previne" o "reumatismo infeccioso" porque "reumatismo infeccioso" não existe, mas mesmo assim a explicação "reumatismo infeccioso" ainda é usada por alguns profissionais para justificar a retirada desnecessária de amígdalas em crianças.
A retirada das amígdalas não "trata" nem "previne" a febre reumática - crianças portadoras de febre reumática que têm as amígdalas retiradas podem continuar apresentando episódios de febre reumática porque as amígdalas não são os únicos tecidos linfóides da garganta que os estreptococos podem infeccionar. Por isso, mesmo sem amígdalas, as crianças podem continuar a ter infecções de garganta por estreptococo, as quais podem desencadear novos episódios de febre reumática.


Não estou dizendo que "reumatismo infeccioso" é a mesma coisa que febre reumática pois não é. Febre reumática é uma doença mas "reumatismo infeccioso" não existe.


Pelos motivos explicados no artigo SINCRETISMO PSEUDO-CIENTÍFICO - UMA CONTRIBUIÇÃO DA REUMATOLOGIA PARA O ENRIQUECIMENTO CULTURAL DA HUMANIDADE, os fatos científicos a respeito da febre reumática (doença autoimune desencadeada por uma infecção de garganta causada por estreptococos) são usados indevidamente para justificar as bobagens inventadas nas variações do mito "reumatismo" (qualquer "foco de infecção" causa um desequilíbrio no corpo que leva ao aparecimento do "reumatismo infeccioso", que deve ser "tratado" com a retirada do "foco de infecção" - ou seja, se "descobrirem" que o "foco de infecção" está nas amígdalas, elas serão retiradas...).
Outros fatos científicos a respeito de doenças infecciosas como sífilis, tuberculose, hanseníase, dengue, gripes, hepatites, HIV e outras infecções também podem ser usados indevidamente para explicar "reumatismo infeccioso", mas a fonte mais usada pelos exploradores do mito "reumatismo" é a amigdalite estreptocócica, que desencadeia a doença autoimune chamada febre reumática.


É preciso rigor científico para entender que as afirmações
1) "amigdalite estreptocócica desencadeia a febre reumática" e
2) "um foco de infecção nas amígdalas desencadeia o reumatismo infeccioso"
não significam a mesma coisa pois, enquanto a primeira é a exposição simples de um fato científico, a segunda é uma deturpação complexa de fatos científicos com a finalidade de explicar um nome que foi inventado - "reumatismo infeccioso" - e enganar os doentes nesse processo.
É lamentável que também existam profissionais que defendam o mito "reumatismo" com tanto ardor que digam naturalmente "febre reumática, ou reumatismo infeccioso", como se fossem a mesma coisa, mesmo quando tais profissionais sabem que a retirada de amígdalas não é tratamento para febre reumática, apesar de, na mente dos leigos, ser o tratamento indicado para o "reumatismo infeccioso", como testemunhou a leitora SildeLuz.
A permissividade dos defensores do mito "reumatismo" para com a expressão "reumatismo infeccioso" é igual à que levou a Sociedade de Pediatria de São Paulo a chamar a febre reumática de "reumatismo no sangue", como já foi explicado no artigo FEBRE REUMÁTICA OU "REUMATISMO NO SANGUE"?

Não existe "reumatismo infeccioso", assim como não existe "reumatismo psicogênico", "reumatismo paraneoplásico", "reumatismo no sangue" ou qualquer outra expressão em que aparece a palavra "reumatismo" porque "reumatismo" não é uma doença, não é um mecanismo de doença, é apenas um mito popular. Nessas expressões arcaicas, obsoletas, ultrapassadas, a palavra "reumatismo" deve ser substituída pela palavra que diz claramente de que assunto está sendo falado -  essa palavra é dor. Por isso sugiro que leia COMO EVITAR SER ENGANADO COM REUMATISMO - PARTE 3 - NÁO ACREDITE QUE DOR "É REUMATISMO".




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