domingo, 15 de setembro de 2013

FEBRE REUMÁTICA OU "REUMATISMO NO SANGUE"? - PARTE 2
"REUMATISMO NO SANGUE" OU FEBRE REUMÁTICA?

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html




O leitor Gustavo postou o seguinte comentário ao artigo VOCÊ ACREDITA EM "REUMATISMO NO SANGUE"?


Boa tarde a todos,
quando criança fui diagnosticado com reumatismo no sangue e fiquei internado por algumas semanas porque o médico disse aos meus pais que ele estava chegando ao coração. Depois de crescido, já cursando Ciências Biológicas, fiz uma pesquisa na qual, por um acaso, descobri que o tal "reumatismo no sangue" não existia. Indignado com isso, voltei ao consultório do mesmo médico e pedi esclarecimento sobre o assunto. Prontamente o competente profissional me explicou que essa é uma expressão usada para a Febre reumática e que "chegando ao coração" significava que, além da inflamação provocada nas articulações, eu estava com início de inflamação em meu coração (que ocorre em uma grande porcentagem dos portadores de febre reumática). É isso aí, mesmo usando expressões populares, o bom profissional sabe qual é o real problema e não medirá esforços para sanar dúvidas.


Gustavo:
Fiquei curioso com a sua postura e realmente não entendi como você avalia o problema dos profissionais que usam expressões populares para explicar doenças e se acredita ou não em "reumatismo no sangue". Fiquei com a impressão de que você defende o uso das explicações populares...
A explicação "essa é uma palavra usada para a febre reumática" é parcialmente correta pois não é apenas para a febre reumática que é usada.
No artigo FEBRE REUMÁTICA OU "REUMATISMO NO SANGUE? você verá que a explicação "reumatismo no sangue" também é usada para VHS aumentado, proteína C reativa aumentada, FAN positivo, fator reumatóide positivo, ASLO positivo, etc, mesmo em quem não tem febre reumática.
No seu caso em particular, tudo se resume em saber se você TEVE ou NÃO TEVE febre reumática... mas, considerando o tempo que passou, pode não ser possível saber a verdade.
Febre reumática geralmente causa mais de uma crise e as crises só são prevenidas através da profilaxia correta com antibióticos, mas a falta dessas informações (crises de repetição e uso correto da profilaxia com antibióticos) não é suficiente para confirmar ou eliminar um diagnóstico do passado.
Quando "ataca o coração" (essa é uma expressão popular) - ou, em outras palavras, quando causa cardite (essa é a explicação técnica - cardite é a inflamação do coração) - febre reumática geralmente deixa sequelas para o resto da vida - nesses casos, as sequelas no coração podem servir para confirmar um diagnóstico de febre reumática no passado.  Mas nem todas as crianças que apresentam febre reumática com cardite ficam com sequelas, por isso a dúvida pode persistir.


Para quem realmente TEVE febre reumática no passado, a explicação que você deu pode ser aceitável, desde que o tratamento correto tenha sido - ou esteja sendo - feito.
Mas para quem NÃO TEVE febre reumática, a explicação não é aceitável, porque o diagnóstico e o tratamento corretos não foram feitos mas a explicação "reumatismo no sangue" foi aceita como verdadeira mesmo assim.


Quando denunciei o uso da expressão "reumatismo no sangue" - leia REUMATISMO NO SANGUE, PICARETAGEM E DEBOCHE - pretendia esclarecer as pessoas que estavam TRATANDO ASLO - e também  TRATANDO FATOR REUMATÓIDE e TRATANDO FAN - e me procuravam para continuar com o "tratamento" que estavam fazendo com injeções regulares de penicilina, sem nunca ter tido nenhum sintoma de febre reumática. Essas pessoas estavam sendo enganadas e perdendo tempo com uma "doença" que não existia - elas acreditavam que tinham "reumatismo no sangue" e queriam continuar a fazer o que sempre fizeram para "tratar" desse problema - queriam continuar usando injeções de penicilina.
Quando tomei conhecimento desse problema, percebi imediatamente que a explicação usada comumente "reumatismo no sangue é apenas um nome popular para febre reumática" não correspondia à realidade porque nenhuma dessas pessoas TEVE ou TINHA febre reumática. A maioria delas nem doente estava - eram apenas vítimas da iatrogenização - e em algumas, quando outro diagnóstico podia ser feito, o tratamento correto nunca era usar injeções de penicilina.
Por isso assumi a postura de denunciar e combater o uso da palavra "reumatismo" e das variações que apresenta ("reumatismo no sangue", "reumatismo nos ossos", etc) porque não explicam nada para quem está doente e servem apenas para deixar as pessoas na ignorância sobre a doença que apresentam, sem falar que também podem ser usadas para esconder a ignorância dos profissionais que as usam.
Mas assim como parei de usar qualquer explicação baseada em "reumatismo", assim como denunciei e combati - e continuo denunciando e combatendo - o uso das explicações baseadas em "reumatismo",  há profissionais que continuam usando e defendendo o uso da palavra "reumatismo" na comunicação com doentes e - pior - há os que usam a palavra para explorar a crença popular no assunto - conclusão a que você chegaria se descobrisse que não teve febre reumática.
Acredito que a defesa que você fez do mito "reumatismo", ao aceitar a explicacão "reumatismo no sangue", baseou-se em ter aceitado "reumatismo no sangue" como a mesma coisa que febre reumática.
Entretanto, sou forçado a discordar da sua opinião porque tenho atendido muitas pessoas na mesma situação e visto que, em cada 10 pessoas que acreditaram nessa explicação,  9 não tinham e nunca tiveram febre reumática.
Por isso, "reumatismo no sangue" não é a mesma coisa que febre reumática.
Por isso,  "reumatismo no sangue" não é uma expressão popular que bons profissionais deveriam usar para explicar aos doentes qual é a doença que apresentam.
Por isso, bons profissionais deveriam dizer simplesmente, quando fazem o diagnóstico de febre reumática, que a criança tem ... febre reumática; que o diagnóstico é... febre reumática.

Bons profissionais jamais deveriam dizer que a criança tem "reumatismo no sangue" porque isso não existe.





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