domingo, 16 de agosto de 2015

O QUE DEVEMOS FAZER?

LEIA O EBOOK REUMATISMOS NÃO EXISTEM

http://drluizclaudio.blogspot.com/2015/09/reumatismos-nao-existem-ebook.html


A leitora Aparecida Maria postou o seguinte comentário ao artigo "MEDICINA BASEADA EM "REUMATISMO":

Olá Doutor resumidamente falando, o senhor disse vários sintomas e exames por qual passei e passo. E pelo que entendi não tem cura, e pelo que tenho de experiência ao longo de mais de uns 29 anos, os profissionais não evoluíram nadinha. E já que o senhor se mostra bastante habilitado, com muito estudo e experiência, nos diga por favor: O QUE DEVEMOS FAZER?? Dietas? Ingestão de corticoides? Enfim, Dê uma luz por favor! Pois o sofrimento é terrível!

Aparecida:

Quando decidi levar a público o problema de comunicação existente no país a respeito de "reumatismo", notadamente a maneira como a ideia é explorada por leigos e profissionais sem conhecimento do assunto, sabia que poderia despertar insatisfação tanto nas pessoas que sofrem com o problema como nas que o ignoram. Entretanto, sabendo que expor a questão era necessário para abrir os olhos e as mentes iludidas, não hesitei.

Ao reconhecer a existência de um problema, nem sempre identificamos imediatamente a maneira de resolvê-lo e, se o problema é dor, é preciso muito cuidado e sensibilidade para abordar o assunto e considerar cuidadosamente as diversas variáveis envolvidas.

Em primeiro lugar, há a questão moral do certo e errado...
"Reumatismo" é errado porque quem tem fibromialgia, não tem "reumatismo", tem fibromialgia. Assim, dizer "é reumatismo" para quem tem fibromialgia é errado. Certo seria dizer "é fibromialgia". O mesmo raciocínio vale para qualquer doença. Você pode usar o nome de qualquer doença no lugar de fibromialgia que a conclusão será sempre a mesma: "Não é reumatismo". Mas há profissionais que dizem que é...

Em segundo lugar, há a questão técnica do diagnóstico...
"Reumatismo" não é um diagnóstico, portanto ninguém deveria ouvir um médico dizer "é reumatismo". Tal afirmação carrega intenções ocultas, que não deveriam ter lugar no atendimento médico. Mas há profissionais que reservam lugar importante para ela no atendimento que prestam...

Em terceiro lugar, há a questão técnica do tratamento...
Se "reumatismo" não é um diagnóstico, evidentemente "tratamento para reumatismo" não existe. Mas há profissionais que dizem que existe...

Em quarto lugar, há a questão da dor...
A dor musculo-esqulética é um problema técnico que pode ser enfrentado de diversas maneiras - legítimas e ilegítimas, morais e amorais, éticas e antiéticas -, todas podendo produzir alívio, o que de certa forma favorece os que dizem o que é errado, tratam o que não conhecem e têm intenções ocultas no que fazem.

Em quinto lugar, há a questão do sofrimento...
Qualquer doença dolorosa carrega considerável grau de incerteza e medo do que a dor representa. O medo e a incerteza contribuem para a dor física, aumentando dessa maneira o sofrimento.

Acredito que muitos outros aspectos podem ser citados, mas penso que esses são os mais importantes.
Visto isso, podemos analisar o desânimo existente na afirmação "os profissionais não evoluíram nadinha"... "ao longo de mais de 29 anos de experiência"...

Não sei que doença você tem e percebi no seu comentário que talvez você acredite que "tem reumatismo". Se for esse o caso, posso lhe dizer que "reumatismo" você não tem, pois "reumatismo" não é uma doença, é apenas um mito popular. Então o seu entendimento de que "não tem cura" não faz sentido, pois é preciso saber de que doença você está falando para entender o que você quer dizer (leia o artigo TEM CURA, DOUTOR?).

Ao contrário do que você afirma, os últimos 29 anos testemunharam mudanças formidáveis no tratamento de diversas doenças, como lupus sistêmico, artrite reumatóide, vasculites, etc. Em geral, os reumatologistas evoluíram com essas mudanças, pois novos conhecimentos surgiram, novos métodos de diagnóstico foram desenvolvidos e novos tratamentos se tornaram disponíveis. Mas para entender como essas mudanças se aplicariam no seu caso, seria preciso saber que doença você tem.

A única coisa que não mudou nesses "29 anos" foi a "conversa de reumatismo": "Isso é reumatismo", vamos fazer os "exames para ver se é reumatismo", "o reumatismo está alto", "o reumatismo está atacado", "vamos passar esse tratamento para o reumatismo", "reumatismo não tem cura", etc. Essa conversa não irá mudar porque não lida com descobertas científicas e não evolui com novos conhecimentos. Ao contrário, permanece estagnada na ignorância e no medo.

Para responder à pergunta O QUE DEVEMOS FAZER?, seria preciso saber qual é a doença em que algo precisa ser feito. Somente sabendo qual é a doença, é possível dizer se é preciso alguma dieta ou "ingestão de corticóides"...

Nos últimos "29 anos", o uso de corticóides vem sendo racionalizado e reduzido gradativamente. Para muitas situações cujo único tratamento medicamentoso eram altas doses de corticóide, hoje existem diversas opções mais eficazes que permitem a diminuição da dose e, às vezes, até a parada completa do uso de corticóide. Em outras situações, entretanto, os corticóides continuam sendo úteis, melhorando a vida das pessoas e até salvando vidas em situações críticas.
A questão em relação aos corticóides não é abandonar o uso desses medicamentos; é saber usá-los quando necessário, na dose correta, pelo tempo mais adequado, decisões difíceis que necessitam do acompanhamento de um reumatologista.

Qualquer que seja o caso, sei que o sofrimento é terrível, mas, sem saber qual é o caso, não é possível dizer como aliviá-lo.
Por outro lado, se o caso é "reumatismo", posso dizer que o que deve ser feito é abandonar a crença em "reumatismo", em exames "para ver se é reumatismo", em "tratamentos de reumatismo" e outras bobagens semelhantes, pois isso não adianta nada, é tudo invenção e nada tem a ver com o desenvolvimento da ciência.
Durante "todo esse tempo de 29 anos" a que você se refere, sempre existiram profissionais fazendo diagnósticos corretos, usando tratamentos científicos e aliviando o sofrimento de muita gente. Talvez seja o caso de procurar por um deles.
No meu entendimento, para encontrar os profissionais que agem cientificamente, é preciso primeiramente afastar-se dos que falam em "reumatismo".

Nenhum comentário: